domingo, 13 de outubro de 2013

SESSÃO 5 (DUPLA): 4 DE NOVEMBRO DE 2013


TEMPOS MODERNOS (1935)



“Encontrar Chaplin a dirigir “Tempos Modernos” é retroceder dez anos na história do cinema. Este estúdio contrasta com os estúdios sonorizados de Hollywood, onde reina o silêncio. Na avenida La Brea encontra-se o último estúdio do mundo onde se faz barulho durante a filmagem. Chaplin produz, num incrível tumulto, o último dos filmes mudos, empregando métodos que há muito foram abandonados em toda a parte. (da imprensa americana da época)

Efectivamente! Desde 1929, depois de Al Jonson e do “Cantor de Jazz”, todo o mundo persegue a palavra. O cinema, de um dia para o outro, deixa o silêncio da pantomima e caminha para o sonoro, para a palavra. Chaplin, porém, teimoso e genial, receando sobretudo (como veremos) pela universidade da sua linguagem, mantém-se afastado da palavra. “Tempos Modernos”, realizado em 1935 e estreado em 1936, é, na Meca do cinema, uma ousadia. Uma ousadia que começa logo pelo facto de recusar a “modernidade”. Essa “modernidade” que, viria depois a saber-se, não era outra “moda”, mas efectivamente o futuro. Paradoxalmente, porém, o futuro viria a consagrar “Tempos Modernos” como um dos mais importantes filmes da história do cinema. Quantos filmes falados desta época são assim recordados?
Sobre o caso, recorda Leprohon: “Era o único que continuava a servir-se de uma técnica que nenhum outro ousava defender contra o gosto do público. Continuava a ir contra a corrente, numa altura em que os rápidos progressos técnicos do sonoro provavam já que o futuro lhe pertencia. Belo exemplo de coragem quando se arrisca não só a fortuna, o que é pouco, mas a maior glória do mundo. Entre Chaplin e a palavra, a luta ia durar quinze anos. Situado a meio caminho, “Tempos Modernos” confirma a sua vitória. Sentimo-la durante todo o filme na sua admirável construção, no seu ritmo, na sua alegria. Nem uma indecisão, mas uma espécie de jogo que se recusa a tomar partido. Tratava-se de saber se Charlot se servia do cinema ou se o cinema se servia de Charlot. “Tempos Modernos” dava a resposta.”


 “Contudo, Chaplin escolhera para “Tempos Modernos” um assunto bastante novo. Charlot é operário numa grande fábrica. O filme apresenta-se na sua advertência como a “história da indústria, do empreendimento individual, da humanidade na conquista da felicidade...” (Sadoul).
Assumindo uma atitude que era, viria depois a saber-se, contrária ao futuro do cinema, Chaplin não desleixa a análise do futuro do homem. Um pouco afastado da evolução técnica (e também estética) da forma de expressão que escolhera, Chaplin mantinha-se um autor extremamente preocupado com o homem e os seus problemas. Descurando o que poderia ser acidental, Charlot não se demitia no plano do essencial. Deste modo é que “Tempos Modernos” adquire uma modernidade impressionante, um poder de crítica que ainda hoje espanta e que deixa perceber, sem grande admiração, a enraivecida reacção de certos sectores da vida americana e europeia. Compreendem-se, portanto, as palavras de um correspondente francês em Nova Iorque que historiou assim o acolhimento da imprensa americana: “Embora reconhecendo a marca do génio incontestável de Chaplin, a crítica censura-o por ser demasiado agressivo, demasiado revoltado; censura-lhe uma tendência política que estaria muito próxima do comunismo; censura-lhe o facto de se mostrar, mais claramente do que nunca, inimigo dos grandes dirigentes de empresas e da Polícia”. Curiosos tempos estes, onde se atacava um artista em tais termos.
“Todo o desespero do filósofo que denuncia o absurdo do mundo, toda a angústia de Kafka, explodem neste filme, tão feroz como burlesco.” (Georges Altman).


“Tempos Modernos” inicia-se ao ataque. Um rebanho de carneiros é posto em paralelo com os operários que entram para as fábricas ou saem do metropolitano. É conveniente não esquecer que o filme data de 1936 e tenta ser a análise de um período de crise que levou a América à mais completa ruína. A depressão económica, iniciada com o “crash” de 1929, estava nos olhos de todos e o desemprego será um dos grandes temas de Chaplin.
No interior de uma fábrica, iremos encontrar Charlot operário, elo de uma cadeia. O seu trabalho será o de apertar roscas, não descurando um gesto, impondo a si mesmo um ritmo de autómato. Obviamente esta regularidade só se mantém durante escassos segundos. Charlot, eterno “revoltado”, como lhe chama José-Augusto França, não poderia aceitar com docilidade este esquema. Será a própria engrenagem que se irá ressentir da colaboração prestada por Charlot. Da mesma forma que também Charlot se ressentirá da automatização que lhe é imposta, mantendo no exterior a mesma necessidade de apertar roscas que a fábrica lhe criara. Mas, eis a subversão: em lugar de roscas, Charlot investe furiosamente sobre todos os botões que os vestidos da época comportam. E eram muitos. Ei-lo, portanto, correndo atrás de uma matrona, generosamente servida de seios, que se atravessara no caminho. Este facto, acrescentado a outros (explode com a maquinaria, borrifa de óleo o director da fábrica e os seus capatazes, distrai os colegas, etc.), obriga Charlot a uma permanência no hospital, após a qual se encontra desempregado. Em liberdade, Charlot apanha irreflectidamente do chão um pedaço de pano vermelho e é tomado por chefe de uma manifestação. Na cadeia (que Chaplin associa, no funcionamento, a uma fábrica), Charlot consegue um estatuto de privilegiado, depois de ter ajudado a malograr uma fuga. Refastelado numa confortável cela, tenta recusar a liberdade quando lha oferecem. Afinal, lá dentro, está muito melhor, saboreando o descanso e sem inquietações de comida e cama.
De novo na sua rota de vagabundo, encontra uma jovem que roubara um pão. Quixotesco, faz-se passar pelo ladrão, de forma a deixar em liberdade a rapariga (ou de forma a ser preso outra vez). Acabam ambos por ir parar ao carro celular.
Novo emprego (um estaleiro, onde Charlot afunda um navio em construção), nova prisão. À saída, a jovem espera por ele. Passam a viver numa cabana e Charlot consegue outro trabalho: guarda-nocturno num armazém. Abusivamente, leva lá para dentro a jovem e passam uma noite em grande estilo, até que surge um grupo de ladrões com que acaba por confraternizar. Volta a ser preso, volta a sair. De novo a rapariga o espera, agora para lhe dizer que conseguiu um emprego de dançarina num cabaret de décima ordem. Charlot é contratado como empregado-cantor. Os tempos parecem sorrir-lhes finalmente, mas a polícia volta a quebrar o encanto daquele idílio, tentando prender a rapariga. Com a estrada pela frente (o mesmo é dizer: com o futuro), o casal, de mão dada, teima. Nalgum sítio será possível viver. Nada mais lhes resta do que perseguir o sonho.
Chaplin contra a técnica? Chaplin contra a máquina? Quer-nos parecer que não. Chaplin recusa, dos tempos modernos, a alienação do indivíduo, a sujeição à máquina, a indignidade de um trabalho escravo, a apatia dos próprios homens perante a sua progressiva desumanização. Só assim se entenderão completamente os planos iniciais, onde um rebanho de carneiros é montado em paralelo com os operários dirigindo-se para as fábricas. Atacando a máquina que tritura o indivíduo (que tritura literalmente, como acontece em “Tempos Modernos”, onde, por exemplo, os operários são levados pelo interior das máquinas, tragados pelas suas engrenagens, ávidas de alimento para o seu estômago esfomeado), Chaplin ataca não a técnica como valor absoluto, mas a técnica que, em lugar de libertar o homem, o escraviza. Não a máquina que serve o homem, mas a que se serve do indivíduo. Neste aspecto, é muito sugestiva toda a cena onde o patrão da fábrica experimenta um invento destinado a servir o almoço aos operários “no local de trabalho”, para que estes não interrompessem as suas tarefas para a refeição. Eis aqui o exemplo máximo da técnica ao serviço da própria técnica e dos meios de produção. Tudo isto, simplesmente para maior lucro e glória da entidade patronal e do capital, através de uma maior exploração do trabalho. “Às promessas de bem-estar material (Charlot) preferirá sempre, porque é um poeta e porque é livre, a miséria e a fome, mas também os devaneios tranquilos, a erva dos taludes, a incerteza de um amanhã que permite todas as esperanças” (Leprohon).
Filme a um tempo sonoro e mudo, “Tempos Modernos” mantém toda a estrutura dramática de uma obra muda. Aqui e ali aparecerão um rádio, uma máquina, um som. Charlot, porém, permanece silencioso, preferindo exprimir-se pela mímica, pela expressão, pelo gesto. E por legendas, quando for o caso. Quase no fim do filme, contudo, saltando para o centro da pista do cabaret, com um poema escrito num dos punhos da camisa, Charlot canta. A canção (“Je cherche après Titine”) é, todavia, uma sucessão de sons que vai buscar elementos a várias línguas e se torna expressiva para qualquer delas. Ou, se preferirem, que alcança um significado definido e único em todas elas. Primeira experiência falada de Charlot, esta canção irá manter a universalidade de um gesto, de uma expressão, de um olhar.

Que dizer da genialidade do cómico de Chaplin? Que mais se poderá acrescentar ao que já foi dito? Chaplin, para uns o maior cineasta da história do cinema (e para que interessarão as comparações?), é um homem com uma visão do mundo perfeitamente elaborada, um artista que cria à sua imagem e semelhança. Um filme de Chaplin não é uma comédia ou um drama. Possui o fôlego de um poema, enternece e diverte, atinge a sátira ou a tragédia, deixa sobretudo o espectador estupefacto, ignorando qual deverá ser a sua reacção acertada. Rir ou chorar, sofrer com a sorte magoada de um vagabundo, gritar de dor perante a injustiça, indignar-se com o gesto do “herói” que continuamente a si próprio se nega (Charlot na prisão toma o partido do director e dos guardas e aqui Chaplin avisa-nos da dificuldade de acusar ou enaltecer um homem, sobretudo um homem como aquele que ele nos mostra)...
Do que poderemos estar certos é da qualidade de um humor que consegue ressuscitar todos os dias, em todos os ecrãs do mundo, perante novos públicos. O que poderemos é admirar, sim!, diariamente admirar e se possível, se conseguirmos, se formos capazes disso, se o merecermos, amar Charlot e, através dele, amar a vida.
Charlot? Uma maravilha. Bastaria uma palavra, se as palavras sozinhas, isoladas, perdidas, significassem ainda alguma coisa. Mas a verdade é que Charlot é isso: uma maravilha!
In “Diário de Lisboa”, 6 de Fevereiro de 1972.


EVOCAÇÃO DE CHAPLIN
Por entre imagens recolhidas de alguns filmes de Charlot, o noticiário de televisão da noite de Natal de 1977 interrompeu as referências mais ou menos festivas à quadra para sublinhar o facto: Charles Chaplin morreu.
Tinha 88 anos, vivia retirado em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, de onde só raramente saía nos últimos anos de vida. O "guerreiro" repousava já há longos anos, esperando que a morte o viesse buscar. "Morreu de velhice", confirmaria o médico da família. Serenamente, durante o sono, numa noite de Natal. Sem dramatismo, ainda que perante a comoção sincera de todo o mundo. Mesmo daqueles que já não achavam muito simpática a figura de Chaplin, endinheirado e algo conservador, ele que fora arauto de liberdade, de arrojo, de destemperança.
Enquanto Charles Spencer Chaplin vai a enterrar, discretamente, perante o silêncio dos familiares, escolho o silêncio da noite que se adensa para retirar o projector de super-oito, ligar a ficha à corrente, e pôr a rolar uma bobina clássica, de um Charlot dos bons velhos tempos. É "Charlot, vagabundo". Buster Keaton, o único outro cómico de toda a história do cinema que se lhe pode comparar, afirma-o "o vagabundo do cinema". É assim que gosto de recordá-lo: o cabelo preto encaracolado, caindo sobre a testa, crescendo por debaixo de um chapéu de coco (seguramente surrupiado na pré-história do cinema); um corpo franzino, nervoso; umas calças largas e amarrotadas, de cujos bolsos podem sair cordas, lenços, pedaços de pão duro, que irá dividir sempre com a bela rapariga pobre e cega (como em “Luzes da Cidade”); um colete; um casaco muito apertado; uma gravata que se descobre descendo dos colarinhos brancos (brancos?) da camisa; uns sapatos enormes, por vezes abertos à frente, com as solas separadas, mas sempre comestíveis em momentos de fome mais negra. E, por debaixo de uns olhos tristes e nostálgicos, o bigodinho trocista que irá acompanhar as evoluções electrizantes de uma fina bengala de cana.
Aí temos a figura à conquista do mundo. Adormecido atrás de uns taipais, sentado na soleira de uma porta, caminhando sem destino pelas ruas das grandes metrópoles, pelos atalhos do campo, Charlot é uma personagem à espera do mundo. Que lhe surgirá sob a forma do cacetete de um polícia de Max Sennett, ou sob o rosto amargurado de uma jovem, desprotegida, em fuga aos maus tratos de um patrão ou padrasto. Tudo começa em cada nova bobina. Do olhar do vagabundo sai a esperança, sempre renovada. As peripécias sucedem-se. Charlot não abdica de uma ferroada violenta no "sistema". Individualista, "self-made-man", como lhe chamou José-Augusto França, Charlot diverte-se, e diverte-nos, atacando os "grandes", quer eles sejam os guardas prisionais (detentores de um "certo" poder), os banqueiros, os bons burgueses, os oficiais de carreira, os patrões ou mesmo os governantes. É célebre a violenta "charge", dedicada a Hitler, em “O Ditador”, que terá levado Göebbels a caracterizar Charles Chaplin do seguinte modo: "É um judeuzinho desprezível, mesquinho e ávido." Quando no futuro se recordar Charlot, dir-se-á "cinema", dir-se-á "amor à vida". Quando se recorda Göebbels, o que vem à memória são o nazismo e campos de concentração. Vitórias de um “judeuzinho” indomável que todas as forças do mundo quiseram ter junto de si e que quando não con­seguiram comprar a sua cumplicidade, o amesquinhavam sem razão, o expulsavam sem motivo. A América, que lhe recusou entrada em 1952, sob a acusação de "actividades anti-americanas" e de "simpatias comunistas", levaria vinte anos para se recompor, dando o dito por não dito em 1972, quando o recebe triunfalmente para lhe entregar em Hollywood um prémio especial, criado para mitigar uma injustiça.
Eternamente apaixonado pela "partenaire" do filme que rodava (com algumas das quais viria mesmo a casar), Charlot surge-nos como o "cavaleiro andante" do século XX, um pobre diabo metido em assados, eterna vítima dos graúdos, de que se desforra amiudadas vezes, ao tentar repor o equilíbrio entre exploradores e explorados. Peregrinação dolorosa em busca da dignidade, o cinema de Charlie Chaplin traduz - de uma maneira de que só Buster Keaton conheceu igualmente a fórmula - toda a complexa mecânica do riso, do "clown", do palhaço. Servindo-se do cinema como linguagem universal, Chaplin conseguiu ser o palhaço de todas as infâncias, o riso de todas as crianças, a ternura de todos os públicos.
Cavalheiresco e altivo mesmo nas piores situações, Charlot tem sempre um gesto, uma frase, um movimento que lembram a sua condição de homem, de humilhado e ofendido, que todavia não oferece a outra face, depois de ter sido esbofeteado na direita. Mesmo no alto da pista de um circo (em “O Circo”), envolvido por macacos que o mordem e o despem, enquanto procura equilibrar uma barra sobre a corda bamba, mesmo aí Charlot não abdica da sua dignidade, rosto amargurado transpirando pureza, uns olhos de uma tristeza infinita que só o rosto de uma mulher consegue rasgar de par em par, uma dignidade continuamente posta em causa, continuadamente agredida, mas sempre reaprendida, mesmo depois da angustiante partida do circo, mesmo depois do adeus a uma amada que ele vê desaparecer nos braços de outro. Mesmo depois de todo este desmoronar de um sonho, Charlot consegue erguer-se bem no centro da pista deserta e partir ele também para os lados do desconhecido, com um andar saltitante, volteando no ar uma bengala de esperança. Ouvi pela televisão, li depois nos jornais que Charlie Chaplin morrera na noite de Natal de 1977. Em Corsier-sur-­Vevey, na Suíça. Agora que desligo o projector de super-oito, que enrolo a fita e guardo a bobina, sei que Charlot, o vagabundo, não morreu.

TEMPOS MODERNOS
Título original: Modern Times
Realizador: Charles Chaplin (EUA, 1936); Argumento: Charles Chaplin; Música: Charles Chaplin, e ainda Alfred Newman, Edward B. Powell, David Raksin, Bernhard Kaun; Fotografia (p/b): Ira H. Morgan, Roland Totheroh, e ainda Max M. Autrey, Mark Marlatt; Montagem: Willard Nico; Casting: Al Ernest Garcia; Direcção de produção: Charles D. Hall Alfred Reeves, Jack Wilson; Direcção artística: J. Russell Spencer; Maquilhagem: Elizabeth Arden; Assistentes de realização: Carter DeHaven, Henry Bergman; Departamento de arte: Charles D. Hall, J. Russell Spencer, Hal Atkins, William Bogdanoff, Bob Depps, Joe Van Meter; Som: Frank Maher, Paul Neal; Efeitos especiais: Bud Thackery; Produção: Charles Chaplin; Companhias de produção: Charles Chaplin Productions; Intérpretes: Charles Chaplin (operário), Paulette Goddard (rapariga), Henry Bergman (propietário de café), Tiny Sandford (Big Bill), Chester Conklin (mecânico), Hank Mann (ladrão), Stanley Blystone (pai da rapariga), Al Ernest Garcia (presidente da Electro Steel Corp.), Richard Alexander, Cecil Reynolds, Mira McKinney, Murdock MacQuarrie, Wilfred Lucas, Edward LeSaint, Fred Malatesta, Sammy Stein, Juana Sutton, Ted Oliver, Norman Ainsley, Bobby Barber, Heinie Conklin, Gloria DeHaven, Frank Hagney, Chuck Hamilton, Lloyd Ingraham, Walter James, Edward Kimball, Jack Low, Bruce Mitchell, Frank Moran, James C. Morton, Louis Natheaux, John Rand, Harry Wilson, etc. Duração: 87 minutos; Locais de filmagens: Hollywood Boulevard & Vine Street, Hollywood, Los Angeles, California, EUA; Data de estreia: 5 de Fevereiro de 1936 (EUA); Classificação etária: M/ 6 anos; Distribuição mundial (DVD): MK2 Diffusion; MK2 Editions; Distribuição em Portugal (DVD): Costa do Castelo Filmes.

CHARLES CHAPLIN (1889-1977)

1. AS ORIGENS
Charles Spencer Chaplin nasceu em Londres, a 16 de Abril de 1889, filho de Charles Chaplin e de Hanah Hill. O pai era actor, cantor e compositor, a mãe cantora e bailarina de "music-hall", conhecida pelo nome de Lily Harley. Aos cinco anos, Chaplin, ainda que ocasionalmente, já canta em espectáculos de variedades, ao lado do pai, em substituição da mãe. Em Março de 1894 morre o pai e a situação da família é de uma miséria extrema, com a hospitalização da mãe, dada como louca. Chaplin e seu irmão Sidney entram para a Hanwell Residential School, nos subúrbios de Londres, um orfanato onde Chaplin se mantém até 18 de Janeiro de 1898. Volta então para junto da mãe, aparentemente recuperada e exercendo costura. Frequenta depois o Hern Boys College, onde estudará durante 18 meses, aparecendo simultaneamente nalguns espectáculos de "music-hall" londrinos de segunda categoria.
Contratado por grupos como os de "Maggie Morton" e "The Eight Lancashire Lads", Chaplin exercita-se entre as variedades e os números de circo, numa altura em que a mãe volta a ter nova crise e é internada outra vez. Fica sozinho em Londres (o irmão partira, como marinheiro, para a África do Sul), torna a conhecer um período de fome, desolação e negra miséria. Tem onze anos e sobrevive em pequenos papéis, em peças como “From Rags to Riches” (Da Miséria à Fortuna), um melodrama, ou “Sherlock Holmes”, cuja carreira o ocupa durante algum tempo.
O circo interessa-o igualmente, até que em 1906 é contratado pelo "Casey's Court Circus", um circo infantil, onde todos os números eram interpretados por crianças. Uma digressão de um ano assegura-lhe a sobrevivência, até que Sidney Chaplin, que entretanto se tornara seu empresário, lhe consegue um contrato para a Fred Karno Repertoire Company. A sua carreira ascensional irá começar aqui. Várias digressões internacionais, a Paris, pela província inglesa, aos EUA e ao Canadá, e finalmente uma segunda digressão aos Estados Unidos que o leva até Nova Iorque, onde o produtor Adam Kessel, que fundara a Keystone Cª, repara nele e o pretende contratar, o que só virá a acontecer em 12 de Maio de 1913. Tornara-se conhecido na América sobretudo pela sua contribuição num episódio teatral, “A Night in an English Music Hall”. A última representação de Charles Chaplin para a companhia de Fred Karno terá lugar em 28 de Novembro de 1913, no Empress Theatre, de Kansas City. Em Dezembro desse ano, já em Hollywood, trava conhecimento com Mack Sennett e os processos cómicos da Keystone Film Company. Assina o primeiro contrato para o cinema em 2 de Janeiro de 1914, obrigando-se a participar em 35 filmes de uma ou duas bobinas, durante esse ano, contra uma remuneração de 150 dólares semanais, ou seja 7800 dólares por ano. Entre 16 e 19 de Janeiro filma o seu primeiro filme, “Making a Living” (Charlot Jornalista).

2. FILMES DO PERIODO DA “KEYSTONE”
1914: Making a Living (Charlot Jornalista), de Henry Lehrman; Kid Auto Races at Venice (Charlot Fotogénico), de Henry Lehrman; Mablel's Strange Predicament (A Estranha Aventura de Mabel), de Mack Sennett e Henry Lehrman; Between Showers (Charlot e o Guarda-Chuva), de Henry Lehrman; A Film Johnny (Charlot no Cinema), de Mack Sennett; Tango Tangles (Charlot Bailarino), de Mack Sennett; His Favourite Pastime (Charlot Galante), de George Nichols; Cruel, Cruel Love (Charlot Marquês), de Mack Sennett; The Star Boarder (Charlot Ama a Hospedeira), de Marck Sennett; Mabel at the Wheel (Charlot tem um Rival), de Mack Sennett e Mabel Normand; Twenty Minutes of Love (Charlot Apaixonado), de Mack Sennett; Caught in a Cabaret (Charlot Criado de Café), de Chaplin e Mabel Normand; Caught in the Rain (Charlot e a Sonâmbula), de Chaplin; A Busy Day (Charlot Ciumento), de Chaplin; The Fatal Mallet (O Malho de Charlot), de Chaplin e Mack Sennett; The Knock Out (Charlot Árbitro), de Mack Sennett e Chaplin; Her Friend the Bandit (O Namoro de Charlot), de Chaplin e Mabel Normand; Mabel's Busy Day (Charlot e as Salsichas), de Chaplin e Mabel Normand; Mabel's Married Life (Charlot e o Manequim), de Chaplin e Mabel Normand; Laughing Gas (Charlot Dentista), de Chaplin; The Property Man (Charlot no Teatro), de Chaplin; The Face on the Bar Room Floor (Charlot Pintor), de Chaplin; Recreation (Charlot Diverte-se), de Chaplin ; The Masquerade (Charlot Faz de Vedeta), de Chaplin; His New Profession (Charlot Enfermeiro), de Chaplin; The Rounders (Que Noite), de Chaplin; The New Janitor (Charlot Porteiro), de Chaplin; Those Love Pangs (Charlot e o Rival), de Chaplin; Dough and Dynamite (Pastéis e Dinamite), de Chaplin; Gentlemen of Nerve (Charlot nas Corridas), de Chaplin; His Musical Career (A Carreira Musical de Charlot), de Chaplin; His Trysting Place (Charlot Papá), de Chaplin; Tillie's Punctured Romance (As Bodas de Charlot), de Mack Sennett; Getting Acquainted (Charlot Passeia), de Chaplin; His Prehistoric Past (O Homem Pré-Histórico), de Chaplin.

3. COMO SURGE “CHARLOT”
No seu livro autobiográfico, Charlie Chaplin conta como nasceu a personagem Charlot, “vagabundo, gentleman, poeta, sonhador". Depois de um primeiro filme, “Charlot Jornalista” (Janeiro de 1914), Chaplin foi convidado para figurar num segundo filme de Mack Sennett:
"Não tinha a menor ideia da maneira como havia de me apresentar. Mas, quando me dirigia para o vestuário, disse com os meus botões que ia vestir umas calças largas de mais, pôr uns sapatos enormes e completar o conjunto com uma bengala e um chapéu de coco. Queria que tudo estivesse em contradição: as calças exagerada­mente largas, o casaco muito apertado, o chapéu pequeno de mais e os sapatos enormes. Devia ainda resolver se assumiria um ar de jovem ou de velho, mas lembrando-me de que Sennett me tinha julgado mais velho, acrescentei à minha cara um pequeno bigode que, segundo me parecia, dar-me-ia mais alguns anos sem ocultar a minha expressão."

4. NA “ESSANAY”
Em 1915 Chaplin deixa a Keystone e muda-se para a Essanay, onde roda 16 novos títulos durante esse ano. Recebe agora 1250 dólares semanais, o que corresponde a 65 000 dólares num ano. Chaplin passa a assegurar a realização integral das suas obras, sendo da sua responsabilidade argumento, realização, cenários, recrutamento de outros actores e técnicos e interpretação. Contrata Edna Purviance, uma actriz com quem irá estabelecer longa e forte amizade. Inicia-se a contribuição de Rollie Totheroh, que acompanhou Chaplin durante 40 anos.

OS FILMES DO PERÍODO DA “ESSANAY”
1915: His New Job (A Estreia de Charlot), A Night Out (Charlot Zaragateiro), The Champion (O Campeão), In the Park (Charlot no Parque), Charlot quer Casar (The Jitney Elopement), The Tramp (Charlot Vagabundo), By the Sea (Charlot Bombista), His Regeneration (A Regeneração de Bronco Billy), Work (Charlot Aprendiz), A Woman (Charlot Perfeita Dama), The Bank (Charlot no Banco), Charlot em Xangai (Shanghaled), A Night in the Show (Uma Noite no Music-Hall), Police (Charlot Ladrão), Carmen (Carmen), Triple Trouble (Charlot é sempre Charlot), The Essanay Chaplin Revue of 1916 (antologia, em 5 bobinas, de fragmentos de alguns dos filmes interpretados por Chaplin para a Essanay em 1916).


5. NA “MUTUAL”
Desagradado com as imposições dos produtores em relação a “Carmen”, Chaplin decide não renovar o contrato com a Essanay e ingressa na Mutual. As condições semanais melhoram. Um total de 675 000 dólares para doze filmes. Trabalhará para a Mutual até Setembro de 1917 tendo, porém, já assinado novo contrato, desta feita com a First National, em Junho do mesmo ano. Em Outubro de 1917 principia a construção do Estúdio Chaplin, num terreno adquirido no Sunset Boulevard, em Hollywood.

FILMES DO PERÍODO DA “MUTUAL”
1916: The Floorwalher (Charlot Caixeiro), The Fireman (Charlot Bombeiro), The Vabagond (Charlot Violinista), One A. M. (Charlot Boémio), The Count (Charlot Aldrabão), The Pawnshop (Charlot Prestamista), Behind the Screen (Charlot Maquinista), The Rink (Charlot Patinador); 1917: Easy Street (Charlot na Rua da Paz), The Cure (Charlot nas Termas), The Emmigrant (Charlot o Emigrante), The Adventurer (Charlot o Evadido) (durante o período da Mutual, todos os filmes de Chaplin são escritos e realizados por ele, tendo com fotógrafos Rolland Totheroh e William C. Foster).

6. NA “FIRST NATIONAL”
A First National assegura a colaboração de Chaplin e Mary Pickford. O contrato de Charles Chaplin prevê a realização de 8 títulos em 18 meses, contra o que receberá 1 075 000 dólares. Chaplin funda a Chas Chaplin Film Cª, onde passarão a ser rodados todos os seus filmes, até “Luzes da Ribalta”. O actor passa a controlar a produção das suas obras, cobrando 50% das receitas.
Entretanto, entre Março e Junho de 1918 associa-se à propaganda americana de intervenção na I Guerra Mundial. A 23 de Outubro desse ano, casa com Mildred Harris, uma actriz de 16 anos, de quem se divorciará a 19 de Novembro de 1920. Em Setembro de 1921 inicia uma viagem à Europa, com paragem em Londres, Paris e Berlim, para apresentação do seu filme “Garoto de Charlot”.

FILMES DO PERÍODO DA “FIRST NATIONAL”
1918: A Dog's Life (Uma Vida de Cão), Shoulder Arms (Charlot nas Trincheiras), The Bond (contribuição de Chaplin para a campanha de bónus para a guerra. Filme julgado perdido durante muito tempo); 1919: Sunny Side (Um Idílio nos Campos), A Day's Pleasure (Um Dia Bem Passado); 1921: The Kid (O Garoto de Charlot), - The ldle Class (Charlot, Amador de Golf); 1922: Pay Day (Dia de Pagamento), The Pilgrim (O Peregrino).

7. DO MUDO AO SONORO
Após um contrato de cinco anos com a First National, Chaplin passa a produzir os seus próprios filmes, através da United Artists, produtora que fundara em 1919, conjuntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, pelo que também era conhecida pela designação de “The Big Four” (Os Quatro Grandes). Por essa altura é muito falada a ligação de Chaplin com Pola Negri, cuja ruptura se anuncia no Verão de 1923. Em 24 de Novembro do ano seguinte, casa secretamente com Lita Grey, actriz que contratara para “A Quimera do Ouro”, que virá a ser, porém, interpretada por Georgia Hale.
Depois dos escândalos de Mildred Harris e Pola Negri (entre outros), Chaplin enfrenta nova acção de divórcio, desta feita instaurada por Lita Grey, em Janeiro de 1927. A opinião pública começa a protestar contra Chaplin e pede a proibição dos seus filmes. O puritanismo americano vem ao de cima. Um grupo de escritores surrealistas franceses ergue-se, todavia, em defesa de Chaplin, num manifesto intitulado "Hands off Love", redigido em inglês por Aragon, e assinado por Éluard, Breton, Man Ray, Desnos, Crevel, Georges Sadoul, Tanguy, Prévert, Queneau, etc,
Após o julgamento, Chaplin tem novos problemas com a justiça americana, desta feita com o fisco. Anteriormente, a sua mãe, que passara a viver com ele nos EUA, tinha igualmente sido ameaçada de expulsão. Hannah Chaplin virá a morrer em Agosto de 1929. Entretanto, as primeiras longas-metragens de Charles Chaplin conhecem um sucesso sem precedentes. “A Woman of Paris” (Opinião Pública), único filme realizado por Chaplin e não interpretado por si, “A Quimera do Ouro” e “O Circo” marcam os últimos anos do mudo. Em 1927, com o advento do sonoro, Chaplin sofre um rude golpe. Procura manter-se fiel aos processos do mudo, começando a rodar “Luzes da Cidade” como tal. Interrompe, porém, as filmagens para experimentar o sonoro. Mas, em 1935, oito anos depois do aparecimento do sonoro, volta a rodar um filme inteiramente mudo: “Tempos Modernos”.
Em 1933, torna a casar, pela terceira vez, desta feita com Paulette Goddard, de quem virá igualmente a divorciar-se em 1942.
Estreado em 1936, “Tempos Modernos” custou milhão e meio de dólares, sendo recebido com frieza pela crítica americana, que acusa o filme de fazer propaganda comunista. É proibido em Itália e na Alemanha, mas tem um êxito extraordinário em Londres, Paris e Moscovo. Antes de iniciar a rodagem de “O Ditador”, Chaplin anuncia vários outros projectos que não chega a realizar: “Jesus”, “Hamlet”, “O Bravo Soldado Schweik”, “A Pequena Selvagem de Bali”...

8. PERSEGUIÇÕES NA AMÉRICA
Os problemas de Chaplin não desaparecem nos EUA. Instauram­-lhe diversos processos, quer por empresas que se consideram prejudicadas, quer por sociedades que acusam o autor de plágio, quer por novas paixões (como no caso de Joan Berry, que o põe em tribunal, sob a acusação de não reconhecimento de paternidade, de que Chaplin é ilibado). Com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial, Charles Chaplin enquadra-se nessa luta. Compreendendo o papel desempenhado pela URSS no confronto contra o nazismo, aparece em diversos comícios e reuniões políticas de apoio à luta deste povo. O seu ódio a Hitler e ao nacional-socialismo leva-o a dirigir “O Ditador”, que lhe acarretaria mais dissabores. Em 1943, Chaplin conhece Oona O' Neill, filha do dramaturgo americano Eugene O' Neill, com quem casa a 16 de Junho: ele tem 56 anos e Oona 18. No ano seguinte, lança-se na concepção de “Monsieur Verdoux”, que se estreará em 1947. Com a estreia de “Verdoux”, Chaplin volta a enfrentar uma longa e intensa campanha hostil por parte da imprensa americana. A Comissão das Actividades Anti-americanas, presidida por Parnell Thomas, inicia igualmente um ataque sistemático a Chaplin, que culmina com a chamada do cineasta a depor, o que este recusa, enviando em seu lugar um telegrama: "Sou a favor da paz". Os "Dez de Hollywood" são nessa altura condenados a um ano de cadeia, por terem recusado comparecer perante esta comissão.
Em 1952, termina “Luzes da Ribalta”, onde trabalha ao lado de Buster Keaton, e embarca para a Europa. O ministro da justiça do presidente Truman e a Comissão das Actividades Anti-Americanas, do senador McCarthy, anunciam a instauração de um processo a Chaplin. Acusam-no de simpatias comunistas e querem que deponha perante a Comissão, o que recusa. Chega dias depois a Londres e é recebido entusiasticamente. Passa depois por Paris e Roma. A Europa rende-se a Charlot. Em 1953, Chaplin instala-se na Suíça e desiste de voltar à América. Passa a viver num solar, em Corsier­-sur-Vevey, perto de Lausana. A decisão de renunciar a viver nos EUA anuncia-a nas seguintes palavras: "Desde o fim da Segunda Guerra Mundial fui objecto de uma campanha de mentiras e de propaganda hostil levada a efeito por poderosos grupos reaccionários. Com a ajuda da imprensa de escândalos, criaram uma atmosfera incómoda, na qual as pessoas de espírito liberal podem ser perseguidas. Nestas condições, achei que me era impossível continuar nos Estados Unidos o meu trabalho cinematográfico".
Na Europa dirige ainda “A King in New York” (1957), só estreado nos EUA 20 anos depois, e “A Countess from Hong Kong” (1967). Recupera filmes antigos, renova as partituras musicais de alguns, pensa ainda lançar-se num novo empreendimento, "The Freak", a ser interpretado pela irmã, Victoria Chaplin, mas acaba por dar por terminada a sua carreira. Em 1975, é armado cavaleiro pela Rainha e, dois anos depois, em plena noite de Natal, a 25 de Dezembro, more durante o sono.

9. LONGAS-METRAGENS DO PERÍODO “UNITED ARTISTS”
1823: A Woman of Paris: A Drama of Fate (A Opinião Pública)
1925: The Gold Rush (A Quimera do Ouro)
1926: Camille ou The Fate of a Coquette, de Ralph Barton (CC não creditado)
1928: The Circus (O Circo)
1931: City Lights (Luzes da Cidade)
1936: Modern Times (Tempos Modernos) 
1940: The Great Dictator (O Grande Ditador)
1947: Monsieur Verdoux (O Barba Azul)
1952: Limelight (Luzes da Ribalta)
1957: A King in New York (Um Rei em Nova Iorque)

1967: A Countess from Hong Kong (A Condessa de Hong Kong) 

SESSÃO 4: 28 DE OUTUBRO DE 2013


CHAPÉU ALTO (1935)

“Top Hat” baseia-se numa peça teatral de autores húngaros, Sándor Faragó e Aladar Laszlo, e mais uma vez temos o “boulevard” como inspiração maior. Intrigas ligeiras e amenas que se baseiam em intrincados casos de enganos e desenganos, de falsas aparências que se tomam por realidades, donde resultam tomadas de posição equívocas que só se resolverão na cena final. Aqui, Fred Astaire é Jerry Travers, um bailarino e cantor de teatro norte-americano, em tournée por Londres, onde se encontra com o seu empresário, Horace Hardwick (Edward Everett Horton), e onde ocasionalmente se cruza com Dale Tremont (Ginger Rogers), por quem se apaixona. Mas Dale Tremont julga que Jerry Travers é Horace Hardwick, por sinal o marido da sua melhor amiga, Madge Hardwick (Helen Broderick), que espera por todos em Itália.
Argumento de pouca importância que tem de funcionar com o acerto de um mecanismo de relojoaria suíça para prender os espectadores e levá-los no engodo até à sequência derradeira. Com algum “suspense”, não aquele dos policiais de cortar à faca, mas das comédias que enervam porque nunca mais se esclarecerem os mal-entendidos. Neste aspecto, “Top Hat” é magnificamente conduzido, com bom ritmo e sabedoria narrativa pelo experimentado Mark Sandrich que, por diversas vezes, dirigiu a dupla de sonho, sempre com bons resultados, aliás, repetindo a fórmula do sucesso: “em equipa que ganha não se mexe”. Por isso as histórias se assemelham de filme para filme, os ambientes também, bem como as personagens e os actores, mesmo os secundários.
Os ambientes são os que fazem sonhar, quer pelo luxo, como pelo exotismo: começa-se logo por um clube de gentlemen, inglês obviamente, onde não se pode fazer barulho e impera o silêncio, cruzando o luxo com o exotismo. Uma folha de jornal que se vira justifica um olhar reprovador de toda a assistência. Depois sucedem-se hotéis de seis estrelas, casinos, passeios a cavalo, grandes teatros, bares de fantasia, uma Veneza de gôndola mesmo no interior das salas de jantar, tudo muito sofisticado, com uns vestígios ainda de art deco. Os cavalheiros de smoking ou traje escuro, as damas de belos vestidos, que reluzem ou faíscam com as suas penas flutuantes e flamejantes lantejoulais.
Em plenos anos de recessão económica, de crise social, de desemprego, de fome, os ecrãs apresentavam tudo aquilo que o espectador normal das salas de cinema não podia ter. Ir ao cinema era uma forma de sonhar e de abrandar a tensão diária. (Woody Allen explicou o fenómeno em “A Rosa Púrpura do Cairo”). A crítica marxista da época considerava este tipo de filmes hollywoodescos alienantes e quase obscenos. Mostrar toda esta riqueza quando tanto desgraçado se debatia na maior das pobrezas! Acusavam esta “fábrica de sonhos” de mentir ao povo. De o afastar dos verdadeiros problemas.
A crítica marxista tem tendência a passar de moda, e esta série de filmes de Fred Astaire e Ginger Rogers é, hoje em dia, matéria de culto. Um filme como “Top Hat”, na sua fragilidade de intriga, ingénua e inocente (mas não tão inocente assim, aqui e ali há referências bem apimentadas, que nos anos seguintes não seriam toleradas pelo código Hayes), pode considerar-se um momento de rara felicidade para os olhos e os ouvidos, uma obra-prima de ourivesaria musical, com vários diamantes puros, que, aqui e ali, refulgem. Sempre que a dupla se encontra, em diálogos corporais absolutamente fascinantes, que vão desde o confronto (na cena do caramanchão) até à harmonia perfeita (em "Cheek to Cheek" ou nesse impressionante "The Piccolino"), o espectador acredita no “milagre” da arte que transfigura os seres e lhes dá asas, libertando-os das condicionantes da gravidade. Fred Astaire e Ginger Rogers são verdadeiramente notáveis, únicos. O realizador filma-os com o máximo de respeito, em planos de conjunto, longos, que nos permitem acompanhar cada movimento, cada gesto, cada batimento do sapateado, cada paragem que suspende no espaço a magia de uma felicidade sem par.

CHAPÉU ALTO
Título original: Top Hat
Realização: Mark Sandrich (EUA, 1935); Argumento: Károly Nóti, Allan Scott, Dwight Taylor, Dwight Taylor, segundo peça de Sándor Faragó e Aladar Laszlo; Produção: Pandro S. Berman; Música: Max Steiner, Philip Faulkner Jr., Maurice De Packh, Arthur Knowlton, Edward B. Powell, Gene Rose, Eddie Sharpe; Coreografia: Hermes Pan, Fred Astaire; Números musicais: "No Strings I'm Fancy Free", "Isn't This a Lovely Day to Be Caught in the Rain?", "Top Hat, White Tie and Tails", "Cheek to Cheek", "The Piccolino"; Fotografia (p/b): David Abel; Montagem: William Hamilton; Direcção artística: Van Nest Polglase; Guarda-roupa: Bernard Newman; Maquilhagem: Mel Berns, Robert J. Schiffer; Assistente de realização: Argyle Nelson; Departamento de arte: Carroll Clark, Thomas Little; Som: George Marsh, Hugh McDowell Jr.; Efeitos especiais: Vernon L. Walker, Harry Redmond Jr., Harry Redmond Sr.; Copmpanhia de produção: RKO Radio Pictures; Intérpretes: Fred Astaire (Jerry Travers), Ginger Rogers (Dale Tremont), Edward Everett Horton (Horace Hardwick), Erik Rhodes (Alberto Beddini), Eric Blore (Bates), Helen Broderick (Madge Hardwick), Robert Adair, Lucille Ball, Roy Brent, Phyllis Coghlan, Gino Corrado, Tom Costello, Jack Geiger, Charlie Hall, Peter Hobbes, Ben Holmes, John Impolito, Dennis O'Keefe, etc. Duração: 101 min; Classificação etária: M/ 6 anos; Distribuição em Portugal (DVD): Costa do Castelo; Estreia em Portugal: 31 de Outubro de 1936.


FRED ASTAIRE (1899-1987)
Fred Astaire (Frederíck E. Austerlítz) nasceu em Omaha (Nebraska), a 10 de Maio de 1899. Actor norte-americano. Estuda dança e forma par com sua irmã Adela: interpretam “vaudevilles” no circo local. Estreia-se aos 11 anos em espectáculos de variedades e estuda bailado em Nova Iorque. O par realiza numerosas tournées pela província. Contratado para a Broadway em 1917. A partir de 1919 trabalha como bailarino e actor em várias peças musicais: “Lady Be Good”, “Funny Face”, “The Band Wagon”, etc. Em 1932, com o casamento da irmã, desfaz-se o par. Em 1933 estreia-se no cinema em Hollywood e começa assim uma das mais fulgurantes carreiras da história do cinema musical. Especialista do sapateado, alcançou o seu máximo esplendor quando forma par com Ginger Rogers (1934-1938). Mas continua em muito boa forma com Rita Hayworth, Vera Ellen, Cyd Charisse, etc. Depois interpreta personagens dramáticos. Era 1949 recebe um prémio especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood “pela sua contribuição para a arte da comédia musical”. Dirige nos EUA uma rede de escolas de bailado. Em 1960 publica a sua autobiografia: “Steps in Time”. Morre a 22 de Julho de 1987 (com 88 anos), e Los Angeles, Califórnia, EUA.
Pode considerar-se que ele e Gene Kelly, cada um no seu estilo, foram os maiores bailarinos de sempre na história do musical, tanto em teatro como no cinema.

Filmografia:
1933 - Dancing Lady (O Turbilhão da Dança), de R. Z. Leonard;
1933 - Flying Down to Rio (Voando para o Rio de Janeiro), de T. Freeland; (*)
1934 - The Gay Divorcee (A Alegre Divorciada), de M. Sandrich; (*)
1935 - Change of Heart (O Primeiro Amor), de G. Blysione;  (artista convidado)
1935 - Roberta (Roberta), de W. A. Seiter; (*)
1935 - Top Hat (Chapéu Alto), de R. M. Sandrich; (*)
1936 - Follow the Fleet (Siga a Marinha), de R. M. Sandrich; (*)
1936 - Swing Time (Ritmo Louco), de G. Stevens; (*)
1937 - Shall We Dance (Vamos Dançar), de M. Sandrich; (*)
1937 - A Damsel in Distress (Uma Donzela em Perigo), de G. Stevens;
1938 - Carefree (Quero Sonhar Contigo), de M. Sandrich; (*)
1939 - The Story of Vernon and Irene Castle (O Bailado da Saudade), de H. C. Potter; (*)
1940 - Broadway Melody of 1940 (Idílio Musical), de N. Taurog;
1940 - Second Chorus, de H. C. Potter;
1941 - You'll Never Get Rich (Nunca Serás Rico), de S. Lanfield;
1942 - Holiday Inn, de R. M. Sandrích;
1942 - You Were Never Lovelier (Nunca Estiveste tão Linda!), de W. A. Seiter;
1943 - The Sky's the Limit (Bailarino por Amor), de E. H. Gríffith;
1945 - Yolanda and the Thief (Yolanda e o Vigarista), de V. Minnelli;
1946 - Ziegfeld Follies (As Mil Apoteoses de Ziegfeld), de V. Minnelli;
1946 - Blue Skies (Céu Dourado), de S. Heisler;
1948 - Easter Parade, de Ch. Walters;
1949 - The Barkleys of Broadway (O Bailado do Ciúme), de Ch. Walters; (*)
1950 - Three Little Words (As Três Palavrinhas), de R. Thorpe;
1950 - Let's Dance, de N. Z.McLeod;
1951 - Royal Wedding (Casamento Real), de S. Donen;
1952 - The Belle of New York, de Ch. Walters;
1953 - The Band Wagon (A Roda da Fortuna), de V. Minnelli;
1955 - Daddy Long Legs (O Papá das Pernas Altas), de J. Negulesco;
1957 - Funny Face (Cinderela em Paris), de S. Donen;
1957 - Silk Stockings (Meias de Seda), de R. Mamoulian;
1957/1959 - General Electric Theater (TV) - Episódios “Man on a Bicycle” e “Imp on a Cobweb Leash”;
1958 - Man on a Bicycle (TV);
1958 - An Evening with Fred Astaire, de Bud Yorkin (TV);
1959 - On the Beach (A Hora Final), de S. Kramer;
1959 - Another Evening with Fred Astaire, de Bud Yorkin (TV);
1960 - Astaire Time, de Greg Garrison (TV);
1961 - The Pleasure of His Company (O Prazer da Sua Companhia), de G. Seaton;
1962 - The Notorious Landlady (A Notável Senhoria), de R.Quine;
1962 - Alcoa Premiere (TV) - Episódios “Blues for a Hanging”, “Mr. Lucifer”, “Guest in the House” e “Mr. Easy”;   
1964 - Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (TV) - Episódio “Think Pretty”;
1965 - Dr. Kildare (TV) - Episódios “Going Home”, “The Tent Dwellers”, “A Gift of Love”, “Fathers and Daughters”:
1968 - Finian's Rainbow (O Vale do Arco-Íris), de F. F. Coppola;
1968 - The Fred Astaire Show, de Robert Scheerer (TV);
1969 - Midas Run (O Golpe de Ouro), de A. Kjellin;
1969 / 1970 - It Takes a Thief (TV) - Episódios “Beyond a Treasonable Doubt”, “An Evening with Alistair Mundy”, “The Second Time Around”, “The Three Virgins of Rome” e “The Great Casino Caper”;
1970 - Santa Claus Is Comin' to Town, de Jules Bass, Arthur Rankin Jr. (TV);
1970 - The Over-the-Hill Gang Rides Again, de George McCowan (TV);
1974 - Just One More Time, de Michael J. Shapiro (documentário a acompanhar edição video de “That's Entertainment!”);
1974 - That's Entertainment!, de Jack Haley Jr. (Isto é Espectáculo) (narrador);
1974 - The Towering Inferno (A Torre do Inferno), de John Guillermin;
1975 - The Lion Roars Again (documentário a acompanhar edição video de “That's Entertainment, Parte II”);
1976 - That's Entertainment, Parte II, de Gene Kelly (Hollywood, Hollywood!) (narrador);
1976 - The Amazing Dobermans, de Byron Chudnow;
1977 - The Easter Bunny Is Comin' to Town, de Jules Bass, Arthur Rankin Jr. (TV);
1977 - The Purple Taxi (Um Táxi Cor de Malva), de Yves Boisset;
1978 - A Family Upside Down, de David Lowell Rich (TV);
1979 - The Man in the Santa Claus Suit, de Corey Allen (TV);
1979 - Battlestar Galactica (TV) - Episódio “The Man with Nine Lives”, de Rod Holcomb;
1981 - Ghost Story (Fantasma do Passado), de John Irvin;
1985 - George Stevens: A Filmmaker's Journey, de George Stevens Jr. (documentário);
(*) Filmes interpretados em dupla com Ginger Rogers

GINGER ROGERS 
(1911-1996)
Virginia Katherine McMath (Ginger Rogers) nasceu em Independence, Missouri. a 16 de Julho de 1911 e viria a falecer, aos 83 anos, no dia 25 de Abril de 1996, em Rancho Mirage, Califórnia. Foi uma das mais populares actrizes, bailarinas, cantoras do cinema e do teatro dos Estados Unidos da América, entre as décadas de 30 e 60. O nome Ginger surgiu, quando ainda miúda, através da sua prima mais nova que não conseguia dizer Virginia e reduzia para "Ginja". Quanto a Rogers, o nome vem do segundo marido da mãe, que se chamava John Rogers.
A mãe, Lela McMath, uma escritora e argumentista não muito talentosa, foi a grande impulsionadora da sua carreira, que começou aos 15 anos em espectáculos de “vaudevilles”. Depois de uma infância agitada, com os pais desavindos em constantes raptos, ora de um ora de outro, estuda em Kansas City e em Dallas e, em 1924, torna-se notada como cantora e bailarina. Em 1925 ganha um campeonato de charleston em For Worth (Texas), continuando a emparceirar a partir daí com o cómico Eddie Foy Jr. nos espectáculos de music-hall e vaudevilles (conhecidos por “Ginger & Her Redeads”).
Entre 1926 e 1927 participa na série Checker Comedies. Em 1929 canta na “Paul Âsh Orchestra” e, em 1930, apresenta-se na Broadway com a revista “Girl Crazy”, estreando-se no cinema como “mulher fatal”, em filmes policiais. Afirma-se de imediato como grande estrela musical e alcança o cume da popularidade ao lado de Fred Astaire, com quem emparceira em dez títulos. Mas a dupla maravilha funcionava sobretudo no ecrã. Fora dele, não eram o que se possa chamar amigos. “Foi divertido e era espectáculo. Mas cada um tinha a sua vida, cá fora”, explicava. Foi Oscar da Academia para Melhor Actriz, em 1941, no filme “Kitty Foyle”, de Sam Wood. Fez quase 100 filmes entre musicais, comédias e dramas. Em 1942 era a mais bem paga actriz de Hollywood. A partir de 1954 dedica-se principalmente à TV e ao teatro em comédias musicais (“Hello Dolly!”, "Babes In Arms", “Mame”, entre outras). Casou com Jack Pepper (29.III.1929 – 11.VII.1931), Lew Ayres (13.XI.1934 – 13.III.1941), Jack Briggs (16.I.1943 – 7.IX.1949), Jacques Bergerac (7.II.1953 – 7.VII.1957) e William Marshall (16.III.1961 - 1969). Todos os casamentos terminaram em divórcios. Retirada dos palcos e dos ecrãs, em 1984, escreve uma autobiografia, "Ginger, My Story", particularmente interessante. Na classificação da “The AFI 50 Greatest Screen Legends” ficou em 14º lugar.
Há uma “boutade” que lhe é atribuída que tem bastante graça. Falando dos filmes que fez com Fred Astaire: “O meu primeiro filme foi “Kitty”, todos os outros anteriores foram interpretados pela minha mãe.” Republicana, perguntaram-lhe um dia se o filme de Felline, "Fred & Ginger" não se deveria antes chamar "Ginger & Fred", ao que ela respondeu. “Este é um mundo de homens.” 

Filmografia
como actriz

1929 - A Day of a Man of Affairs, de Basil Smith (curta-metragem);
1930 - Office Blues, de Mort Blumenstock (curta-metragem);
1930 - Campus Sweethearts, de James Leo Meehan (curta-metragem);
1930 - A Night in a Dormitory, Harry Delmar (curta-metragem);
1930 - Follow the Leader, de Norman Taurog;
1930 – Queen High (A Rainha de Copas), de Fred Newmeyer;
1930 – The Sap from Syracuse (O Telhudo), de E. Sutherland;
1930 - Young Man of Manhattan (Inconstância), de M. Bell;
1931 - Suicide Fleet, de Albert S. Rogell ;
1931 - The Tip-Off, de Albert S. Rogell;
1931 - Honor among Lovers (Honra de Amantes), de D. Arzner;
1932 - You Said a Mouthful, de Lloyd Bacon;
1932 - Hat Check Girl, de S. Lanfield;
1932 - The Thirteenth Guest, de Albert Ray;
1932 - The Tenderfoot, de Ray Enright;
1932 - Carnival Boat, de Albert S. Rogell;
1933 - Flying down to Rio (Voando Para o Rio de Janeiro), de T. Freeland;
1933 - Sitting Pretty, de Harry Joe Brown;
1933 - Chance at Heaven, de William A. Seiter;
1933 - Rafter Romance, de William A. Seiter;
1933 - A Shriek in the Night, de Albert Ray;
1933 - Don't Bet on Love, de Murray Roth;
1933 - Professional Sweetheart, de W. A. Seiter;
1933 - Gold Diggers of 1933 (Orgia Dourada), de M. Le Roy;
1933 - 42nd Street (Rua 42), de Ll. Bacon;
1933 - Broadway Bad, de Sidney Lanfield;
1934 - The Gay Divorcee (A Alegre Divorciada), de M. Sandrich;
1934 - Change of Heart (O Primeiro Amor), de J. G. Blystone;
1934 - Finishing School, de George Nichols Jr. e Wanda Tuchock;
1934 - Upperworld (Um Homem de 40 Anos), de W. Dieterle;
1934 - Twenty Million Sweethearts, de Ray Enright;
1935 - In Person (Em Carne e Osso), de W. A. Seiter;
1935 - Top Hat (Chapéu Alto), de M. Sandrich;
1935 - Star of Midnight (O Sr. Sherlock e a Sr." Holmes), de S. Roberts;
1935 – Roberta (Roberta), de W. A. Seíter;
1935 - Romance in Manhattan, de Stephen Roberts;
1936 - Swing Time (Ritmo louco), de G. Stevens;
1936 - Follow the Fleet (Siga a Marinha), de M. Sandrich;
1937 - Stage Door (A Porta das Estrelas), de G. La Cava;
1937 - Shall We Dance (Vamos Dançar), de M. Sandrich;
1938 – Carefree (Ouero Sonhar Contigo), de M. Sandrich;
1938 - Having a Wonderful Time (Viva o Amor!), de A. Santell;
1938 - Vivacious Lady (Casamento em Segredo), de G. Stevens;
1939 – Fifth Avenue Girl ou 5th Ave Girl (A Rapariga da 5ª Avenida), G. La Cava;
1939 - Bachelor Mother (Mãezinha à Força), de G. Kanín;
1939 - The Story of Vernon and Irene Castle (O Bailado da Saudade), de H. C. Potter;
1940 - Kitty Foyle (Kitty - A Rapariga da Gola Branca), de S. Wood;
1940 - Lucky Partners (Sorte Grande), de L. Milestone;
1940 - Primrose Path (Sombras da Rua), de G. La Cava;
1941 - Tom, Dick and Harry (Os Amores de Joaninha), de G. Kanín;
1942 - Once Upon a Honeymoon (Lua sem Mel), de Leo MacCarey;
1942 - The Major and the Minor (A Incrível Susana), de B. Wilder;
1942 - Tales of Manhattan (Seis Destinos), de J. Duvivier;
1942 - Roxie Hart (É Bonita, Apresenla-se Bem), de W. A. Wellman);
1943 - Tender Comrade (Companheiros Adoráveis), de E. Dmytryk;
1944 - I'll Be Seeing You (Com Todo o Meu Coração), de W. Dieterle;
1944 - Lady in the Dark (A Mulher Que não Sabia Amar), de M. Leisen;
1945 - Week-End at the Waldorf, de R. Z. Leonard;
1946 - The Magnificent Doll (No Limiar da Glória), de F. Borzage;
1946 – Heartbeat (Um Coração em Perigo), de S. Wood;
1947 - It Had to Be You (Tinhas que ser Tu), de R. Maté e D. Hartman;
1949 - The Barkleys of Broadway (O Bailado do Ciúme), de Ch. Walters;
1950 - Perfect Strangers, de Bretaigne Windust;
1951 - The Groom Wore Spurs (Noivo Insuportável), de R. Whorf;
1951 - Storm Warning (Tragédia na Cidade), de S. Heísler;
1952 - Monkey Business (A Culpa Foi do Macaco), de H. Hawks;
1952 – Dreamboat (O Professor era Galã), de C. Binyon;
1952 - We're Not Married! (Não Estamos Casados), de E. Goulding;
1953 - Forever Female (Sempre Mulher), de I. Rapper;
1954 - Black Widow (A Viúva Negra), de N. Johnson;
1954 - Producers' Showcase (TV) – Episódios “Red Peppers”, “Still Life”, “Shadow Play'”
1954 – Tonight at 8:30
1954 - Beautiful Stranger (A Bela Estranha), de D. Miller;
1955 - Tight Spot (O Alvo é uma Mulher), de Ph. Karlson;
1956 - Teenage Rebel (As Filhas Revoltam-se), de E. Goulding;
1956 - The First Traveling Saleslady (A Primeira Caixeira-Viajante), de A. Lubin;
1957 - Oh, Men! Oh, Women! (Os Noivos da Minha Noiva), de N. Johnson);
1959 - Musical Playhouse (TV) – Episódio “Carissima”;
1959 - The DuPont Show with June Allyson (TV) – Episódio “The Tender Shoot”;
1960 - The Steve Allen Show (TV) - Episódio de 16 de Maio de 1960;
1960 - Zane Grey Theater (TV) – Episódio “Never Too Late”;
1963 - Vacation Playhouse (TV) – Episódio “A Love Affair Just for Three”;
1963/1964 - The Red Skelton Show (TV) – Episódios “Pop Is a Weasel”, “Come to Me, My Melon-Headed Baby”;
1964 - The Confession
1965 – Harlow, de A. Segal;
1965 – Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (TV) – Episódio “Terror Island”;
1965 - Cinderella (TV);
1979 - The Love Boat (TV) - Episódios “The Critical Success”, “The Love Lamp Is Lit”, “Take My Boy Friend”, Please”, “Rent a Family”, “Man in Her Life: Parte 1 e 2”;
1984 – Glitter (TV) - Episódio “In Tennis, Love Means Nothing”;
1987 – Hotel (TV) - Episódio “Hail and Farewell”.

OS 10 FILMES DA DUPLA FRED ASTAIRE/GINGER ROGERS

1933 – Flying Down to Rio
1934 – The Gay Divorcee
1935 – Roberta
1935 – Top Hat
1936 – Follow the Fleet
1936 – Swing Time
1937 – Shall we Dance?
1938 – Carefree
1939 – The Story of Vernon and Irene Castle
1949 – The Barkleys of Broadway


MARK SANDRICH (1901–1945)
Mark Rex Goldstein, ou Mark Sandrick, como ficou conhecido, nasceu a 26 de Outubro de 1901, em Nova Iorque, EUA, e faleceu em Hollywood, a 4 de Março de 1945. Como realizador, dirigiu cerca de oitenta títulos, muitos dos quais curtas-metragens, entre 1927 e 1934. Em 1933 estreia-se na direcção sobretudo de musicais, onde adquire um forte reputação, demonstrando sensibilidade e u apurado sentido plástico, em obras interpretadas por Fred Astaire, Ginger Rogers, Bing Crosby, Paulette Goddard, entre outros. Morreu muito novo, a meio das filmagens de “Blue Skies”, de ataque de coração.

Filmografia
(só longas metragens)

1933: Aggie Appleby Maker of Men
1933: Melody Cruise (Melodia Azul)
1934: The Gay Divorcee (A Alegre Divorciada)
1934: Cockeyed Cavaliers (Cavaleiros de Capa e Espada)
1934: Hip! Hip! Hurrah!
1935: Top Hat (Chapéu Alto)
1936: A Woman Rebels (Revoltada)
1936: Follow the Fleet (Siga a Marinha)
1937: Shall We Dance (Vamos Dançar?)
1938: Carefree (Quero Sonhar Contigo)
1939: Man About Town (Tenório à Força)
1940: Love Thy Neighbor (Ama o Teu Vizinho)
1940: Buck Benny Rides Again (Por sua Dama)
1941: Skylark (Amor ou Negócios?)
1942: Holiday Inn (15 Dias de Prazer)
1943: So Proudly We Hail! (A Legião Branca)
1944: I Love a Soldier (Eu Amo um Soldado!)
1944: Here Come the Waves (A Tentação da Sereia)
1946: Blue Skies (Céu Doirado), de Stuart Heisler (não creditado)