domingo, 2 de fevereiro de 2014

SESSÃO 19: 17 DE FEVEREIRO DE 2014


     ALMAS PERVERSAS (1945)

“Scarlet Street” pertence ao período em que Fritz Lang permaneceu em Hollywood, depois de ter emigrado da Alemanha, sob a ameaça do nacional-socialismo. Por isso se compreende que, apesar de datar de 1945, conserve muitas das características do Fritz Lang alemão, a começar desde logo pelo tema, que relembra os ambientes sórdidos e culposos de “Mabuse” ou “Matou”, para não falar de “O Anjo Azul” do seu companheiro de profissão e de exílio nos EUA, Josef Von Sternberg, onde até as personagens centrais se confundem: de um lado um circunspecto e puritano professor desencaminhado por uma cantora de cabaret que faz dele o palhaço do circo;  do outro, um honestíssimo e fiel contabilista que uma outra mulher fatal, desta feita uma dengosa jovem de vida fácil com sonhos de grandeza, o leva a cometer todas as vilanias em nome de uma paixão não correspondida. Mas há muito mais dessa tradição germânica, a que Fritz Lang não gosta de chamar expressionista, apesar de o ser: os enquadramentos, a iluminação, a escolha dos cenários, a preponderância das escadas, e tantos outros elementos. Há uma sequência, no interior de um hotel, com as luzes do néon exterior a repercutir-se no interior, que nos lança directamente nos filmes mais alemães do autor, onde muitas vezes as lâmpadas pendentes do tecto oscilam, introduzindo um clima de inquietação profunda e de nítida perturbação.
Em 1944, Lang tinha rodado “The Woman in The Window” (Suprema Decisão), com Edward G. Robinson, Joan Bennett e Dan Duryea, e o filme tinha funcionado muito bem. No ano seguinte, ele e os produtores procuraram reeditar o sucesso, com o mesmo elenco, uma história algo semelhante, onde se continuam a projectar as obsessões e fantasmas do autor, em “Scarlet Street” (Almas Perversas), mas agora com uma maior intencionalidade e um pessimismo mais acentuado. Enquanto, no filme anterior, Edward G. Robinson acordava no final de um mero pesadelo, em “Scarlet Street” o pesadelo vai até ao fim.

Christopher Cross (Edward G. Robinson), empregado de contabilidade de uma empresa, com trinta anos de leais serviços, é homenageado num jantar, durante o qual o patrão lhe oferta um belo relógio e os colegas o mimam de várias formas. Nas horas vagas, Chris pinta, quando a mulher, possessiva e prepotente, lho permite. Ele seria um homem feliz, se o amor o tocasse, um amor como aquele que ele espreita através da janela, quando o patrão sai mais cedo do jantar para entrar no carro onde uma bela e vaporosa loira o aguarda.
Uma noite, porém, quando vagueia sozinho pelas ruas mal iluminadas, assiste ao espancamento de uma bela loura. Sem pensar duas vezes, investe de guarda-chuva em punho e consegue salvar a rapariga do presumível assaltante. Ela chama-se Kitty March (Joan Bennett), espreguiça o seu doce fare niente na companhia de um gigolô violento, Johnny Prince (Dan Duryea), e ambos resolvem manipular o incauto e apaixonado sonhador, que tomam por um pintor de valiosa obra que pode render bons dólares no mercado de arte.

Começámos por afirmar: tudo é sórdido neste ambiente depressivo e criminoso, com excepção do ingénuo pintor naif, que o não é só nas suas telas. Ele será arrastado num turbilhão de emoções extremas, para as quais não estava preparado, e que o precipitará, de degrau em degrau, na mais completa ignominia. Mas, para tudo ser ainda mais perturbador, a justiça faz-se por portas travessas, num universo a rondar a loucura colectiva, o que é outro dos temas chaves da obra deste cineasta genial que transformava cada filme em que tocava numa obra de uma invulgar densidade e negrume.
As interpretações são brilhantes, sobretudo a de Edward G. Robinson, num dos mais conturbados papéis da sua carreira, a fotografia de Milton R. Krasner ajuda a criar o clima pretendido com enorme eficácia, a música de Hans J. Salter joga admiravelmente com a duplicidade do enquadramento emocional, entre a romantismo a que se suspira, e o trágico da existência. A canção “My Melancholy Baby” enquadra-se na perfeição nesta atmosfera pesada e dolorosamente nostálgica. O “filme negro”, que aparece na América certamente muito por influência dos cineastas alemães e austríacos que ali se recolhem como fugitivos de Hitler, tem aqui um dos seus momentos maiores.

ALMAS PERVERSAS
Título original: Scarlet Street
Realização: Fritz Lang (EUA, 1945); Argumento: Dudley Nichols, segundo romance e peça teatral de Georges de La Fouchardière e André Mouézy-Éon ("La Chienne"); Produção: Fritz Lang, Walter Wanger; Música: Hans J. Salter; Fotografia (p/b): Milton R. Krasner; Montagem: Arthur Hilton; Direcção artística: Alexander Golitzen; Decoração: Russell A. Gausman, Carl J. Lawrence; Guarda-roupa: Travis Banton; Maquilhagem: Carmen Dirigo, Jack P. Pierce; Assistentes de realização: Melville Shyer; Departamento de arte: John Decker; Som: Glenn E. Anderson, Bernard B. Brown; Efeitos visuais: John P. Fulton; Companhias de produção: A Fritz Lang Production, A Diana Production; Intérpretes: Edward G. Robinson (Christopher Cross), Joan Bennett (Katharine 'Kitty' March), Dan Duryea (Johnny Prince), Margaret Lindsay (Millie Ray), Rosalind Ivan (Adele Cross), Jess Barker (David Janeway), Charles Kemper, Anita Sharp-Bolster, Samuel S. Hinds, Vladimir Sokoloff, Arthur Loft, Russell Hicks, etc. Duração: 103 minutos; Distribuição em Portugal: Cine Digital (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos. Estreia em Portugal: 6 de Março de 1947.

FRITZ LANG (1890-1976)
Friedrich Anton Christian Lang, ou simplesmente Fritz Lang como ficou conhecido, nasceu a 5 de Dezembro de 1890, em Viena, Áustria, e viria a falecer, Los Angeles, EUA, a 2 de Agosto de 1976, com 85 anos. Foi casado com Lisa Rosenthal (1919-1921), Thea von Harbou (1922 - 1933) e Lily Latté (1971 - 1976). Filho de um engenheiro civil, carreira que o pai queria que ele seguisse, estudou piintura e escultura em Munique, desde 1911. Viajou pela África do Norte, Próximo Oriente, China, Japão, e o seu gosto pelo exotismo ficou bem patente da sua obra cinematográfica. De novo na Alemanha foi incorporado nas forças armadas, durante a I Guerra Mundial, sendo gravemente ferido, perdendo um olho. Foi um dos grandes cineastas que se identificavam pela pala preta a cobrir um dos olhos. Em convalescença no hospital, começou a escrever argumentos para Joe May que se notabilizaram pela sua imaginação e forte poder gráfico. Quando saiu do hospital foi convidado a realizar, numa época de forte criatividade e originalidade. No Berlim do pós-guerra, a agitação cultural e artística era muita acompanhando a conflitualidade política e social. Em 1919, estreia-se com “Halbblut”, de que se desconhecem cópias. Em 1921 casou-se, em segundas núpcias, com a argumentista Thea Von Harbou, que vai escrever com ele muitos dos seus filmes do período alemão, quase todos ekles associados ao expressionismo, por muito que o seu autor se procurasse distanciar do movimento. “Der Müde Tod” (1921), “Dr. Mabuse, der Spieler” (1922), “Die Nibelungen” (1924), “Metropolis” (1927), “Spione2 (1928) e finalmente “M” (1931) são obras absolutamente notáveis.
Quando o partido nacional-socialista ascende ao poder, Adolf Hitler, que tinha o cinema em alta consideração, como veiculo de propaganda, através do Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, convida Lang e Thea para dirigirem a produção alemã e realizarem filmes para o Partido Nazista. Thea aceita o convite, Lang, pelo seu lado, refugia-se em Paris, onde chegou a produzir filmes antinazis e, em 1934, já divorciado de Thea, emigra para os EUA. A crítica que o idolatrava, acusou-o então de se ter vendido ao comércio e desvalorizou quase todas as obras realizadas na América. Só muito mais tarde lhe foi feita justiça, tendo influenciado de maneira decisiva gerações de cineastas, como o comprovam  declarações de Alfred Hitchcock, Luis Buñuel ou Orson Welles. “Fury” (1936), “You Only Live Once” (1937), “Man Hunt” (1941), “Hangmen Also Die” (1943), “Ministry of Fear” (1944), “Scarlet Street”, “The Woman in the Window” (ambos de 1945), “Rancho Notorious” (1952), “Moonfleet” (1955), “The Big Heat” (1953), “While the City Sleeps” e 2Beyond a Reasonable Doubt” (ambos de 1956) são obras de uma relevância invulgar, quer como testemunho de um tempo, quer como reflexão do próprio cinema. Só no final dos anos 50 regressa à Alemanha, onde ainda roda três filmes, antes de se retirar. Apareceu, em 1963, como actor, num filme de Jean-Luc Godard. “O Desprezo”, uma forma da geração da “nouvelle vague” lhe prestar homenagem. Voltaria então a Hollywood, onde iria falecer.

FILMOGRAFIA
Como realizador

1917 - Die Peitsche                           
1917 - Die Hochzeit im Excentricclub                                               
1917 - Hilde Warren und Der Tod                                                                
1918 - Lilith Und Ly                                                  
1919 - Die Rache Ist Mein                                                     
1919 - Halbblut                                             
1919 - Bettler Gmbh                                                             
1919 - Der Herr der Liebe                                        
1919 - Wolkenblau und Flimmerstern                                                          
1919 - Die Frau Mit den Orchideen                                      
1919 - Totentanz                                                      
1919 - Die Pest in Florenz                                                    
1919 - Die Spinnen, 1. Teil - Der Goldene See                                                        
1919 - Harakiri                                                          
1920 - Die Herrin der Welt 8. Teil - Die Rache der Maud Fergusson (As Aranhas, parte 1 - O Lago Dourado)           
1920 - Die Spinnen, 2. Teil - Das Brillantenschiff      (As Aranhas, parte 2 - O Barco dos Brilhantes)
1920 - Das Wandernde Bild                           
1921 - Das Indische Grabmal                         
1921 - Vier um Die Frau                    
1921 - Der Müde Tod (A Morte Cansada ou As Três Luzes)               
1922 - Dr. Mabuse, Der Spieler (Dr. Mabuse, O Jogador)                                         
1924 - Die Nibelungen: Kriemhilds Rache (Os Nibelungos - A Vingança de Kriemhilds)
1924 - Die Nibelungen: Siegfried (Os Nibelungos - A Morte de Siegfried)
1927 - Metropolis (Metropolis)                      
1928 - Spione (Os Espiões)                            
1929 - Frau Im Mond (A Mulher na Lua)                                            
1931 - M (M - Matou)                          
1933 - Das Testament des Dr. Mabuse (O Testamento do Dr. Mabuse)
1934 - Liliom (Coração de Apache)                            
1936 - Fury (Fúria)                            
1937 - You Only Live Once (Só Vivemos Uma Vez)                                        
1938 - You and Me                                        
1940 - The Return Of Frank James (A Volta de Frank James)                                  
1941 - Western Union (Os Conquistadores)                                      
1941 - Man Hunt (O Homem Que Quis Matar Hitler)                                      
1942 - Moontide                                                        
1943 - Hangmen Also Die! (Os Carrascos Também Morrem)                          
1944 - Ministry Of Fear (Feras Humanas)                                                                 
1944 - The Woman in The Window (Suprema Decisão)                                             
1945 - Scarlet Street (Almas Perversas)                                           
1946 - Cloak and Dagger                                                                   
1948 - Secret Beyond the Door (O Segredo da Porta Fechada)                                
1950 - House by the River (A Casa à Beira do Rio)                                                   
1950 - American Guerrilla in The Philippines                                              
1952 - Rancho Notorious (O Rancho das Paixões)                                         
1952 - Clash by Night (Conflito Nocturno)                                         
1953 - The Blue Gardenia                                                     
1953 - The Big Heat (Corrupção)                                                      
1954 - Human Desire (Desejo Humano)                                                        
1955 - Moonfleet (O Tesouro do Barba Ruiva)                                                          
1956 - While the City Sleeps (Cidade das Trevas)                                        
1956 - Beyond a Reasonable Doubt (A Verdade e o Medo)
1959 - Journey to the Lost City                     
1959 - Der Tiger Von Eschnapur (O Tigre de Eschnapur)                             
1959 - Das Indische Grabmal (O Túmulo Índio)                                             
1960 - Die Tausend Augen des Dr. Mabuse (O Diabólico Dr Mabuse)            

EDWARD G. ROBINSON 
(1893-1973)
Edward G. Robinson (de nome próprio Emmanuel Goldenberg) nasceu em Bucareste, na Roménia, a 12 de Dezembro de 1893, e viria a falecer em Hollywood, Califórnia, EUA, a 26 de Janeiro de 1973, com 79 anos, vítima de cancro. Encontra-se sepultado em Beth El Cemetery, Ridgewood, Condado de Queens, Nova Iorque, EUA.
Quando era ainda muito novo, os pais emigraram para os EUA (1903). Estudou na Townsend Harris High School e no City College, depois na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Foi bolseiro da American Academy of Dramatic Arts onde adoptou o nome por que ficou conhecido, Edward G. Robinson (o G. refere o seu nome familiar, Goldenberg). Iniciou a sua actividade como actor no teatro, e pouco tempo depois estreava-se no cinema em pequenos papéis. Em 1931, em “Little Caesar” (O Pequeno César), de Mervyn LeRoy, impunha-se definitivamente como protagonista, Caesar Enrico "Rico" Bandello, um papel de gangster que marcaria a sua carreira para sempre. Em 1949, no Festival de Cannes era consagrado como Melhor Actor em House of Strangers”, ao lado de Susan Hayward, sob a direcção de Joseph L. Mankiewicz. Mas a sua filmografia encerra dezenas de fabulosas interpretações de um actor de grande cultura e talento, elegante e fino no desempenho, o que lhe permitiu ser incluído na lista dos 25 maiores actores de sempre do cinema americano (AFI). Trabalhou com alguns dos maiores cineastas norte-americanos e mundiais.
Foi sempre um combatente destemido do fascismo e do nazismo, assinando a "Declaration of Democratic Independence" que propunha o boicote aos produtos da Alemanha nazi. Chamado a depor perante a House Un-American Activities Committee (HUAC), refutou as ideias comunistas, mas não acusou ninguém e foi por isso colocado numa lista negra, o que o levou a um período de certo apagamento, apenas interrompido pela aparição em obras menores. Seria Cecil B. DE Mille a recuperá-lo, em 1956, oferecendo-lhe um bom papel em “The Ten Commandments”. Chegou a estar pensado para protagonista de “The Godfather” (1972), de Francis Ford Coppola que acabou por se decidir por Marlon Brando. O seu último grande filme foi “Soylent Green” (1973), de Richard Fleischer, onde interpreta uma cena de eutanásia, ao lado do seu amigo Charlton Heston, que o sabe no período final de um cancro, e solta genuínas lágrimas, visíveis nessa sequência. Robinson iria falecer alguns dias depois. Casado com a actriz Gladys Lloyd (1927–1956) e a designer de moda Jane Robinson (1958–1973).
Falava sete línguas e tinha uma magnífica colecção de arte. Democrata e liberal, acompanhou convenções democráticas, como a 1960. A sua personalidade e os seus papéis influenciaram muitos filmes e justificaram diversas homenagens. Apenas ganhou um Oscar de carreira, em 1973, pelo seu trabalho “como grande actor, patrono das artes e dedicado cidadão, em suma um homem do Renascimento”. Morreu dois meses antes de receber o Oscar que já lhe estava destinado.

Filmografia
1916: Arms and the Woman, de George Fitzmaurice.
1923: The Bright Shawl, de John S. Robertson.
1929: The Hole in the Wall, de Robert Florey
1930: A Lady to Love, de Victor Sjöström
1930: Die Sehnsucht jeder Frau
1930: Outside the Law, de Tod Browning
1930: Night Ride, de John S. Robertson
1930: East Is West, de Monta Bell
1930: The Widow from Chicago, de Edward F. Cline
1930: Warner Bros. Jubilee Dinner (curta-metragem)
1931: How I Play Golf by Bobby Jones No. 10: Trouble Shots (curta-metragem)
1931: The Slippery Pearls (curta-metragem)
1931: Little Caesar (O Pequeno César), de Mervyn LeRoy
1931: The Stolen Jools, de William C. McGann (curta-metragem)
1931: Smart Money, de Alfred E. Green
1931: Five Star Final, de Mervyn LeRoy
1932: The Hatchet Man, de William A. Wellman
1932: Tiger Shark (O Tigre dos Mares), de Howard Hawks
1932: Two Seconds (Dois Segundos de Vida), de Mervyn LeRoy
1932: Silver Dollar, de Alfred E. Green
1933: The Little Giant (O Pequeno Gigante), de Roy Del Ruth
1933: I Loved a Woman, de Alfred E. Green
1934: Dark Hazard, de Alfred E. Green
1934: The Man with Two Faces (O Homem de Duas Caras), de Archie Mayo
1935: Barbary Coast (Cidade Sem Lei), de Howard Hawks e William Wyler
1935: The Whole Town's Talking (Não Se Fala Noutra Coisa), de John Ford
1936: Bullets or Ballots (Guerra ao Crime), de William Keighley
1937: Kid Galahad (O Mais Forte), de Michael Curtiz
1937: The Last Gangster (O Último Gangster), de Edward Ludwig
1937: Thunder in the City (Pânico na Bolsa), de Marion Gering
1938: A Slight Case of Murder (Um Crime sem Importância), de Lloyd Bacon
1938: The Amazing Dr. Clitterhouse (O Génio do Crime), de Anatole Litvak
1938: I Am the Law (Derrocada do Crime), de Alexander Hall
1939: Confessions of a Nazi Spy (Confissão de Um Espião Nazi), de Anatole Litvak
1939: Blackmail (Expiação sem Crime), de H.C. Potter
1939: Verdensberomtheder i Kobenhavn (documentário)
1939: A Day at Santa Anita (curta-metragem)
1940: Brother Orchid (Orquídea Brava), de Lloyd Bacon
1940: Dr. Ehrlich's Magic Bullet (A Ampola Miraculosa), de William Dieterle
1940: A Dispatch from Reuters (Um Comunicado da Reuter), de William Dieterle
1941: The Sea Wolf (O Lobo do Mar), de Michael Curtiz
1941: Manpower (Discórdia), de Raoul Walsh
1941: Unholy Partners, de Mervyn LeRoy
1941: Larceny, Inc. (Não Vale a Pena Roubar), de Lloyd Bacon
1941: Destroyer, de William A. Seiter
1941: Polo with the Stars (curta-metragem)
1942: Tales of Manhattan (Seis Destinos), de Julien Duvivier
1942: Moscow Strikes Back (documentário) (narrador)
1943: Magic Bullets (narrador)
1943: Flesh and Fantasy (Os Mistérios da Vida), de Julien Duvivier
1944: Tampico (Um Perigo em Cada Porto), de Lothar Mendes
1944: Mr. Winkle Goes to War (A Sua Grande Ambição), de Alfred E. Green
1944: The Woman in the Window (Suprema Decisão), de Fritz Lang
1944: Double Indemnity (Pagos a Dobrar), de Billy Wilder
1945: Scarlet Street (Almas Perversas), de Fritz Lang
1945: Our Vines Have Tender Grapes (Ternura), de Roy Rowland
1945: Journey Together (Jornada Heróica), de John Boulting
1946: The Stranger (O Estrangeiro), de Orson Welles
1946: American Creed (curta-metragem)
1947: The Red House (A Casa Vermelha), de Delmer Daves
1948: Night Has a Thousand Eyes (A Noite Tem Mil Olhos), de John Farrow
1948: Key Largo (Paixões em Fúria), de John Huston
1948: All My Sons (A Sombra do Passado), de Irving Reis
1949: House of the Stangers (Sangue do Meu Sangue), de Joseph L. Mankiewicz
1949: It's a Great Feeling, de David Butler
1950: My Daughter Joy (A Minha Filha Joy), de Gregory Ratoff
1952: Actor's Blood (episódio de Actor's and Sin), de Ben Hecht e Lee Garmes
1953: Vince Squad (A Rapariga do Quarto 17), de Arnold Laven
1953: The Big Leaguer, de Robert Aldrich
1953: Lux Video Theatre (série de TV) - episódio Witness for the Prosecution 
1954: Black Tuesday (Terça Feira Negra), de Hugo Fregonese
1954: The Glass Web (A Teia de Cristal), de Jack Arnold
1954: For the Defense (teledramático)
1954: Climax! (série de TV) – episódio Epitaph for a Spy
1955: The Ford Television Theatre (série de TV) – episódios A Set of Values e ..... and Son
1955: The Violent Men (Homens Violentos), de Rudolph Maté
1955: Tight Spot (O Alvo é Uma Mulher), de Phil Karlson
1955: A Bullet for Joey, de Lewis Allen
1955: Illegal (O Grande Erro), de Lewis Allen
1955: Hell on Frisco Bay (Inferno em São Francisco), de Frank Tuttle
1955: Celebrity Playhouse (série de TV) – episódio For the Defense 
1956: Nightmare (Dez Dias de Pesadelo), de Maxwell Shane
1956: The Ten Commandments (Os Dez Mandamentos), de Cecil B. DeMille
1957: The Heart of Show Business (curta-metragem) narrador
1958: Playhouse 90 (série de TV) - episódio Shadows Tremble 
1959: A Hole in the Head, de Frank Capra
1959: Zane Grey Theater (série de TV) - episódio Heritage 
1959: Goodyear Theatre (série de TV) - episódio A Good Name
1960: Seven Thieves (Os Sete Ladrões da Cidade), de Henry Hathaway
1960: Pepe (Pepe), de George Sidney
1960: Sunday Showcase (série de TV) - episódio The Devil and Daniel Webster
1960: Courageous Cat and Minute Mouse (série de TV) - episódio Frog
1961: The Detectives (série de TV) - episódio The Legend of Jim Riva 
1961: General Electric Theater (série de TV) - episódio The Drop-Out 
1962: Two Weeks in Another Town (Duas Semanas Noutra Cidade), de Vincente Minnelli
1962: My Geisha, de Jack Cardiff
1962: The DuPont Show of the Week (série de TV) - episódio Cops and Robbers Narrator
1963: Sammy Going South, de Alexander Mackendrick
1963: The Prize (O Prémio), de Mark Robson
1964: Good Neighbor Sam (Empresta-me o Teu Marido), de David Swift
1964; The Outrage (Ultrage), de Martin Ritt
1964: Cheyenne Autumn (O Grande Combate), de John Ford
1965: The Cincinnati Kid (O Aventureiro de Cincinnati), de Norman Jewison
1965: Who Has Seen the Wind? (teledramático)
1967: Ad ogni costo, de Giuliano Montaldo
1967: All About People, de Saul Rubin (curta-metragem) narrador
1967: La blonde de Pékin, de Nicolas Gessner
1968: The Biggest Bundle of Them All (A Maior Bolada do Mundo), de Ken Annakin
1968: It's Your Move, de Roberto Fizz
1968: Never a Dull Moment, de Jerry Paris
1968: Operazione San Pietro, de Lucio Fulci
1969: Mackenna's Gold (O Ouro de Mackenna), de Jack Lee Thompson
1969: The Name of the Game (série de TV) - episódio Laurie Marie 
1969: Medical Center (série de TV) - episódio U.M.C. 
1969-1970: Bracken's World (série de TV) - episódio The Mary Tree / Panic
1970: The Silent Force (série de TV) - episódio The Courier
1970: The Old Man Who Cried Wolf (teledramático)
1970: Song of Norway (A Canção da Noruega), de Andrew L. Stone
1971: Night Gallery (série de TV) - episódios The Messiah on Mott Street e The Painted Mirror 
1971: Mooch Goes to Hollywood (Cameo)
1972: Lo B'Yom V'Lo B'Layla, de Steven Hilliard Stern
1972: Neither by Day Nor by Night
1973: Soylent Green (À Beira do Fim), de Richard Fleischer 

SESSÃO 18: 10 DE FEVEREIRO DE 2014


TER OU NÃO TER (1944)

“Ter ou Não Ter” reúne um conjunto de elementos fabulosos que fazem com que este seja um dos grandes clássicos do cinema norte-americano da década de 40, um dos filmes míticos de um dos maiores cineastas de toda a história do cinema, uma das obras mais fascinantes de Bogart, mas não só.
Como sempre, o acaso ajudaria à festa: foi durante a preparação de “To Have and Have Not” que Humphrey Bogart, então no auge da sua carreira, encontraria a estreante Lauren Bacall, surgindo entre os dois uma fulgurante história de amor que se reflecte no próprio filme, inundando-o de paixão e de um erotismo envolvente.
A história prolonga de certa forma os contornos de “Casablanca”, filme rodado três anos antes e que tivera um sucesso público que obrigara a várias tentativas de o repetir. “Passagem para Marselha”, de 1944, que reunira quase toda a equipa de “Casablanca”, fora uma delas. Com muito melhores resultados, e sem procurar repetir a fórmula, mas inspirando-se obviamente nela, “Ter ou Não Ter”, de 1944, resultou em cheio. Até porque tudo se adaptava admiravelmente à personalidade e ao estilo criado e desenvolvido por Bogart, a partir do momento em que se impôs como actor principal da Warner Brothers.

Atente-se em como o esquema é semelhante ao de “Casablanca”: Harry Morgan, personagem interpretado por Bogart, vive na Martinica e tem uma pequena embarcação. Estamos em plena II Guerra Mundial, verão de 1940, a França acabara de se render aos nazis, e, um dia, o dono do hotel local tenta convencer Harry a alugar o seu barco a um elemento importante da resistência francesa. Mas Harry quer manter-se distante da política e recusa a cedência. É então que surge uma jovem americana que se atravessa na história, numa altura em que o resistente francês é descoberto e ferido. E a bela Lauren Bacall acaba com a neutralidade de um duro, cujo passado terá certamente muito para contar, levando-o a intervir deliberadamente na História...
Entre “Casablanca” e “To Have and Have Not” existe um oceano de semelhanças: ambientes exóticos, a II Guerra Mundial como pano de fundo, em território francês ocupado, um bar e um pianista, um herói retirado da luta, e algo cínico quanto à possibilidade de uma acção individual, uma casal de resistentes em dificuldades, e muitos actores e situações que passam de uma obra para a outra. Afortunadamente, o charme e a sedução mantêm-se inalteráveis.

Admiravelmente contado pela câmara de Howard Hawks, com uma notável economia de meios, “Ter ou Não Ter” parte de uma obra de Ernest Hemingway, adaptada ao cinema por William Faulkner e Jules Furthman. Parece que a adaptação resultou de uma feliz aposta: Hawks jurou que era capaz de fazer um bom filme do pior romance de Hemingway. Jurou e cumpriu. A escrita concreta e sucinta de ambos, o estilo discreto e eficaz de Howard Hawks, a representação sóbria, mas irónica e distanciada dos actores, tudo isto faz de “To Have or Have Not” um clássico imprescindível. A fotografia de Sidney Hickox, num majestoso preto e branco que sublinha admiravelmente a fotogenia dos actores, é um ponto a ter em conta. Mas a beleza estonteante dessa caloira Bacall não pode ser distanciada deste sucesso, nem a exuberante faísca que salta do encontro dela com Bogey. Depois de “Ter ou Não Ter”, assobiar nunca voltaria a ser o mesmo e todos os homens anseiam por uma mulher que pergunte se “alguém tem um fósforo”, mesmo em período de proibição.
Finalmente, fica uma dúvida: “Nunca foste mordido por uma abelha morta?”

TER OU NÃO TER
Título original: To Have and Have Not
Realização: Howard Hawks (EUA, 1944); Argumento: Jules Furthman, William Faulkner, (Cleve F. Adams, Whitman Chambers), segundo romance de Ernest Hemingway; Produção: Howard Hawks, Jack L. Warner; Música: William Lava, Franz Waxman; Fotografia (p/b): Sidney Hickox; Montagem: Christian Nyby; Direcção artística: Charles Novi; Decoração: Casey Roberts; Guarda-roupa: Milo Anderson; Maquilhagem: Perc Westmore, Joe Stinton, Edith Westmore; Direcção de produção: Chuck Hansen, Eric Stacey; Assistentes de realização: David Klegman, Russell Llewellyn, Don Siegel, Jack Sullivan, Robert Vreeland; Departamento de arte: John More; Som: Oliver S. Garretson; Efeitos especiais: Roy Davidson, Rex Wimpy; Efeitos visuais: Paul Detlefsen; Companhias de produção: Warner Bros.-First National Pictures; Intérpretes: Humphrey Bogart (Harry 'Steve' Morgan), Walter Brennan (Eddie), Lauren Bacall (Marie 'Slim' Browning), Dolores Moran (Mme. Hellene de Bursac), Hoagy Carmichael (Cricket), Sheldon Leonard (Coyo), Walter Szurovy (Paul de Bursac), Marcel Dalio (Gerard / Frenchy), Walter Sande, Dan Seymour, etc. Duração: 100 minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros. (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos..

HOWARD HAWKS (1896 – 1977)
Howard Winchester Hawks nasceu em Goshen, Indiana, EUA, a 30 de Maio de 1896 e viria a falecer em Palm Springs, Califórnia, EUA, 26 de Dezembro de 1977, vítima de uma aparatosa queda em sua casa.
Antes de se estrear como realizador, em 1927, desempenhou diversas profissões. Foi motorista de caminhão, piloto, ascensorista, depois, já dentro do ramo do cinema, foi montador e argumentista. Como director, de um classicismo formal inimitável, passou por quase todos os géneros, sempre com igual competência e eficácia, e um talento, uma sensibilidade e uma ironia fora de comum. “Fizeram-me Passar por Mulher”, “Scarface, o Homem da Cicatriz”, “Século XX”, “Duas Feras”, “Paraíso Infernal”, “O Grande Escândalo”, “Sargento York”, “Bola de Fogo”, “Águias Americanas”, “Ter ou Não Ter”, “À Beira do Abismo”, “O Rio Vermelho”, “Rio Bravo”, “Eldorado” ou “Rio Lobo” são obras marcantes na sua filmografia de 42 títulos, alguns dos quais terminados por outros. Casado com Ella Rice (1925 - 1929) e Jean Peters (1957 - 1971).

Filmografia: 
1926: The Road to Glory
1926: Fig Leaves (A Tentação de Eva)
1927: The Cradle Snatchers
1927: Paid To Love (O Príncipe que Nunca Amou)
1928: Fazil (O Príncipe Fazil)
1928: A Girl in Every Port (Uma Rapariga em Cada Porto)
1928: The Air Circus
1929: Trent's Last Case
1930: The Dawn Patrol (A Patrulha da Alvorada)
1931: The Criminal Code (não creditado)   
1931: Scarface / Scarface, Shame of the Nation (Scarface, O Homem da Cicatriz) 
1932: The Crowd Roars (Herois da Pista)
1932: Tiger Shark (O Tigre dos Mares)
1932: La Foule Hurle
1933: Today We Life (A Vida É o Dia de Hoje)
1933: The Prizefighter and the Lady (As Mulheres e o Ídolo) (não creditado)   
1934: Viva Villa! (Viva Villa!) (não creditado)
1934: Twentieth Century (Século Xx)
1935: Barbary Coast (A Cidade sem Lei)
1936: Ceiling Zero (Entre Núvens)
1936: The Road to Glory (A Grande Ofensiva)
1936: Come and Get It (Pai Contra Filhos)
1938: Bringing Up Baby (Duas Feras)
1938: Only Angels Have Wings (Paraíso Inferno)
1940: His Girl Friday (O Grande Escândalo) 
1940/43: The Outlaw (A Terra dos Homens Perdidos)
1941: Sergeant York (Sargento York)
1941: Ball of Fire (Bola de Fogo)
1943: Air Force (Águias Americanas)
1943: The Outlaw (A Terra dos Homens Perdidos) (não creditado)
1943: Corvette K-225 (Corveta -225) (não creditado)
1944: To Have and Have Not (Ter ou Não Ter)
1946: The Big Sleep (À Big Sleep)
1948: Red River (Rio Vermelho)
1948: A Song Is Born (O Professor de Música)
1949: I Was a Male War Bride (Fizeram-me Passar por Mulher)
1951: The Thing (From Another World) (A Ameaça) (não creditado)
1952: The Big Sky (Céu Aberto)
1952: Monkey Business (A Culpa Foi do Macaco)
1952: O'Henry's Full House (Páginas da Vida) / Episódio The Ransom of Red  Chief
1953: Gentlemen Prefer Blodes (Os Homens Preferem as Loiras)
1955: Land of the Pharaohs (A Terra dos Faráos)
1959: Rio Bravo (Rio Bravo)
1962: Hatari! (Hatari!)
1964: Man's Favorite Sport? (O Desporto Favorito dos Homens)
1965: Red Line 7000 (Traço Vermelha 7000)
1966: El Dorado (El Dorado)
1970: Rio Lobo (Rio Lobo)

LAUREN BACALL (1924 - )
Lauren Bacall, de seu nome verdadeiro Betty Joan Perske, nasceu a 16 de Setembro de 1924, na cidade de Nova Iorque, EUA. Oriunda de uma família de judeus, o pai, William Perske, nascido na Polónia, a mãe, Natalie Weinstein Bacal, na Roménia, a jovem Betty teve uma infância discreta, nos bairros de Nova Iorque, onde o pai era vendedor e a mãe secretária. Com seis anos de idade o divórcio do casal leva-a ficar com a mãe. Estudou dança, foi modelo, chegou a ter aulas na Academia Americana de Artes Dramáticas e iniciou-se no teatro, na Broadway, em 1942, como o nome de Betty Bacall, na peça “Johnny Two By Four”. Uma foto sua, aparecida no “Harper's Bazaar”, interessou Slim Keith, mulher de Howard Hawks, que a mostrou ao cineasta, na altura em que este procurava actriz para o seu novo projecto, “Ter ou Não Ter”. Este convidou-a a fazer um teste em Hollywood, quando ela contava apenas 17 anos. Foi aceite, passou a usar Lauren como nome próprio, e foi baptizada por Hawks com o diminutivo de "Slim", que a torna célebre no seu filme de estreia. Hawks ensinou-a ainda a tirar partido do seu rosto e cabelo, o que permitiu criar o chamado “look” de Bacall que não mais a deixaria. Bogart, então casado com Mayo Methot, não resistiu ao pedido de lume de Bacall e pouco depois assobiava-lhe para sempre. Formaram um dos casais mais sedutores de Hollywood, depois de casados. Depois do seu brilhante trabalho em “To Have and Have Not” (1944), surgiram ambos em “The Big Sleep” (1946), “Dark Passage” (1947) e “Key Largo” (1948), outros sucessos retumbantes. Iniciava-se assim uma carreira notável, no cinema, no teatro e na televisão. Os prémios e honrarias multiplicaram-se: em 1970, “Tony” para Melhor Actriz em “Applause”, e, em 1981, para “Woman of the Year”. Em 1997, em “The Mirror Has Two Faces”, de Barbra Streisand, ganhou um Globo de Ouro e um SAG e foi ainda nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. Em 1993, conquistou um Globo de Ouro honorífico, pelo conjunto da sua obra, bem assim como um Oscar, em 2009. Escreveu “By Myself” (1978), Prémio Nacional para o Melhor Livro de Não-Ficção, “Now” (1994) e “By Myself and Then Some” (2004).

Filmografia
1944: To Have and Have Not (Ter ou não Ter), de Howard Hawks
1945: Confidential Agent, de Herman Shumlin
1946: The Big Sleep (À Beira do Abismo), de Howard Hawks
1947: Dark Passage (O Prisioneiro do Passado), de Delmer Daves
1948: Key Largo (Paixões em Fúria), de John Huston
1950: Young Man with a Horn (Duas Mulheres e Dois Destinos), de Michael Curtiz
1950: Bright Leaf (Fumos da Ambição), de Michael Curtiz
1953: How to Marry a Millionaire (Como Se Conquista Um Milionário), de Jean Negulesco
1954: Woman's World (O Mundo é das Mulheres), de Jean Negulesco
1955: The Cobweb (Paixões Sem Freio), de Vincente Minnelli
1955: Blood Alley (Aldeia em Fuga), de William A. Wellman
1955: Producers' Showcase (série de TV) – episódio The Petrified Forest
1956: Patterns (Os Gigantes Dominam), de Fielder Cook
1956: Written on the Wind (Escrito no Vento), de Douglas Sirk
1956: Blithe Spirit (teledramático)
1956: Ford Star Jubilee (série de TV) – episódio Blithe Spirit
1957: Designing Woman (A Mulher Modelo), de Vincente Minnelli
1958: The Gift of Love, de Jean Negulesco
1959: North West Frontier (Sangue Sobre a Índia), de J. Lee Thompson
1963: The DuPont Show of the Week (série de TV) – episódio A Dozen Deadly Roses
1963: Dr. Kildare (série de TV) – episódio The Oracle
1964: Shock Treatment, de Denis Sanders
1964: Sex and the Single Girl (A Solteira e o Atrevido), de Richard Quine
1964: Mr. Broadway (série de TV) – episódios Something to Sing About e Take a Walk Through a Cemetery
1965: Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (série de TV) – episódio Double Jeopardy
1966: Harper (Harper, Detective Privado), de Jack Smight
1973: Applause (teledramático)
1974: Murder on the Orient-Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet
1976: The Shootist (O Atirador), de Don Siegel
1978: Perfect Gentlemen (teledramático)
1979: The Rockford Files (série de TV) – episódios Lions, Tigers, Monkeys and Dogs: 1 e 2
1980: Health, de Robert Altman
1981: The Fan (O Admirador), de Ed Bianchi
1983: Parade of Stars (teledramático)
1988: Appointment with Death (Morte Entre as Ruínas), de Michael Winner
1988: Mr. North (Um Homem de Sonho), de Danny Huston
1989: Tree of Hands, de Giles Foster
1989: Dinner at Eight (teledramático)
1990: Misery (Misery - O Capítulo Final), de Rob Reiner
1990: The Real Story of the Three Little Kittens (video short)
1990: A Little Piece of Sunshine (teledramático)
1991: All I Want For Christmas (Aventura num Natal), de Robert Lieberman
1991: A Star for Two
1993: A Foreign Field
1993: A Star for Two, de Jim Kaufman
1993 Great Performances (série de TV) – episódio Leonard Bernstein: The Gift of Music - narradora
1993 Screen One (série de TV) – episódio A Foreign Field
1993 The General Motors Playwrights Theater (série de TV) – episódio The Parallax Garden
1993: The Portrait (teledramático)
1994: Prêt-à-Porter (Pronto-a-Vestir), de Robert Altman
1995: From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler (teledramático)
1996: The Mirror Has Two Faces (As Duas Faces do Espelho), de Barbra Streisand
1996: My Fellow Americans (Politicamente... Incorrecto!), de Peter Segal
1997: Le jour et la nuit, de Bernard-Henri Lévy
1998: Chicago Hope (série de TV) – episódios Absent Without Leave e Risky Business
1999: Madeline: Lost in Paris, de Marija Miletic Dail - voz
1999: Diamonds, de John Mallory Asher
1999: The Venice Project, de Robert Dornhelm
1999: Too Rich: The Secret Life of Doris Duke (teledramático)
1999: Presence of Mind, de Antoni Aloy
2000: Scene by Scene (série de TV)
2003: The Limit, de Lewin Webb
2003: Dogville, de Lars von Trier
2004: Amália Traïda, de Francesco Vezzoli (curta-metragem)
2004: Hauru no ugoku shiro (O Castelo Andante), de Hayao Miyazaki - voz
2004: Birth (Birth - O Mistério), de Jonathan Glazer
2005: Manderlay, de Lars von Trier
2006: These Foolish Thing' (À Procura de Sucesso), de Julia Taylor-Stanley
2007: The Walker (O Acompanhante), de Paul Schrader
2008: Eve, de Natalie Portman (curta-metragem)
2008: Scooby-Doo and the Goblin King (vídeo) - voz
2009: Wide Blue Yonder, de Robert Young

2012: The Forger, de Lawrence Roeck