domingo, 29 de junho de 2014

SESSÃO 40: 11 DE AGOSTO DE 2014




O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA (1957)



“An Affair To Remember” é considerada uma das mais belas e tocantes histórias de amor contadas em cinema. Num inquérito organizado pelo American Film Institute, fica em quinto lugar, só ultrapassado por “Casablanca”, “Gone with the Wind”, “West Side Story”, “Roman Holiday”. História de amor, comédia dramática, melodrama, tudo isso se poderá dizer de “O Grande Amor da Minha Vida”, na sua versão de1957, assinada por Leo McCarey.
Muito se fala em cinema, e em literatura, de "drama” e “melodrama". Haverá quem se pergunte qual a distinção a estabelecer entre um e outro. Se a pergunta é cândida, a resposta não é fácil, já que a diferença se estabelece, pode dizer-se, a um nível de intensidade. Qualquer coisa como se o melodrama fosse o drama levado às suas últimas consequências.
Drama é toda a obra literária, teatral ou cinematográfica que aborde temas graves, infaustos, desgraças e outros eventos potencialmente comoventes. O melodrama  concentra, acumula, num crescente tom patético, sentimentos e situações de exagerada dramaticidade. O melodrama é, por isso mesmo, um género muito popular, nascido no tempo da Revolução Francesa, e que se estende até hoje, muitas vezes olhado com descrédito, mesmo desprezo, pelo público mais erudito. Tanto no teatro, como sobretudo no cinema, o melodrama aparece ainda associado à utilização de uma banda musical romântica e envolvente que mais e melhor especula com as emoções dos espectadores. Quando dá para o torto, chega a "fazer chorar as pedras da calçada", e às vezes é mesmo de "faca e alguidar", designações genuinamente populares que mostram bem a intensidade emotiva que atinge. Mas a história da literatura mundial tem dado excelentes exemplos de obras românticas, naturalistas e realistas, que se servem de alguns dos processos do melodrama para atingirem níveis de verdadeira excepção. No cinema, para falarmos já do que aqui nos interessa sobremaneira, a extremada manipulação dos sentimentos e das emoções é feita,  por vezes, de forma tão subtil  e com um pudor tal que muitas são as obras-primas que se orgulham do epíteto de melodramas.


Douglas Sirk é um autor admirável de títulos verdadeiramente inesquecíveis, e “An Affair To Remember” é também ele um excelente exemplo do melodrama, um dos melhores que o cinema norte-americano nos ofereceu até hoje. “O Grande Amor da Minha Vida”, de Leo McCarey, com um casal de actores invulgarmente inspirados, Cary Grant e Deborah Kerr, surge na década de 50, uma das mais proveitosas neste género.
Falemos para já um pouco de Leo McCarey. Nascido em 1898 e falecido em 1969, McCarey foi, curiosamente, um dos grandes autores de comédia. Iniciou a sua carreira nos estúdios de Hal Rouch, dirigindo curtas metragens burlescas de Charlie Chase e escrevendo várias histórias de Laurel e Hardy (os célebres Bucha e Estica), passando depois por cómicos como Eddie Cantor, W.C. Fields, Mae West, Harold Lloyd e os Marx Brothers, de que assinou uma das suas melhores comedias, “Duck Soup” (Os Grandes Aldrabões). Outra das suas mais espantosas realizações chama-se “Ruggles of Red Gap” (O Último Escravo), com um portentoso dueto de Charles Laughton e Charles Rugles. 


Estranhamente, ou talvez não, nestas coisas os extremos tocam-se e quem sabe fazer rir também não se sai nada mal a fazer chorar, Leo McCarey assinou igualmente algumas obras melodramáticas de boa qualidade, como os festejados “O Bom Pastor” (Going My Way), “Os Sinos de Stª Maria” (The Bells of St.Mary's) ou este sensacional “An Affair to Remember”, que é realmente um filme para recordar - pelo menos é um daqueles que eu não esqueço. Mas devo acrescentar que sou um sentimental, que gosto muito de melodramas, e, mais ainda, aceito de bom grado ser levado por uma boa história, bem conduzida com a emoção à flor da pele. Alguns, talvez mais sofisticados ou então mais empedrenidos, não vêem com bons olhos esta manipulação dos sentimentos, nem na ficção. Mas eu julgo que ela é perfeitamente legítima, quando concebida com arte, com subtileza, com amor, mesmo com bastante humor, como o demonstra esta notável obra de Leo McCarey, que é, já de si, uma remake de um outro filme deste cineasta, rodado em 1939, “Love Affair” (Ele e Ela), então interpretado por Charles Boyer e Irene Dunne. Para a versão de 1957, Leo McCarey escreveria o argumento de colaboração com outro cineasta, mestre do melodrama, Delmer Daves, nome que infelizmente não goza presentemente da reputação que lhe seria inteiramente merecida. Diz quem comparou as duas versões que a de 57 segue à risca, quase plano por plano, a de 39. Mas a de 57 socorre-se da cor e do Cinemascope, ambos magnificamente utilizados.
“An Affair to Remember” começa num tom de comédia sofisticada, a bordo de um transatlântico que parte da Europa e leva de regresso à América Nico Ferrante, um playboy, "mestre na arte de amar", que se prepara para casar com uma herdeira multimilionária, e Terry McCay, uma cantora de Boston, que se encontra noiva de um jovem empresário empreendedor. A viagem até Nova Iorque é particularmente divertida e Leo McCarey demonstra por que é  um dos grandes da comédia. A forma como, logo no início do filme, as várias rádios nacionais anunciam o noivado de Ferrante, é notável, os diálogos de Ferrante com Terry McCarey são brilhantes, o beijo que Cary Grant e Deborah Kerr dão a meio de umas das escadas é um dos mais belos beijos da hitória do cinema, mas o filme deixa insinuar um clima de preságio maligno a partir da visita que ambos fazem à velha casa da avó de Ferrante, no alto de Ville Franche. Rapidamente se instala o drama, curiosamente numa cena elidida pela púdica câmara de McCarey, fabuloso na arte de sugerir sem mostrar. Aliás, a obra tem esse fascínio suplementar, para quem gosta de cinema, de ser de uma eficácia de escrita sem mácula, sem um rodriguinho, sem uma excrescência desnecessária, jogando com a sugestão e a elipse de forma magnífica. O reencontro de Ferrante e Terry, iniciado numa conversa cheia de subtendidos e de sentidos desencontrados, é exemplo de um domínio de escrita invulgar.
Nomeado para 4 Oscars, destinados à fotografia de Milton Krasner, ao guarda-roupa de Charles Le Maire, à partitura musical de Hugo Friedhofer e à canção tema, que, na voz de Vic Damone, se tornaria um êxito internacional, “An Affair To Remember” julgo ser uma das mais conseguidas histórias de amor que o cinema dos ofereceu.






O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA
Título original: An Affair to Remember
Realização: Leo McCarey (EUA, 1957); Argumento: Delmer Daves, Donald Ogden Stewart, Leo McCarey, Mildred Cram; Produção: Jerry Wald; Música: Hugo Friedhofer; Fotografia (cor): Milton R. Krasner; Montagem: James B. Clark; Direcção artística: Jack Martin Smith, Lyle R. Wheeler; Guarda-roupa: Charles Le Maire, Kay Reed, Mickey Sherrard; Decoração: Paul S. Fox, Walter M. Scott; Maquilhagem: Ben Nye, Helen Turpin; Direcção de produção: Gaston Glass; Assistentes de realização: Gilbert Mandelik, Jack Gertsman; Som: Harry M. Leonard, Charles Peck, Matt Vowles; Efeitos especiais: L.B. Abbott; Companhias de produção: Twentieth Century Fox Film Corporation, Jerry Wald Productions; Intérpretes: Cary Grant (Nickie Ferrante), Deborah Kerr (Terry McKay), Richard Denning (Kenneth Bradley), Neva Patterson (Lois Clark), Cathleen Nesbitt, etc. Duração: 119 minutos; Distribuição em Portugal: Twentieth Century Fox (DVD); Classificação etária: M/12 anos;  Estreia em Portugal: 7 de Outubro de 1957.


LEO MCCAREY 
(1896 – 1969)
Thomas Leo McCarey nasceu a 3 de Outubro de 1896, em Los Angeles, Califórnia, EUA, e faleceu a 5 de Julho de 1969, em Santa Monica, Califórnia, EUA, vítima de um enfisema. Os pais, Thomas McCarey, manager de boxeurs, e de Leona Mistrot McCarey, de origem francesa, deram-lhe uma educação católica e desportiva. Leo McCarey estudou na St. Joseph's Catholic School e na Los Angeles High School e foi pressionado pelo pai para terminar o curso de Direito. Exerceu advocacia durante muito pouco tempo. Ele próprio conta que “nunca ganhou uma causa e que uma vez foi posto fora do tribunal por uma mulher que ele defendia e que se considerava mal ajudada”. No filme “O Vendedor de Sonhos”, de Peter Bogdanovich, a personagem de um advogado que perde causas foi inspirada Em Mccarey. Começou a sua carreira ainda no mudo, com dezenas de curtas-metragens, entre as quais diversas de Bucha e Estica, dupla que ele ajudou a formar-se. Além de ter trabalhado com Stan Laurel e Oliver Hardy, dirigiu ainda W.C. Fields, e The Marx Brothers, nalgumas comédias, género em que era especialista. Iniciou a sua carreira como assistente de Tod Browning na Universal Studios. Sempre afirmou que o seu filme preferido era “Make Way for Tomorrow” (1937), obra saudada por muitos como uma das mais importantes saídas dos estúdios de Hollywood.  
Foi o primeiro autor a lograr receber, pelo mesmo filme, “Going My Way” (1945), três dos principais Oscars: Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento (adaptado). Somente mais seis realizadores o conseguiram depois: Billy Wilder, Francis Ford Coppola, James L. Brooks, Peter Jackson e Joel Coen e Ethan Coen. Quando, em 1937, recebeu o seu quarto Oscar de Melhor Realizador por “Com a Verdade Me Enganas”, afirmou estar muito agradecido pelo prémio, mas que lhe tinha sido atribuído pelo filme errado” (referia-se a “Make Way for Tomorrow”, realizado no mesmo ano). Foi ainda nomeado em 1939, com “Love Affair”, em 1940, pelo argumento de “My Favorite Wife” (dirigido por Garson Kanin), em 1946, como Melhor Realizador e Melhor Filme, com “The Bells of St. Mary's”, e, finalmente, em 1952, pelo argumento de “My Son John”. Casado com Stella Martin, desde 1920. Tem uma estrela no “Hollywood Walk of Fame”, em 1500 Vine Street.

Filmografia
Como realizador

1) Curtas-metragens
1921: Society Secrets
1924: Publicity Pays
1924: Young Oldfield
1924: Stolen Goods
1924: Jeffries Jr.
1924: Why Husbands Go Mad
1924: A Ten Minute Egg
1924: Seeing Nellie Home
1924: Sweet Daddy
1924: Why Men Work
1924: Outdoor Pajamas
1924: Sittin' Pretty
1924: Too Many Mammas
1924: Bungalow Boobs
1924: Accidental Accidents
1924: All Wet
1924: The Poor Fish
1924: The Royal Razz
1925: The Rat's Knuckles
1925: Hello Baby!
1925: Fighting Fluid
1925: The Family Entrance
1925: Plain and Fancy Girls
1925: Should Husbands Be Watched?
1925: Hard Boiled
1925: Is Marriage the Bunk?
1925: Bad boy
1925: Big Red Riding Hood
1925: Looking for Sally
1925: Une soirée de folie
1925: Isn't Life Terrible?
1925: Innocent Husbands
1925: No Father to Guide Him
1925: The Caretaker's Daughter
1925: The Uneasy Three
1925: Hold Everything
1925: His Wooden Wedding
1925: The Uneasy Three (não creditado)
1925: Isn't Life Terrible? (não creditado)
1925: What Price Goofy? (não creditado)
1926: Charley My Boy
1926: Mama Behave (não creditado)
1926: Dog Shy
1926: Mum's the Word (não creditado)
1926: Long Fliv the King
1926: Mighty Like a Moose
1926: Crazy Like a Fox
1926: Bromo and Juliet
1926: Tell 'Em Nothing
1926: Be Your Age
1927: Should Men Walk Home?
1927: Why Girls Say No
1927: Jewish Prudence
1927: Eve's Love Letters
1927: Don't Tell Everything
1927: Sugar Daddies
1927: What Every Iceman Knows (supervisão)
1927: Should Second Husbands Come First?
1927: The Way of All Pants
1927: Us (supervisão)
1927: Flaming Fathers
1928: Pass the Gravy
1928: The Family Group (supervisão)
1928: The Finishing Touch
1928: Came the Dawn (supervisão)
1928: Blow by Blow
1928: Tell It to the Judge
1928: The Fight Pest
1928: Should Women Drive?
1928: Imagine My Embarrassment (supervisão)
1928: Should Married Men Go Home?
1928: That Night
1928: Do Gentlemen Snore?
1928: Habeas Corpus
1928: Feed 'em and Weep (supervisão)
1928: We Faw Down
1929: Going Ga-ga (supervisão)
1929: Liberty (A Liberdade)
1929: Wrong Againt (Tudo ao Contrário)
1929: When Money Comes
1929: Why Is a Plumber?
1929: Big Business (supervisão)
1929: The Unkissed Man
1929: Madame Q
1929: Dad's Day
1951: You Can Change the World

2) Longas-metragens
1929: The Sophomore
1929: Red Hot Rhythm
1930: Wild Company
1930: Let's Go Native (Naufrágio Amoroso)
1930: Part Time Wife
1931: Indiscreet
1932: The Kid from Spain (Toureiro à Força)
1933: Duk Soup (Os Grandes Aldrabões)
1934: Poker party (Segunda Lua-de-Mel)
1934: Belle of the Nineties
1935: Ruggles of Red Gap (O Extravagante Senhor Ruggles)
1936: The Milky Way (Via Láctea)
1937: Make Way for Tomorrow
1937: The Awful Truth (Com a Verdade Me Enganas)
1939: Love Affair (Ele e Ela)
1942: Once Upon a Honeymoon (Lua Sem Mel)
1944: Going My Way (O Bom Pastor)
1945: The Bells of St. Mary's (Os Sinos de Santa Maria)
1948: Good Sam (O Bom Samaritano)
1951: You Can Change the World (documentário, curta-metragem)
1952: My Son John (Perseguem o Meu Filho)
1955: Screen Directors Playhouse (série de TV) – episódios “Tom and Jerry” e “Meet the Governor”
1957: Na Affair tio Remember (O Grande Amor da Minha Vida)
1958: Rally 'Round the Flag, Boys! (Morena Ardente)
1962: Satan Never Sleeps (O Diabo nunca Dorme)

CARY GRANT (1904 - 1986)
Archibald Alexander Leach, mais conhecido por Gary Grant, nasceu a 18 de Janeiro de 1904, em Horfield, Bristol, Inglaterra, e viria a falecer a 29 de Novembro de 1986, em Davenport, Iowa, EUA, aos 82 anos, vítima de uma hemorragia cerebral. Casado com Virginia Cherrill (1934 - 1935), Barbara Hutton (1942 - 1945), Betsy Drake (1949 - 1962), Dyan Cannon (1965 - 1968) e Barbara Harris (1981 - 1986). Conta-se que a mãe de Archibald, quando este era ainda muito miúdo, o vestia como uma menina, o que terá tido algum efeito perturbador na sua personalidade. O pai, por seu turno, levou-o, aos seis anos, a assistir a um espectáculo de pantomima que ele adorou. O produtor, Robert Lomas, que precisava de mais uma criança para o espectáculo, foi-lhe entregue Archibald, que partiu em tournée para Berlim. Aí, um empresário americano, Jesse Lasky, levou-os, a bordo do Lusitânia, com destino à Broadway. Regressou depois a Bristol, e aos estudos. Aos nove anos, passou a viver apenas com o pai, pois a mãe dera entrada num hospício. Aos treze, deixa a escola, falsifica a assinatura do pai, e entra para a companhia do comediante Bob Pender. Por dois anos apresentou-se em diversas cidades da Inglaterra até que, em Julho de 1920, com 16 anos, foi um dos escolhidos por Pender para uma nova tournée, esta de dois anos, pelos Estados Unidos. Archibald não voltaria a Inglaterra. Trabalhou como arrumador de cinema, vendeu gravatas e interpretou números de variedades. Depois viajou para Hollywood, onde a sua elegância e porte chamaram a atenção de Ben Schulberg, da Paramount, onde mudou de nome, passando a "Cary Grant". A estreia no cinema aconteceu em 1932, num musical medíocre, “Esposa Improvisada”, mas rapidamente lhe surgiu uma boa oportunidade, para trabalhar sob as ordens de Josef von Stenberg, ao lado de Marlene Dietrich, em “Vénus Loira”. Mas só em 1935, com “Sylvia Scarlett”, ombreando com Katharine Hepburn, adquiriu o estrelato, onde se manteve até final da vida, sendo considerado um dos maiores comediantes de sempre. Sucederam-se êxitos como “Bringing Up Baby” (1938), “Gunga Din” (1939), “His Girl Friday” (1940), “The Philadelphia Story” (1940), “Suspicion” (1941), “Arsenic and Old Lace” (1944). Em 1933, conheceu o actor Randolph Scott, o qual, segundo se sabia, era amante do milionário Howard Hughes. Mas a atracção entre ambos foi imediata e recíproca, e os dois passaram a ter uma longa e polémica relação homossexual, já que Scott se mudou para o apartamento de Grant. Os estúdios obrigaram-nos a morar em casas separadas e, face às pressões impostas, Grant nunca chegou a assumir publicamente que este teria sido o grande amor secreto de sua vida. No ano seguinte, foi “obrigado” a casar com a actriz Virginia Cherrill, mas o embuste ainda chamou mais a atenção, dado que Cary Grant, pouco depois, tentou o suicídio. Divorciado, voltou a morar com Randolph Scott. Em 1941, durante a II Guerra Mundial, tornou-se cidadão norte-americano, e, a 8 de Julho de 1942, casou-se com a milionária Barbara Hutton, de quem se divorciou três anos mais tarde. As décadas de 40 e 50 foram pródigas em grandes sucessos, como “Notorious” (1946), de Alfred Hitchcock, ao lado de Ingrid Bergman no filme de Alfred Hitchcock, a que se seguiram “The Bishop's Wife” (1947), “To Catch a Thief” (1955), “An Affair to Remember” (1957), “Indiscreet” (1958), ou “North by Northwest”. Com “Penny Serenade” (1941), e “None but the Lonely Heart” (1944) foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor, que nunca conquistou. Mas em 1970, a Academia conferiu-lhe um Oscar honorário pelo conjunto da sua obra. Em 1957, casado com a actriz Betsy Drake, apaixonou-se perdidamente por Sophia Loren, mas esta, comprometida com o produtor italiano Carlo Ponti, não lhe correspondeu. Casa-se depois com a actriz Dyan Cannon, de quem também se divorciou, para voltar a casar em 1981, com a actriz Barbara Harris. Alfred Hitchcock, Leo McCarey e Howard Hawks, foram realizadores que sempre o preferiram, e conta-se que o escritor inglês Ian Fleming se baseou na sua figura, elegância e maneiras para criar a personagem de James Bond, 007. Chegou a receber um convite para encarnar a figura, o que recusou, vindo o mesmo a ser desempenhado por Sean Connery. Em 1966, depois do seu trabalho em “Walk, Don't Run”, terminou a sua carreira, pois se considerava fora dos estereótipos do galã, e nunca aceitaria trabalhar como actor secundário. No inquérito promovido pelo American Film Institute para encontrar as Grandes Lendas do Cinema, figura em 2º lugar, e foi votado o 6º maior actor da História do Cinema pela revista Entertainment Weekly. Na lista das 100 Maiores Histórias de Amor do Cinema, publicada pelo American Film Institute, e organizada em 2002, Gary Grant figura por seis vezes: “O Grande Amor da Minha Vida” (1957), em 5º lugar, “Casamento Escandaloso” (1940), “Com a Verdade Me Enganas (1937), em 77º, e “Difamação” (1946), em 87º. Cary Grant quase morreu no palco, pois teve uma hemorragia cerebral fulminante, aos 82 anos, ao sair do Teatro Adler, em Davenport, Iowa, onde ensaiava um espectáculo "An Evening With Cary Grant". Morreu poucas horas depois e o corpo seria levado para Los Angeles onde, conforme a sua vontade, foi cremado sem qualquer cerimónia fúnebre. Antes de morrer, avisou a mulher e os filhos de que “depois de morto, coisas horríveis iriam ser ditas a seu respeito”.

Filmografia:
como actor

1932: This Is the Night (Esposa Improvisada), de Frank Tuttle
1932: Sinners in the Sun, de Alexander Hall
1932: Singapore Sue, de Casey Robinson (curta-metragem)
1932: Merrily We Go to Hell (Quando a Mulher se Opõe), de Dorothy Arzner
1932: Devil and the Deep (Entre Duas Águas), de Marion Gering
1932: Blonde Venus (A Vénus Loira), de Josef von Sternberg
1932: Hot Saturday, de William A. Seiter
1932: Madame Butterfly (Madame Butterfly), de Marion Gering
1933: She Done Him Wrong (Uma Loira para Três), de Lowell Sherman
1933: The Woman Accused (Seis Dias de Amor), de Paul Sloane
1933: The Eagle and the Hawk (Dragões da Morte), de Stuart Walker
1933: Gambling Ship (O Casino do Mar), de Louis Gasnier e Max Marcin
1933: I'm No Angel (Não Sou um Anjo), de Wesley Ruggles
1933: Alice in Wonderland (Alice no País das Fadas), de Norman Z. McLeod
1934: Thirty Day Princess (30 Dias Princesa), de Marion Gering
1934: Born to Be Bad (Nascida para o Mal), de Lowell Sherman
1934: Kiss and Make Up (Templo de Beleza), de Harlan Thompson
1934: Ladies Should Listen (Mulheres Tomem Cautela), de Frank Tuttle
1935: Enter Madame (Meu Marido vai Casar), de Elliott Nugent
1935: Wings in the Dark (Asas nas Trevas), de James Flood
1935: The Last Outpost (A Última Avançada), de Charles Barton e Louis Gasnier
1935: Pirate Party on Catalina Isle (curta-metragem) (não creditado)
1935: Sylvia Scarlett (Sylvia Scarlett), de George Cukor
1936: Big Brown Eyes (Aqueles Olhos Negros), de Raoul Walsh
1936: Suzy (Suzy e a Espia), de George Fitzmaurice
1936: The Amazing Quest of Ernest Bliss (Aposta Original), de Alfred Zeisler
1936: Wedding Present, de Richard Wallace
1936: Fashions in Love (curta-metragem)
1937: When You're in Love (Prelúdio de Amor), de Robert Riskin
1937: Topper (O Par Invisível), de Norman Z. McLeod
1937: The Toast of New York (Três Aventureiros), de Rowland V. Lee
1937: The Awful Truth (Com a Verdade Me Enganas), de Leo McCarey
1938: Bringing Up Baby (Duas Feras), de Howard Hawks
1938: Holiday (A Irmã da Minha Noiva), de George Cukor
1939: Gunga Din (Gunga Din), de George Stevens
1939: Only Angels Have Wings (Paraíso Infernal), de Howard Hawks
1939: In Name Only (Engano Nupcial), de John Cromwell
1940: His Girl Friday (O Grande Escândalo), de Howard Hawks
1940: My Favorite Wife (A Minha Mulher Favorita), de Garson Kanin
1940: The Howards of Virginia (Paixão da Liberdade), de Frank Lloyd
1940: The Philadelphia Story (Casamento Escandaloso), de George Cukor
1941: Penny Serenade (A Canção da Saudade), de George Stevens
1941: Suspicion (Suspeita), de Alfred Hitchcock
1942: The Talk of the Town (O Assunto do Dia), de George Stevens
1942: Once Upon a Honeymoon (Lua Sem Mel), de Leo McCarey
1943: Mr. Lucky (O Senhor Felizardo), de H.C. Potter
1943: Destination Tokyo (Rumo a Tóquio), de Delmer Daves
1944: Once Upon a Time (O Eterno Fantasista), de Alexander Hall
1944: None But the Lonely Heart (O Vagabundo), de Clifford Odets
1944: Arsenic and Old Lace (O Mundo É um Manicómio), de Frank Capra   
1944: The Shining Future (curta-metragem)
1946: Without Reservations (A Viajante Clandestina), de Mervyn LeRoy
1946: Night and Day (Fantasia Dourada), de Michael Curtiz
1946: Notorious (Difamação), de Alfred Hitchcock
1947: The Bachelor and the Bobby-Soxer (O Solteirão e a Pequena), de Irving Reis
1947: The Bishop's Wife (O Mensageiro do Céu), de Henry Koster
1948: Mr. Blandings Builds His Dream House (O Lar dos Meus Sonhos), de Henry C. Potter
1948: Every Girl Should Be Married (Todas as Raparigas Devem Casar), de Don Hartman
1949: I Was a Male War Bride (Fizeram-me Passar por Mulher), de Howard Hawks
1950: Crisis), de Richard Brooks
1951: People Will Talk (Falam as Más-Línguas), de Joseph L. Mankiewicz
1952: Room for One More (Sempre Cabe Mais Um), de Norman Taurog
1952: Monkey Business (A Culpa Foi do Macaco), de Howard Hawks
1953: Dream Wife (A Esposa Ideal), de Sidney Sheldon
1955: To Catch a Thief (Ladrão de Casaca), de Alfred Hitchcock
1957: An Affair to Remember (O Grande Amor da Minha Vida), de Leo McCarey
1957: The Pride and the Passion (Orgulho e Paixão), de Stanley Kramer
1957: Kiss Them for Me (Quatro Dias de Loucura), de Stanley Donen
1958: Indiscreet (Indiscreto), de Stanley Donen
1958: Houseboat (Quase nos Teus Braços), de Melville Shavelson
1959: North by Northwest (Intriga Internacional), de Alfred Hitchcock
1959: Operation Petticoat (Manobra de Saias), de Blake Edwards
1960: The Grass Is Greener (Ele, Ela e o Marido), de Stanley Donen
1962: That Touch of Mink (Carícias de Luxo), de Delbert Mann
1963: Charade (Charada), de Stanley Donen
1964: Father Goose (Grão-Lobo Chama), de Ralph Nelson
1966: Walk Don't Run (Devagar, não Corra), de Charles Walters

SESSÃO 39: 4 DE AGOSTO DE 2014




 DOZE HOMENS EM FÚRIA (1957)
Foi Reginald Rose quem escreveu o inspirado argumento de “12 Angry Men” que, inicialmente, surgiu como telefilme, na CBS, em 1954, integrado no prestigiado programa “Westinghouse Studio One”, com direcção de Franklin J. Schaffner e interpretado por um elenco de que faziam parte Robert Cummings (jurado 8), Franchot Tone (3), Edward Arnold (10), Paul Hartman (7), John Beal (2), Walter Abel (4), George Voskovec (11), Joseph Sweeney (9), Bart Burns (6), Norman Fell (1), Lee Philips (5) e Larkin Ford (12). No ano seguinte surgiu a primeira adaptação para teatro, a que se juntaram milhentas, em palcos de todo o mundo. Rose foi reescrevendo a peça para diferentes encenações e nalguns casos esta obra seria adaptada para elencos muito diversos daquele, inteiramente masculino, que lhe está na base. “12 Angry Jurors” permitia que os actores fossem homens e mulheres e há mesmo uma versão inteiramente feminina, “12 Angry Women”.
Mas foi em 1957 que Sidney Lumet criou a versão cinematográfica que tornaria a obra um clássico dos chamados “filmes de tribunal”, e que divulgaria a obra internacionalmente, cotando-se como um dos mais interessantes e inteligentes dramas que discutem o sistema jurídico norte-americano. Entre as muitas outras versões cinematográficas e televisivas, há a referir uma, realizada por William Friedkin, em 1997, para TV, reunindo um elenco igualmente brilhante, George C. Scott, James Gandolfini, Tony Danza, William Petersen, Ossie Davis, Hume Cronyn, Courtney B. Vance, Armin Mueller-Stahl, Mykelti Williamson, Edward James Olmos, Dorian Harewood, e Jack Lemmon no protagonista. Conhecem-se versões alemãs, indianas, e uma russa, dirigida por Mikhalkov, em 2007, com o título “12”, a que o Júri de Veneza atribui o seu Prémio Especial. 
Também em Portugal “Doze Homens em Fúria” teve grande sucesso, julgo que em finais dos anos 50, numa encenação de Ribeirinho, e num telefilme de Artur Ramos, para a RTP, em 1977, com o título “Doze Homens em Conflito” com um excelente elenco: Luís Alberto, António Rama, Jorge Brum do Canto, Joaquim Rosa, Manuel Cavaco, Amílcar Botica, Baptista Fernandes, Armando Cortez, Pedro Lemos, Carlos Santos, Jorge Listopad, David Silva, Agostinho Alves e Armando Branco Alves.
"Doze Homens em Fúria" é um filme notável sob diversos pontos de vista. Comecemos pelo seu entrecho: um jovem hispano-americano é julgado, acusado de ter morto o pai com uma navalha de ponta e mola, depois de uma violenta discussão. No filme não se assiste ao julgamento, mas apenas à reunião do Júri que irá decidir da sua inocência ou culpabilidade. São doze jurados fechados numa sala, donde só sairão quando tiverem uma decisão por unanimidade, assim dizem as regras da jurisprudência norte-americana. As provas parecem indiscutíveis para quase todos, aquando de uma primeira ronda de votação. Onze jurados votam “culpado” e apenas um “inocente”. Este não sabe bem se o réu está ou não inocente, tem apenas “uma dúvida razoável” sobre a culpabilidade do réu. Quer discutir as provas. Há aspectos obscuros na maneira como o julgamento foi conduzido. O advogado de defesa não terá sido tão convincente e arguto a colocar questões como seria indispensável num caso que pode acabar na pena de morte.   
Os jurados são identificados apenas por um número, são apenas cidadãos norte-americanos no uso pleno dos seus direitos sociais. O número 1 (Martin Balsam), que funciona como presidente de júri e orienta os trabalhos, é professor de educação física e treinador de futebol escolar, o 2 (John Fiedler) é um anónimo bancário, o 3 (Lee J. Cobb) anuncia que tem um serviço de mensagens, e algum problema traumatizante com um filho, o 4 (E.G. Marshall) é um circunspecto corretor da bolsa, do 5 (Jack Klugman) apenas se sabe que é um entusiasta dos Baltimore Orioles, o 6 (Ed Binns) é pintor de paredes, o 7 (Jack Warden) é vendedor e está ansioso por resolver rapidamente a questão para assistir a uma partida de basebol, o 8 (Henry Fonda) é arquitecto e é o único a ter “dúvidas razoáveis”, o 9 (Joseph Sweeney) é um velho reformado, de um generoso humanismo, o 10 (Ed Begley) é um preconceituoso garagista de maus fígados, o 11 (George Voskovec) é um emigrante relojoeiro que ganhou a cidadania americana, e o 12 (Robert Webber) é publicitário meio estouvado e algo alheado da discussão. Todos cidadãos não identificados, apenas dois o serão na cena final, quando o jurado 8 se apresenta, à saída do tribunal, como sendo Davis, enquanto o jurado 9 o cumprimenta identificando-se como McCardle.
Como vemos, uma mescla que dá bem a ideia do que a democracia norte-americana procura ser por definição: cada cidadão igual em direitos e deveres, qualquer que seja a sua origem e condição social, quaisquer que sejam as suas ideias. O desenrolar da obra vai ainda explicitar melhor este conceito: cada cidadão vale um voto e é da reunião destes votos, depois de um confronto de ideias elucidativo, que irá sair um veredicto. Mais importante ainda de um ponto de vista jurídico: todo o indivíduo é inocente até prova em contrário, será o desenrolar do processo judicial a encontrar as provas definitivas, não o réu a defender-se até prova em contrário. Finalmente: na dúvida, num sistema que permite a pena de morte, mais vale um culpado à solta, desde que não subsistam provas concludentes do seu crime, do que um inocente castigado por algo que não cometeu. Estamos em meados dos anos oitenta, esta orientação humanista era defendida pela boa consciência e pelos liberais norte-americanos. O filme idealiza uma situação, demonstrando o que deve ser a justiça. Por essa altura, porém, o “machartismo” provava já o contrário. Talvez o filme também se queira referir a esse desfasamento entre o que se prega na lei e o que se pratica no dia a dia. Hoje, tudo mudou um pouco, lá e aqui, julga-se na praça pública antes ainda dos tribunais se pronunciarem e parece mais valer um julgamento nos mídia e uma sentença rápida, para acalmar a consciência pública, do que um processo moroso em busca da possível verdade. 
O jovem julgado tem à partida tudo contra si: é pobre, porto-riquenho, já fora condenado por outros crimes menores, considerado violento e arruaceiro. Tem testemunhas que juram ter visto e ouvido isto e aquilo. O bastante para os jurados mais impulsivos, ou os que se sentiam identificados com este tipo de problemas e por eles traumatizados, procurem tirar desforra de desgostos pessoais e transferirem-nos para o réu. Mas por imposição do jurado 8 todas as provas são discutidas e o que fica é a dúvida. Nem o velhote que viu tem a mobilidade suficiente para ter visto, nem a senhora que tem os olhos de lince que afiança ter. Nem a navalha de ponta e mola é tão invulgar assim.
O tema é admiravelmente desenvolvido, segue-se com um cada vez maior interesse o desenrolar do debate, que se aproxima muito de uma trama policial. As personalidades de cada jurado são subtilmente expostas, lentamente desvendadas e aprofundadas. Os actores são magníficos, todos eles, mercê de um casting invulgarmente bem escolhido, cada rosto, cada físico, cada gesto, cada olhar ajuda a caracterizar uma personagem. 
Com excepção do genérico, e de uma curta cena inicial e outra final (no total, cerca de 3 minutos num filme com 96), toda a acção decorre no interior de uma sala, o que transforma esta obra num “tour de force” de realização invulgar. A arte de Sidney Lumet, um dos grandes cineastas norte-americanos que saíram da televisão para o cinema durante a década de 50, é de mestre, tanto mais que este é o seu filme de estreia no cinema (antes passara alguns anos como realizador de televisão, dando então provas de grande eficácia, sobriedade e sensibilidade). A planificação é soberba, jogando com planos de conjunto, planos aproximados e grandes planos, a direcção de actores é soberba, até ao mais ínfimo pormenor, e toda a envolvência técnica, da fotografia à partitura musical, do cenário ao guarda-roupa, serve de forma notável os propósitos dos responsáveis.
Um filme admirável, que conquistou três nomeações aos Oscars de 1957, para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado, sendo que não triunfou em nenhuma categoria (seria derrotado por “A Ponte do Rio Kway”, de David Lean). Já nos Globos de Ouro do mesmo ano seria nomeado para Melhor Filme - Drama, Melhor Actor - Drama (Henry Fonda), Melhor Realizador de Cinema e Melhor Actor Secundário (Lee J. Cobb), sem sorte final diferente da dos Oscars. Nos BAFTA ingleses venceria na categoria de Melhor Actor Estrangeiro (Henry Fonda), no Festival de Berlim ganharia o Urso de Ouro e o prémio OCIC. Seria ainda o Melhor Filme do ano para os Edgar Allan Poe Awards de 1958. Mas transformou-se rapidamente num clássico de referência obrigatória.

Nota: Nos EUA, o julgamento pelo Tribunal de Júri é considerado uma das mais importantes salvaguardas constitucionais, tendo sido consagrado na Sexta e Sétima Emendas Constitucionais de 1791, na esfera criminal e cível, respectivamente; No filme a Juíza adverte os doze Jurados: - “A lei exige decisão unânime. A condenação implicará pena de morte”. Diferentemente dos tribunais populares norte-americanos, onde, em geral, são doze os jurados e os julgamentos criminais são estabelecidos, em regra, por unanimidade, no Brasil, por exemplo, os júris são compostos por sete cidadãos, que votam por maioria simples. Em Portugal, as decisões em julgamento em Tribunal de Júri (composto por quatro cidadãos efectivos – e 4 suplentes - além de três juízes de direito) são por maioria simples. Não é apenas pedido pela defesa. Segundo o Código Penal, pode um Assistente ou o Ministério Público formalizarem o pedido. Habitualmente, os advogados recorrem ao júri para conseguirem penas menos severas, enquanto o Ministério Público pede a participação da opinião pública para agravar a sentença.





DOZE HOMENS EM FÚRIA
Título original: 12 Angry Men
Realização: Sidney Lumet (EUA, 1957); Argumento: Reginald Rose; Produção: Henry Fonda, George Justin, Reginald Rose; Música: Kenyon Hopkins; Fotografia (p/b): Boris Kaufman; Montagem: Carl Lerner; Direcção artística: Bob Markel; Maquilhagem: Herman Buchman; Assistentes de realização: Don Kranze; Som: James A. Gleason, Al Gramaglia; Companhias de produção: Orion-Nova Productions; Intérpretes: Martin Balsam (Jurado 1), John Fiedler (Jurado 2), Lee J. Cobb (Jurado 3), E.G. Marshall (Jurado 4), Jack Klugman (Jurado 5), Edward Binns (Jurado 6), Jack Warden (Jurado 7), Henry Fonda (Jurado 8), Joseph Sweeney (Jurado 9), Ed Begley (Jurado 10), George Voskovec (Jurado 11), Robert Webber (Jurado 12), Rudy Bond, James Kelly, Billy Nelson, John Savoca, etc. Duração: 96 minutos; Distribuição em Portugal: MGM(DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 28 de Outubro de 1959.

                                    
SIDNEY LUMET (1924 - 2011)
Sidney Lumet nasceu a 25 de Junho de 1924, em Filadélfia, Pensilvânia, EUA, e viria a morrer a 9 de Abril de 2011, em Manhattan, Nova Iorque, EUA, vítima de um linfoma, com 86 anos. Filho do actor Baruch Lumet e da bailarina Eugenia Wermus Lumet, aos quarto anos já se estreava no teatro como actor, no Yiddish Art Theater de Nova Iorque. Interpretou diversos papeis na Broadway na década de 30 e no cinema (em “One Third of a Nation”, de 1939). In 1947 aparece nos teatros off-Broadway, ao lado de actors como Yul Brynner ou Eli Wallach, e outros alunos de Lee Strasberg no Actors Studio. Em 1955 estreia-se na encenação, mas desde 1955 que já dirigia episódios televisivos na CBS (mais de 150 episódios da série "Danger"- 1950 - e 26 episódios de "You Are There" - 1953) até se tornar num dos mais prestigiados realizadores de TV. No cinema estreia-se com um sucesso brilhante “Doze Homens em Fúria” (1957), a que se seguem obras muiti interessantes como “Lágrimas da Ribalta” (1958), “Uma Certa Mulher” (1959), “O Homem na Pele da Serpente” (1959), “Do Alto da Ponte” (1962), “Longa Viagem para a Noite” (1962), onde ficam definidos os seus interesses sociais e literários (muitas obras suas são adaptações de peças teatrais). “Missão Suicida” (1964), “O Agiota” (1964), “Serpico” (1973), “Um Dia de Cão” (1975), “Escândalo na TV” (1976), “Equus” (1977), “O Príncipe da Cidade” (1981), “O Veredicto” (1982), “As Chaves do Poder” (1986), “Inquérito Escaldante” (1990), entre muitos outros, testemunham as preocupações sociais do realizador, a sua sedução pelos ambientes onde se cruzam o crime e a justiça, os corredores do poder e da comunicação social ou os meandros da corrupção política. Igualmente a família teve sempre atenção muito especial, ligando-se a todos esses temas atrás enunciados, como testemunham obras como “Daniel” (1983), “A Manhã Seguinte” (1986), “Fuga Sem Fim” (1988) ou “Negócios de Família” (1989). O cunho realista está sempre presente, com uma excelente direcção de actores e atmosferas envolventes e por vezes asfixiantes. Nova Iorque é a sua cidade preferida e o cenário de muitos dos seus filmes. Lumet foi sempre um intelectual novaiorquino.
Foi casado com Rita Gam (1949 - 1955), Gloria Vanderbilt (1956 - 1963), Gail Lumet Buckley (1963 - 1978) e Mary Gimbel (1980 - 2011). 
Votado o 42º realizador de sempre na revista “Entertainment Weekly”. Três dos seus filmes, “Doze Homens em Fúria” (1957) em 42º lugar, “O Veredicto” (1982) em 75º, e “Serpico” (1973) em 84º, encontram-se na lista dos 100 Melhores Filmes de sempre estabelecida pelo American Film Institute. Igualmente “Escândalo na TV” (1976) e “Doze Homens em Fúria” (1957) figuram noutra lista.
Foi nomeado por quatro vezes para o Oscar de Melhor Realizador: "12 Angry Men" (1957), "A Dog Day Afternoon" (1975), "Network" (1976) e "The Veredict" (1982), e recebeu um nomeação para Melhor Argumento Adaptado em " Prince of the City " (1981). Em 2005, recebeu finalmente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, um Óscar honorário, reconhecendo o conjunto da sua obra.
Foi nomeado cinco vezes para o Globo de Ouro de Melhor Realizador: " A Dog Day Afternoon " (1975), "Network" (1976), "Prince of the City" (1981), "The Veredict" (1982) e "Running on empty" (1988). Venceu em 1976. Quatro vezes nomeado para o BAFTA, na categoria de Melhor Realizador, com "Murder on the Orient Express" (1974), "Serpico" (1974), " A Dog Day Afternoon " (1975) e "Network" (1976). Ainda nos BAFTAS, mas na categoria de Melhor Filme Britânico, foi nomeado com "The Hill" (1965) e "The Deadly Affair" (1967). Recebeu o Urso de Ouro, no Festival de Berlim, por "12 Angry Men" (1957), que recebeu igualmente o Prémio OCIC. Vários outros prémios em diversos festivais.
Sepultado no New Mount Carmel Cemetery em Glendale, Nova Iorque.

Filmografia:
1952: CBS Television Workshop (série de TV) “Don Quixote”
1952: Crime Photographer (série de TV) “Blackmail”
1951-1953: Danger (série de TV) 8 episódios
1953-1955: You Are There (série de TV) – 10 episódios, entre os quais “The Liberation of Paris”, “The First Command Performance of Romeo and Juliet”, “The Gettysburg Address”, “The Recognition of Michelangelo” ou “The Dreyfus Case”
1954-1955 The Best of Broadway (série de TV) – “Stage Door”, “The Show-Off” e “The Philadelphia Story”
1955: The Elgin Hour (série de TV) - “Mind Over Momma” e “Crime in the Streets
1955: The United States Steel Hour (série de TV) – “Incident in an Alley” e “The Meanest Man in the World”
1955: Frontier (série de TV) – “In Nebraska”
1956: Goodyear Television Playhouse (série de TV) – “The Sentry” e “Career Girl”
1956: The Alcoa Hour (série de TV) – “Finkle's Comet”, “Doll Face”, “Man on Fire”, “Tragedy in a Temporary Town” e “Long After Summer”
1957: Omnibus (série de TV) – “School for Wives”
1957: The Seven Lively Arts (série de TV) – “The Changing Ways of Love”
1957: Studio One (série de TV) – “The Deaf Heart”
1957: Mr. Broadway (telefilme)
1957: Producers' Showcase (série de TV) – “Mr. Broadway”
1957-1958: The DuPont Show of the Month (série de TV) – “The Count of Monte Cristo” e “Beyond This Place”
1957: 12 Angry Men (Doze Homens em Fúria)
1958: Stage Struck (Lágrimas da Ribalta)
1958: Kraft Television Theatre (série de TV) – “All the King's Men: Part 1 e 2”, “Fifty Grand”, “Three Plays by Tennessee Williams: Moony's Kid Don't Cry”, “Three Plays by Tennessee Williams: The Last of My Solid Gold Watches”, etc.  
1958: All the King's Men (telefilme)
1959: That Kind of Woman (Uma Certa Mulher)
1959: Long Day's Journey Into Night (Longa Viagem para a Noite)
1960: Play of the Week (série de TV) – “Rashomon”, “The Iceman Cometh: Part 1 e 2” e “The Dybbuk”
1960: Rashomon (telefilme)
1960: The Iceman Cometh (telefilme)
1960: John Brown's Raid (telefilme)
1960: Sunday Showcase (série de TV) – “The Sacco-Vanzetti Story: Part 1 e 2”, 1
1960: Playhouse 90 (série de TV) – “The Hiding Place” e “John Brown's Raid”
1964: The Pawnbroker (O Agiota)
1964: Fail-Safe (Missão Suicida)
1965: The Hill (A Colina Maldita)
1966: The Group (O Grupo)
1967: The Deadly Affair (Duas Plateias para a Morte)
1968: Bye Bye Braverman (Bye Bye Braverman)
1968: The Sea Gull (A Gaivota)
1969: The Appointment (O Rendez-Vous)
1970: King: A Filmed Record... Montgomery to Memphis            
1970: Last of the Mobile Hot Shots                     
1971: The Anderson Tapes (O Dossier Anderson)
1972: Child's Play                     
1972: The Offence (Até os Deuses Erram)
1973: Serpico (Serpico)             
1974: Lovin' Molly         
1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente)
1975: Dog Day Afternoon (Um Dia de Cão)
1976: Network (Escândalo na TV)
1977: Equus (Equus)
1978: The Wiz (O Feiticeiro)
1980: Just Tell Me What You Want (Queres ou Não Queres?)                   
1981: Prince of the City (O Príncipe da Cidade)
1982: Deathtrap (Armadilha Mortal)
1982: The Verdict (O Veredicto)
1983: Daniel (Daniel, Passado Sem Resgate)
1984: Garbo Talks        
1986: Power (As Chaves do Poder)
1986: The Morning After (A Manhã Seguinte)
1988. Running on Empty (Fuga sem Fim)
1989: Family Business (Negócios de Família)
1990: Q & A (Inquérito Escaldante)
1992: A Stranger Among Us (O Assassino Está Entre Nós)
1993: Guilty as Sin (Culpa Formada)
1997: Night Falls on Manhattan (O Lado Obscuro da Lei)
1997: Critical Care
1999: Gloria (Gloria)
2001-2002: 100 Centre Street (série de TV)
2004: Strip Search (telefilme)    
2004: Rachel, quand du seigneur (curta-metragem)
2006: Find Me Guilty (Mafioso Quanto Baste)
2007: Before the Devil Knows You're Dead (Antes que o Diabo Saiba que Morreste)

LEE J. COBB (1911–1976)
Leo Joachim Jacoby nasceu a 8 de Dezembro de 1911, em Nova Iorque, EUA, e viria a falecer a 11 de Fevereiro de 1976, com 64 anos, em Woodland Hills, Los Angeles, Califórnia, EUA. Filho de um jornalista judeu, muito cedo se interessou por música (violino sobretudo) e teatro. Aos 17 anos mudou-se para Hollywood e dedica-se ao teatro e ao cinema, tendo sido actor e encenador de teatro amador, voltando depois a Nova Iorque e ingressando em 1935 no Manhattan's Group Theater. Trabalhou com Clifford Odets em dramas políticos e sociais como “Waiting for Lefty” e “Till the Day I Die”, ao lado de nomes como Elia Kazan, John Garfield ou Martin Ritt. Formou-se em engenharia aeronáutica e esteve alistado na Força Aérea durante a II Guerra Mundial. Em 1949 teve a sua grande oportunidade ao ser convidado para interpretar Willy Loman na peça "A Morte de um Caixeiro-viajante", de Arthur Miller, que foi um enorme sucesso e lançou a carreira de Lee J. Cobb definitivamente. Durante a década de 50 teve várias dificuldades, ao ser acusado de pertencer ao Partido Comunista, integrando a lista negra de Hollywood, mas sentiu sempre a solidariedade de colegas e amigos, como Frank Sinatra e Paul Newman, e alguns cineastas que continuaram a apostar no seu talento. Interpretou dúzias de obras importantes de cineastas de prestígio, como “Doze Homens em Fúria”, “Crime Sem Castigo”, “A Hora Decisiva”, “Há Lodo no Cais”, “O Homem de Fato Cinzento”, “A Rapariga daquela Noite”, “O Homem do Oeste”, “Os Irmãos Karamazov”, “A Conquista do Oeste”, “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, “Flint, Agente Secreto”, “A Pele de Um Malandro”, “Exodus”, “As Três Faces de Eva” ou “O Exorcista”.
Participou em dezenas e dezenas de telefilmes e séries de TV, sendo a sua personagem mais célebre a de juiz Garth em “The Virginian”.
Foi nomeado duas vezes para o Oscar de Melhor Actor Secundário, em 1955, em “Há Lodo no Cais”e em 1959, em “Os Irmãos Karamazov”. Nomeado por três vezes para os Emmys, na categoria de Melhor Actor de televisão, sem nunca ter ganho.

Filmografia:
como actor

1934: The Vanishing Shadow (A Sombra Misteriosa), de Lew Landers
1937: Ali Baba Goes to Town (O Herói das Arábias), de David Butler
1937: Rustlers' Valley, de Nate Watt
1937: North of the Rio Grande (Ao Norte do Rio Grande), de Nate Watt
1938: Danger on the Air, de Otis Garrett
1939: The Phantom Creeps, de Ford Beebe e Saul A. Goodkind
1939: Golden Boy, de Rouben Mamoulian
1940: This Thing Called Love (Isso a que Chamam Amor...), de Alexander Hall
1941: Paris Calling (Os Heróis de Paris), de Edwin L. Marin
1941: Men of Boys Town (Alarme na Cidade dos Rapazes), de Norman Taurog
1942: Down Rio Grande Way, de William A. Berke (não creditado)
1943: The Song of Bernadette (A Canção de Bernadette), de Henry King
1943: Buckskin Frontier (Fronteiras em Chamas), de Lesley Selander
1943: Tonight We Raid Calais, de John Brahm
1943: The Moon Is Down (Noite sem Lua), de Irving Pichel
1944: Winged Victory (Encontro no Céu), de George Cukor
1946: Anna and the King of Siam (Ana e o Rei do Sião), de John Cromwell
1947: Captain from Castile (Capitão de Castela), de Henry King
1947: Boomerang! (Crime Sem Castigo), de Elia Kazan
1947: Johnny O'Clock (A Hora Decisiva), de Robert Rossen
1948: The Dark Past, de Rudolph Maté
1948: The Luck of the Irish (O Amor que Tu me Deste), de Henry Koster
1948: The Miracle of the Bells (O Milagre dos Sinos), de de Irving Pichel
1948: Call Northside 777 (A Verdade Vence Sempre), de Henry Hathaway
1949: Thieves' Highway (O Mercado dos Ladrões), de Jules Dassin
1950: The Man Who Cheated Himself, de Felix E. Feist
1951: Lights Out (série de TV)
1951: Tales of Tomorrow (série de TV)
1951: The Family Secret, de Henry Levin
1951: Sirocco (Vento do Deserto), de Curtis Bernhardt
1951: Somerset Maugham TV Theatre (série de TV)
1952: The Fighter, de Herbert Kline
1953: The Tall Texan, de Elmo Williams
1954: Day of Triumph, de John T. Coyle e Irving Pichel
1954: On the Waterfront (Há Lodo no Cais), de Elia Kazan
1954: Gorilla at Large (O Gorila à Solta), de Harmon Jones
1954: The Ford Television Theatre (série de TV)
1954: Yankee Pasha (Piratas Marroquinos), de Joseph Pevney
1955: The Left Hand of God (A Mão Esquerda de Deus), de Edward Dmytryk
1955: The Road to Denver (O Renegado Cruel), de Joseph Kane
1955: Producers' Showcase (série de TV)
1955: Medic (série de TV)
1955: Lux Video Theatre (série de TV)
1955: The Racers (Estes Homens São Perigosos), de Henry Hathaway
1956: Miami Expose (Escândalos de Miami), de Fred F. Sears
1956: The Man in the Gray Flannel Suit (O Homem de Fato Cinzento), de Nunnally Johnson
1956: The Alcoa Hour (série de TV)
1956: Goodyear Television Playhouse (série de TV)
1956-1958: Zane Grey Theater (série de TV)
1957: Studio One (série de TV)
1957: The Three Faces of Eve (As Três Faces de Eva), de Nunnally Johnson
1957: The Garment Jungle (A Selva da Alta Costura), de Robert Aldrich e Vincent Sherman
1957: 12 Angry Men (Doze Homens em Fúria), de Sidney Lumet
1957-1959: Playhouse 90 (série de TV)
1958: Party Girl (A Rapariga Daquela Noite), de Nicholas Ray
1958: Man of the West (O Homem do Oeste), de Anthony Mann
1958: The Brothers Karamazov (Os Irmãos Karamazov), de Richard Brooks
1959-1960: The DuPont Show of the Month (série de TV)
1959: But Not for Me, de Walter Lang
1959: Green Mansions (A Flor que não Morreu), de Mel Ferrer
1959: The Trap, de Norman Panama
1959: Westinghouse Desilu Playhouse (série de TV)-  Trial at Devil's Canyon
1960: Exodus (Exodus), de Otto Preminger
1960-1962: General Electric Theater (série de TV)
1961: Vincent Van Gogh: A Self-Portrait (telefilme)
1961: Naked City (série de TV)– Take Off Your Hat When a Funeral Passes
1961: The DuPont Show with June Allyson (série de TV)– School of the Soldier
1962: The Final Hour, de Robert Douglas
1962: The Brazen Bell, de James Sheldon
1962: How the West Was Won (A Conquista do Oeste), de George Marshall, Henry Hathaway, John Ford e Richard Thorpe
1962: Four Horsemen of the Apocalypse (Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse), de Vincente Minnelli
1962-1966: The Virginian (série de TV)
1963: Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (série de TV)– It's Mental Work
1963: Come Blow Your Horn (Mulheres é Comigo), de Bud Yorque
1966: Death of a Salesman (telefilme)
1966: Our Man Flint (Flint, Agente Secreto), de Daniel Mann
1967: In Like Flint (Flint, Perigo Supremo), de Gordon Douglas
1968: They Came to Rob Las Vegas, de Antonio Isasi-Isasmendi
1968: Coogan's Bluff (A Pele de Um Malandro), de Don Siegel
1968: A Pistola do Mal
1968: The Day of the Owl (O Dia da Vergonha), de Damiano Damiani
1969: Mackenna's Gold (O Ouro de Mackenna), de J. Lee Thompson
1970: Macho Callahan (Macho Callahan), de Bernard L. Kowalski
1970: The Liberation of L.B. Jones (O Preço do Silêncio), de William Wyler
1970: The Dean Martin Show (série de TV)
1970: Annie, the Women in the Life of a Man (telefilme)
1970: To Confuse the Angel (telefilme)
1970-1971: The Young Lawyers (TV series)
1971: Lawman (O Homem da Lei), de Michael Winner
1972: Heat of Anger (telefilme)
1973: Ultimatum,
1973: La polizia sta a guardare ou Ransom! Police Is Watching, de Roberto Infascelli
1973: Double Indemnity (telefilme)
1973: The Man Who Loved Cat Dancing O Homem que Amou Cat Dancing), de Richard C. Sarafian
1973: The Exorcist (O Exorcista), de William Friedkin
1973: McCloud (série de TV)– Showdown at the End of the World
1974: Il venditore di palloncini ou The Balloon Vendor, de Mario Gariazzo
1974: Gunsmoke (série de TV) – The Colonel
1974: The Great Ice Rip-Off (telefilme)
1974: Trapped Beneath the Sea (telefilme)
1974: Dr. Max (telefilme)
1975: Mark il poliziotto spara per primo ou Mark of the Cop, de Stelvio Massi
1975: That Lucky Touch, de Christopher Miles
1976: Gli amici di Nick Hezard ou Nick the Sting, de Fernando Di Leo
1976: La legge violenta della squadra anticrimine, de Stelvio Massi
1976: Gli origini della Mafia, de Enzo Muzii (mini- série de TV)

Como realizador
1960: Startime (série de TV)