quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SESSÃO 2 (DUPLA): 14 DE OUTUBRO DE 2013



FRANKENSTEIN (1931)


“Frankenstein” é um dos temas mais glosados da mitologia fantástica. “Frankenstein: or the Modern Prometheus” (Frankenstein ou o Moderno Prometeu) foi uma criação romântica de uma jovem escritora inglesa, Mary Shelley, publicada, pela primeira vez, em 1831, em três volumes, sem indicação de autoria. A escritora tinha apenas 19 anos, chamava-se ainda Mary Wollstonecraft Godwin, e conta-se que, encontrando-se a passar o verão junto do lago Léman, juntamente com o futuro marido, Percy Bysshe Shelley, e ainda Lord Byron, John Polidori e outros escritores, se viram obrigados a permanecer fechados durante alguns dias, tendo então sido sugerido por Lord Byron que cada um deles deveria escrever uma história fantástica, tendo como inspiração as lendas alemãs de fantasmas. 
Mary Shelley foi das últimas a apresentar trabalho feito, mas a que mais lucrou com esse interlúdio de clausura. O seu romance, relatando as aventuras de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro no seu laboratório, à revelia dos professores e do comum dos mortais, tornar-se-ia rapidamente uma das obras de maior projecção no campo da literatura fantástica de todos os tempos. A edição definitiva, já assinada pela autora, e publicada num único volume, aparece somente em 1831, e, sendo a terceira, é a considerada definitiva pelos estudiosos da obra.
O tema central é a desmedida soberba do Homem que se quer sobrepor a Deus e criar um ser seu semelhante. Tema de ressonâncias metafísicas, que tenta opor os limites da ciência à religião, mostrando os constrangimentos da primeira perante a grandiosidade da obra divina que ninguém deve contestar, sob pena de sofrer os efeitos da sua temeridade. É o que acontece com o jovem Victor Frankenstein, cuja “criatura” por si criada exorbitará da sua condição de ser “normal”, para se assumir como um perigoso assassino.
Acontece que, no filme de James Whale, o argumento de Francis Edward Faragoh & Garrett Fort, Robert Florey e John Russell (estes dois últimos não creditados), partindo da peça teatral de Peggy Webling, adaptada por John L. Balderston do romance de Mary Shelley, atenua em muito esta temeridade, dado que a “criatura” se mostra um autêntico assassino porque o ajudante de Henry Frankenstein que é incumbido de roubar um cérebro de uma aula de anatomia da universidade local, acaba por trocar o “normal” por um “anormal”, pertencente a um criminoso. Logo, nada nos diz que a experiencia não seria um sucesso total, se não tivesse existido esse prévio erro de casting de cérebros. No filme, tal como o caso nos é apresentado, e apesar de Henry Frankenstein se orgulhar de disputar a Deus a prerrogativa de criar vida, e de a moralidade da obra procurar sublinhar o facto de ele ser castigado por esse excesso, a verdade é que não se fica a saber se a experiência seria ou não um sucesso, não fora a troca de cérebros que tudo põe em causa.


De resto o filme, mantendo-se embora fiel ao essencial do romance, acaba por alterar em muito a intriga de Mary Shelley, condensando-a. No romance, por exemplo, toda a história é contada através de várias cartas de um tal capitão Robert Walton dirigidas a sua irmã. O capitão comanda uma expedição marítima que procura encontrar uma passagem para o Pólo Norte e, durante a permanência em território gelado, avista a “criatura” de Victor Frankenstein num trenó puxado por cães. O navio fica preso, mas, ao libertar-se do gelo, encontra vagueando numa ilha de gelo  o moribundo doutor Victor Frankenstein que, depois de recolhido e socorrido, narra a sua história ao referido capitão Walton, que por sua vez a transmite em cartas à sua irmã. Esta estrutura narrativa de intriga dentro de intriga desaparece do filme, que torna a trama muito mais linear.
O filme inicia-se por um curioso intróito, durante o qual o produtor Carl Laemmle Jr. alerta os espectadores para os perigos de assistirem à obra que a seguir será projectada, dada a natureza das suas imagens altamente impressionantes. Hitchcock “avant la lettre” ou a ideia onde se veio basear o mestre do suspense para muitas das suas imagens publicitárias posteriores.
Depois, a ameaça instala-se. As imagens são realmente impressionantes e pode dizer-se que nunca vistas por essa altura no cinema. Ao cair da noite, num lúgubre cemitério, procede-se ao enterro de alguém, enquanto, não muito longe, Henry Frankenstein (no filme chama-se Henry e não Victor) e o seu ajudante Fritz espreitam a altura propícia para desenterrarem o caixão e roubarem o corpo. “O cadáver está à espera de uma nova vida que vem aí”, explica Frankenstein. Aquele corpo só não é o bastante, e vão libertar da forca um outro. Falta o cérebro, que tem de estar em óptimas condições. Descreve-se a diferença entre o cérebro “normal” de uma pessoa de bem e o “anormal”, de um criminoso, o que prepara a troca efectuada por Fritz no laboratório da universidade de medicina.
Fica-se a saber que Henry Frankenstein se interessa particularmente por electrobiologia e que tem conduzido avançadas experiências num laboratório pessoal, numa fantasmagórica torre no alto de uma colina, encimada por um pára-raios que capta a electricidade necessária às suas práticas. Percebe-se ainda que interrompeu a colaboração com o professor Waldman que acha as suas tentativas altamente perigosas. Não se deve desafiar Deus. Entretanto, a namorada, Elizabeth, e o amigo Victor Moritz vivem preocupados com a obsessão de Henry Frankenstein e todos resolvem visitá-lo na sua torre, precisamente na noite de uma violenta tempestade, há muito aguardada e propícia à sua derradeira experiência. Finalmente a “criatura” será criada e com ela o “monstro”.


A primeira aparição do “monstro” é magnificamente encenada. Surge de costas, envolto numa névoa, volta-se lentamente e imaginamos o olhar estarrecido dos espectadores de 1931. Um rosto atravessado por cicatrizes, eléctrodos a saírem-lhe do pescoço, achatado na cabeça, olhar perdido e uma sensação de força desmedida e incontrolável. Tentam dominá-lo pelo fogo, oscilando uma tocha à sua frente, mas apenas provocam maior ira. Desencadeadas as forças do mal, ou do desconhecido, a “criatura” liberta-se, foge da torre, depois de assassinar Fritz. Vagueia pela paisagem bucólica e encontra, à beira de um lago, uma miudinha com quem brinca, trocando flores e lançando-as à água, onde ficam a boiar. A “criatura” oscila entre a inocência e a ameaça. Para ele, percebe-se, não há Bem nem Mal, existem apenas divertidos jogos de flores. A criança é uma flor que ele “jogará” no lago. Sem maldade, mas para profundo desespero do pai da criança, que levará ao colo o seu cadáver para a cidade, em busca de justiça.
De inocência em inocência, de pureza em pureza, sempre ameaçando os mais fracos, as crianças e as mulheres (mas também os fracos de espírito, como Fritz, ou os velhos, como o Prof. Waldman), a “criatura” entra pela janela do quarto de Elizabeth quando esta, no seu branco e impoluto vestido de noiva, de longa cauda, se prepara para ir ao encontro de Henry para a celebração do casamento. Atravessa salas, provocando um belíssimo efeito visual, e encontra o “monstro” que a rapta e a conduzirá a um velho moinho, cuja silhueta se recorta de um céu nocturno pejado de perigos. Como sempre, será o fogo purificador a encerrar a tragédia.
Estamos no território da iniciação. Foi por aqui, por estes tempos, que tudo começou. Foi com filmes como este “Frankenstein”, de James Whale, que se encontraram os efeitos chaves que mais tarde se tornariam os estereótipos de um género (e que tão bem foram parodiados por Mel Brooks no seu magnífico “Frankenstein Júnior”).
Com uma magnificência plástica invulgar, num preto e branco admirável, James Whale constrói uma obra-prima da mais pura emoção fantástica, com sequências inesquecíveis, personagens inolvidáveis que se tornaram modelos para o futuro. Por seu turno, Boris Karloff atinge a fama com a construção dessa personagem de “monstro” que mistura inocência e força bruta e não mais deixará de atormentar o sono de qualquer cinéfilo apreciador do fantástico. A figura do “monstro” é de tal forma obsessiva que acabará por roubar o nome ao seu criador.  Boris Karloff acabará por ser, para sempre, Frankenstein. Ou não fosse ele filho de Henry Frankenstein.

FRANKENSTEIN
Título original: Frankenstein
Realização: James Whale (EUA, 1931); Argumento: Francis Edward Faragoh & Garrett Fort, Robert Florey, John Russell (não creditados), segundo peça teatral de Peggy Webling, adaptada por John L. Balderston do romance de Mary Shelley; Música: Bernhard Kaun; Giuseppe Becce; Fotografia: Arthur Edeson, Paul Ivano; Montagem: Clarence Kolster; Direcção de arte: Charles D. Hall; Maquilhagem: Jack P. Pierce; Assistentes de realização: Joseph A. McDonough; Departamento de arte Companhia de produção: Universal Pictures;: Ed Keyes, Herman Rosse; Som: C. Roy Hunter, William Hedgcock; Efeitos especiais: John P. Fulton, Ken Strickfaden; Produção: E.M. Asher, Carl Laemmle Jr.; Intérpretes: Colin Clive (Henry Frankenstein), Mae Clarke (Elizabeth), John Boles (Victor Moritz), Boris Karloff (monstro), Edward Van Sloan (Dr. Waldman), Frederick Kerr (Barão Frankenstein), Dwight Frye (Fritz), Lionel Belmore (Herr Vogel, burgomestre), Marilyn Harris (Maria, a criança), Arletta Duncan, Francis Ford, Michael Mark, Pauline Moore, Cecilia Parker, Carl Laemmle (apresentador), etc. Duração: 71 minutos; Distribuição em Portugal: Humberto da Costa (cinema); Universal (DVD); Estreia em Portugal: S. Luiz, a 1 de Janeiro de 1933; Classificação etária: M/12 anos.

JAMES WHALE (1889-1957)
James Whale nasceu em Dudley, Inglaterra, a 22 de Julho, 1889. Foi o sexto de sete filhos de um casal, ele metalúrgico, ela enfermeira. Todos os irmãos se empregaram na indústria, mas James começou como sapateiro, antes de se inscrever num curso da Escola de Artes de Dudley (Dudley School of Arts and Crafts). Em Outubro de 1915, alistou-se no exército, no regimento de Worcestershire, participando na I Guerra Mundial, e foi feito prisioneiro em Agosto de 1917. Escrevia, desenhava e sentiu o apelo do palco. Terminada a guerra, volta para Birmingham e envereda por uma carreira teatral. Em 1928 dirige uma peça de R. C. Sherriff, “Journey's End”, com Laurence Olivier, então em início de carreira. A peça teve sucesso e a companhia mudou-se para o teatro de West End, desta feita com o actor Colin Clive no papel principal. Whale voltou a dirigir a versão que subiu aos palcos da Broadway e a adaptação para o cinema feita por Hollywood, tendo Colin Clive repetido seu papel no filme.
O grande momento de glória de James Whale no cinema terá sido na década de 30, quando realizou vários filmes de características fantásticas para a Universal Pictures: “Frankenstein” (1931), “The Old Dark House” (1932), “Bride of Frankenstein” (1935), “The Invisible Man” (1933), com excelentes resultados artísticos e de bilheteira.
Particularmente influenciado pelo cinema de alguns expressionistas alemães, nomeadamente F. W. Murnau, Whale ajudou a impor em Hollywood alguns actores ingleses, como Colin Clive, Boris Karloff, Gloria Stuart, Elsa Lanchester, e Claude Rains. Dirigiu ainda vários outros trabalhos interessantes, como “Waterloo Bridge” (1931), “Show Boat” (1936), produzidos por Carl Laemmle, Jr., “The Man in the Iron Mask” (1939), para o produtor Edward Small, “The Road Back” (1937), uma espécie de sequela de “All Quiet on the Western Front”, que viria a ser remontado pelo estúdio, e se assumiria um enorme fracasso na estreia. Em 1937, rodou “The Great Garrick”, para a Warner Brothers, e, mais tarde, “Port of Seven Seas” para a MGM e “Wives Under Suspicion”, seu derradeiro filme para a Universal. “Green Hell”, um filme de aventura na selva com Douglas Fairbanks, Jr., Joan Bennett e Vincent Price, foi a sua última longa-metragem.
Homossexual assumido, morava com o produtor David Lewis que divulgou uma curta nota de suicídio de Whale em 1987. Whale sofria de depressão e suicidou-se na sua casa da Califórnia, afogando-se na piscina, no dia 29 de Maio de 1957, com 67 anos de idade.
James Whale é mencionado no romance “Father of Frankenstein”, de Christopher Bram, que foi adaptado ao cinema em “Gods and Monsters”, de Bill Condon (1998), título que ganhou o Oscar para melhor argumento adaptado. Ian McKellen interpretava a figura do cineasta. Existem biografias de James da autoria de Mark Gatiss (“James Whale: A Biography” ou “James Whale: the Would-Be Gentleman”) e de James Curtis (“James Whale: A New World of Gods and Monsters”). Em 2002, foi erigida uma estátua em sua homenagem em Dudley, sua terra natal. A obra reproduz uma bobine de filme com o rosto de Frankenstein, a sua realização mais célebre.

Filmografia:
1930: Journey's End
1930: Hell's Angels (Os Anjos do Inferno), de Howard Hughds (Edmund Goulding e James Whale,  não creditados)
1931: Frankenstein (Frankenstein)
1931: Waterloo Bridge
1932: Impatient Maiden
1932: The Old Dark House
1933: By Candlelight (Curto Circuito)
1933: The Invisible Man (O Homem Invisível)
1933: The Kiss Before the Mirror (O Beijo Defronte do Espelho)
1934: One More River
1935: Remember Last Night?
1935: Bride of Frankenstein (A Noiva de Frankenstein)
1936: Show Boat (Magnólia)
1937: The Great Garrick (O Grande Garrick)
1937: The Road Back (Após a Derrota)
1938: Port of Seven Seas (O Porto dos Sete Mares)
1938: Wives Under Suspicion (A Razão Porque Matou)
1938: Sinners in Paradise
1939: The Man in the Iron Mask (O Homem da Máscara de Ferro)
1940: Green Hell (O Inferno Verde)
1941: They Dare Not Love (Após a Derrota) (Victor Fleming e Charles Vidor, não creditados)
1949: Hello Out There (curta-metragem, rodada como antologia cinematográfica, não exibida comercialmente até 1967)

BORIS KARLOFF 
(1887-1969)
William Henry Pratt, mais conhecido pelo nome de Boris Karloff, nasceu a 23 de Novembro de 1887, em Camberwell, Londres, Inglaterra, e viria a falecer a 2 de Fevereiro de 1969, em Midhurst, Sussex, Inglaterra. Juntamente com Lon Chaney, Bela Lugosi e Vincent Price, Boris Karloff foi indiscutivelmente um dos grandes actores do fantástico, ficando para sempre ligado à figura do monstro de Frankenstein, que criou em 1931, no filme de James Whale.
Filho de Edward John Pratt Jr., Deputy Commissioner of Customs Salt and Opium, Northern Division, Indian Salt Revenue Service, e de Eliza Sarah Millard, estudou na Universdade de Londres e parecia destinado a uma carreira de diplomata. Mas emigrou para o Canadá, em 1909, e juntou-se a uma companhia de teatro do Ontário, onde adoptou o nome de “Boris Karloff”. Pouco depois vamos encontrá-lo nos EUA, em digressões pela província, em pequenas companhias, antes de surgir no cinema, ainda durante o sonoro, em obras como “The Deadlier Sex” (1920), “Omar the Tentmaker” (1922), “Dynamite Dan” (1924) ou “Tarzan and the Golden Lion” (1927). Ao mesmo tempo, era condutor de camiões em Los Angeles.
Foi, pois, em 1931, com a sua criação do “monstro” de Frankenstein, que a sua carreira de actor se impôs, rodando mais de uma centena e meia de filmes, a maioria de qualidade reduzida, mas alguns deles marcos na história do cinema, que fizeram do actor um ícone e uma lenda. Criou diversos tipos, quase sempre sinistros, em obras como “Scarface, o Homem da Cicatriz” (1932), “The Old Dark House” (1932), “O Palácio dos Mistérios” (1932), “A Múmia” (1932), “O Ressuscitado” (1933), ou “A Patrulha Perdida” (1934). Depois foi prolongando a carreira, ao longo de décadas, repisando de alguma forma os seus papéis de vilões e monstros. Em meados dos anos 60, regressou à ribalta, sendo chamado a interpretar vários excelentes trabalhos de alguns mestres do género, como Mario Bava, Roger Corman, Jacques Tourneur, Michael Reeves ou Peter Bogdanovich.
Foi casado com Grace Harding (1910 - 1913), Olive de Wilton (1915 - ?), Montana Laurena Williams (1920 - ?), Helene Vivian Soule (1924 - 1928), Dorothy Stine (1930 - 1946), de quem teve uma filha, e Evelyn Hope Helmore (1946 -  até à sua morte em 1969).

Filmografia:
1916: The Dumb Girl of Portici, de Lois Weber
1918: The Lightning Raider, de George B. Seitz
1919: The Masked Rider, de Aubrey M. Kennedy
1919: His Majesty, the American, de Joseph Henabery
1919: The Prince and Betty, de Robert Thornby
1920: The Deadlier Sex, de Jules Borney           
1920: The Courage of Marge O'Doone, de David Smith    
1920: The Last of the Mohicans (O Último Moicano), de Maurice Tourneur e Clarence Brown
1921: The Hope Diamond Mystery, de Stuart Paton         
1921: Without Benefit of Clergy, de James Young           
1921: Cheated Hearts, de Hobart Henley           
1921: The Cave Girl, de Joseph Franz   
1922: The Man from Downing Street, de Edward José     
1922: The Infidel, de James Young       
1922: The Altar Stairs, de Lambert Hillyer         
1923: Omar the Tentmaker, de James Young     
1923: The Woman Conquers, de Tom Forman    
1923: The Gentleman from America, de Edward Sedgwick
1923: The Prisoner (O Prisioneiro), de Jack Conway       
1924: Riders of the Plains, de Jacques Jaccard   
1924: The Hellion, de Bruce Mitchell     
1924: Dynamite Dan, de Bruce Mitchell  
1925: Parisian, de Alfred Santell           
1925: Forbidden Cargo, de Tom Buckingham     
1925: The Prairie Wife, de Hugo Ballin  
1925: Perils of the Wild, de Francis Ford            
1925: Never the Twain Shall Meet, de Maurice Tourneur
1925: Lady Robinhood, de Ralph Ince    
1926: The Greater Glory, de Curt Rehfeld         
1926: Her Honor, the Governor, de Chet Withey
1926: The Bells, de James Young          
1926: The Nickel-Hopper, de Hal Yates
1926: The Golden Web, de Walter Lang            
1926: The Eagle of the Sea (O Corsário Lafitte), de Frank Lloyd
1926: Flames, de Lewis H. Moomaw     
1926: Old Ironsides (A Fragata Invicta), de James Cruze
1926: Flaming Fury, de James Hogan    
1926: Valencia, de Dimitri Buchowetzki  
1926: The Man in the Saddle, de Clifford S. Smith
1927: Tarzan and the Golden Lion, de J. P. McGowan    
1927: Let It Rain (O Incorrigível), de Edward Francis Cline         
1927: The Meddlin' Stranger, de Richard Thorpe
1927: The Princess from Hoboken, de Allan Dale           
1927: The Phantom Buster, de William Bertram  
1927: Soft Cushions, de Edward Francis Cline     
1927: Two Arabian Knights (Dois Cavaleiros Árabes)), de Lewis Milestone 
1927: The Love Mart (O Mercado do Amor), de George Fitzmaurice        
1928: The Vanishing Rider, de Ray Taylor
1928: Burning the Wind, de Henry MacRae, Herbert Blaché         
1928: Vultures of the Sea, de Richard Thorpe
1928: The Little Wild Girl, de Frank Mattison      
1929: The Devil's Chaplain, de Duke Worne       
1929: The Fatal Warning, de Richard Thorpe
1929: The Phantom of the North (O Fantasma), de Harry S. Webb          
1929: Two Sisters, de Scott Pembroke    
1929: Anne Against the World, de Duke Worne
1929: Behind That Curtain, de Irving Cummings
1929: The King of the Kongo, de Richard Thorpe
1929: The Unholy Night, de Lionel Barrymore    
1930: The Bad One (A Ilha do Terror), de George Fitzmaurice    
1930: The Sea Bat (O Monstro Marinho), de Wesley Ruggles        
1930: The Utah Kid, de Richard Thorpe
1930: The Mother's Cry, de Hobart Henley         
1931: Sous les verrous ou Pardon Us, de James Parrott   
1931: The Criminal Code (Código Penal), de Howard Hawks      
1931: King of the Wild Horses (Rei dos Cavalos), de B. Reeves Eason e Richard Thorpe
1931: Cracked Nuts (Doidos Varridos), de Edward F. Cline          
1931: Young Donovan's Kid, de Fred Niblo          
1931: Smart Money, de Alfred E. Green
1931: The Public Defender (O Fidalgo Ladrão), de J. Walter Ruben        
1931: I Like Your Nerve (És o meu Tipo…), de William McGann   
1931: Graft, de William, de Christy Cabanne      
1931: Five Star Final, de Mervyn LeRoy  
1931: The Yellow Ticket (O Passaporte Maldito), de Raoul Walsh            
1931: The Mad Genius, de Michael Curtiz           
1931: The Guilty Generation, de Rowland V. Lee           
1931: Frankenstein (Frankenstein, o Homem que criou um Monstro), de James Whale     
1931: Tonight or Never, de Mervyn LeRoy          
1932: Behind the Mask, de John Francis Dillon    
1932: Alias the Doctor (Doutor), de Lloyd Bacon e Michael Curtiz
1932: Business and Pleasure, de David Butler     
1932: Scarface, Shame of the Nation (Scarface, o Homem da Cicatriz), de Howard Hawks           
1932: The Miracle Man (O Grande Milagre), de Norman Z. McLeod          
1932: Night World (Vida Nocturna), de Hobart Henley    
1932: The Old Dark House (A Velha Casa Sombria), de James Whale      
1932: The Mask of Fu Manchu (O Palácio dos Mistérios), de Charles J. Brabin, Charles Vidor, King Vidor   
1932: The Mummy (A Múmia), de Karl Freund   
1933: The Ghoul (O Ressuscitado), de T. Hayes Hunter  
1934: The Lost Patrol (A Patrulha Perdida), de John Ford           
1934: The House of Rothschild (A Casa dos Rothschild), de Alfred L. Werker 
1934: The Black Cat (Magia Negra), de Edgar G. Ulmer  
1934: Gift of Gab (O Grande Fanfarrão), de Karl W. Freund       
1935: Bride of Frankenstein (A Noiva de Frankenstein), de James Whale
1935: The Raven (O Corvo), de Lew Landers     
1935: The Black Room, de Roy William Neill      
1936: The Invisible Ray (O Raio Invisível), de Lambert Hillyer     
1936: The Walking Dead (Ressuscitados), de Michael Curtiz        
1936: Juggernaut, de Michael Curtiz      
1936: The Man Who Changed His Mind (Quatro Minutos de Vida), de Robert Stevenson      
1936: Charlie Chan at the Opera (Charlie Chan na Ópera), de H. Bruce Humberstone      
1937: Night Key (Olhos Sinistros)), de Lloyd Corrigan      
1937: West of Shanghai As Portas de Xangai), de John Farrow    
1938: The Invisible Menace, de Lloyd Corrigan   
1938: Mr. Wong, Detective (Mr. Wong, Detective), de William Nigh         
1939: Devil's Island (O Segredo da Ilha do Diabo), de William Nigh          
1939: Son of Frankenstein (O Filho de Frankenstein), de Rowland V. Lee    
1939: The Mystery of Mr. Wong (Mistérios da China), de William Nigh      
1939: Mr. Wong in Chinatown (Mr. Wong no Bairro Chinês), de William Nigh 
1939: The Man They Could Not Hang (O Homem que Venceu a Morte), de Nick Grinde     
1939: Tower of London (A Torre de Londres), de Rowland V. Lee          
1940: The Fatal Hour (A Hora Fatal), de William Nigh    
1940: British Intelligence, de Terrell O. Morse    
1940: Black Friday (Sexta-feira, 13), de Arthur Lubin     
1940: The Man with Nine Lives, de Nick Grinde   
1940: Doomed to Die, de William Nigh   
1940: Before I Hang (O Rei da Morte), de Nick Grinde    
1940: The Ape (Monstro Sábio), de William Nigh
1940: You'll Find Out (O Castelo dos Mistérios), de David Butler   
1941: The Devil Commands (O Diabo Manda), de Edward Dmytryk          
1942: The Boogie Man Will Get You (O Fantasma Persegue-te), de Lew Landers
1944: The Climax (Terror na Ópera), de George Waggner         
1944: House of Frankenstein (A Casa de Frankenstein), de Erle C. Kenton 
1945: The Body Snatcher (O Túmulo Vazio), de Robert Wise       
1945: Isle of the Dead (A Ilha dos Mortos), de Mark Robson        
1946: Bedlam(A Casa Sinistra), de Mark Robson
1947: The Secret Life of Walter Mitty (O Homem das Sete Vidas), de Norman Z. McLeod  
1947: Lured (Oito Desaparecidas), de Douglas Sirk         
1947: Unconquered (Inconquistáveis), de Cecil B. DeMille           
1947: Dick Tracy Meets Gruesome (Proezas de Bandidos), de John Rawlins      
1948: Tap Roots (Raízes Fortes), de George Marshall     
1948: The Emperor's Nightingale, de Jiří Trnka   (na versão inglesa)
1949: Abbott and Costello Meet the Killer (Abbott and Costello entre Assassinos), Boris Karloff, de Charles Barton
1951: The Strange Door, de Joseph Pevney        
1952: Colonel March Investigates, de Cy Raker Endfield (compilação de episódios da série televisiva “Colonel March of Scotland Yard”)
1953: The Black Castle (O Castelo do Pavor), de Nathan Juran   
1953: Abbott and Costello Meet Dr. Jekyll and Mr. Hyde (Abbott and Costello e o Monstro), de Charles Lamont     
1954: The Island Monster, de Roberto Bianchi Montero    
1954: The Hindu, de Frank Ferrin         
1957: Voodoo Island, de Reginald Le Borg         
1958: The Juggler of Our Lady, de Al Kousel (animação)
1958: The Haunted Strangler, de Robert Day     
1958: Frankenstein 1970 (Frankenstein 1970), de Howard W. Koch         
1958: Corridors of Blood, de Robert Day            
1963: Black Sabbath, de Mario Bava      
1963: The Terror (O Terror), de Roger Corman
1963: The Raven (O Corvo), de Roger Corman   
1964: Bikini Beach (Bikinis ao Sol), de William Asher       
1964: The Comedy of Terrors (O Gato Miou Três Vezes), de Jacques Tourneur 
1965: Die, Monster, Die! (Morre, Monstro, Morre!), de Daniel Haller       
1966: The Daydreamer, de Jules Bass (só voz)
1966: How the Grinch Stole Christmas!, de Chuck Jones (animação)
1967: The Venetian Affair (Missão Secreta em Veneza), de Jerry Thorpe
1967: Mad Monster Party?, de Jules Bass (só voz)
1967: The Sorcerers, de Michael Reeves            
1968: Targets (Alvos), de Peter Bogdanovich      
1968: Curse of the Crimson Altar (A Maldição do Altar Vermelho), de Vernon Sewell       
1968: The Fear Chamber, de Juan Ibañez, Jack Hill      
1968: House of Evil, de Luis Enrique Vergara, Jack Hill  
1970: El Coleccionista de Cadáveres ou Blind Man's Bluff, de Santos Alcocer, Edward Mann
1971: The Incredible Invasion, de Luis Enrique Vergara, Jack Hill           
1971: Isle of the Snake People, de Juan Ibañez, Jack Hill           

SESSÃO 2 (DUPLA): 14 DE OUTUBRO DE 2013


1. OS DRÁCULAS DA DEPRESSÃO
Após a época que antecedeu a tomada do poder por Hitler e a implantação do III Reich, durante o qual o expressionismo criou uma significativa parada de monstros, outro período conturbado da história mundial esteve na base de nova época áurea do cinema fantástico. Enquanto os EUA atravessavam a mais violenta crise económica da sua história, em fins da década de 20 do século XX e inícios da de 30, a Universal Pictures principiava a explorar um filão que se viria a revelar de invulgar sucesso público. Os filmes de terror principiavam por adaptar obras literárias, tais como "Nossa Senhora de Paris", "O Fantasma da Ópera", "Drácula" ou "Frankenstein", até imporem uma galeria de tipos que, de filme para filme, obrigava à renovação de situações e esquemas sem, no entanto, fugir de uma estrutura tipo. "London After Midnigth", de Tod Browning, com Lon Chaney, marca um dos primeiros grandes sucessos deste tipo de filmes, a que se junta o "Drácula", do mesmo Browning, e "Frankenstein", de James Whale. Enquanto a ameaça indecifrável dos monstros aterrorizava as plateias, a depressão caminhava assustadoramente, sobretudo a partir do Outono de 1929. As operações fraudulentas da bolsa, a corrupção da banca, os jogos financeiros de grande risco, conduziram à miséria grande parte do país. Baixava a produção de aço, baixava o volume de transportes por caminhos-de-ferro, baixava a um nível inesperado a indústria de construção civil, as falências eram sucessivas, o desemprego galopava, a bancarrota uma realidade... O testemunho de David Thompson assinala isto mesmo: "No fim de um mês, os valores da bolsa desceram em quarenta por cento, e, em 1932, havia cinco mil bancos norte-americanos na falência... Entre 1929 e 1932, o comércio mundial reduziu-se a um terço, enquanto o número de desempregados subia vertiginosamente." A crise gerava o pânico, este o suicídio. Industriais, comerciantes, banqueiros e operários desempregados eram encontrados mortos um pouco por todo o lado. A desistência era massiva e viam-se pessoas saltarem de arranha-céus nova-iorquinos, estatelando-se no empedrado.
O cinema americano, que nessa altura era sobretudo Hollywood, encontrava-se quase totalmente dependente de Wall Street, centro nevrálgico da crise. Por isso mesmo, o cinema americano não poderia deixar de reflectir os sintomas mais gritantes dos acontecimentos que condicionavam o seu desenvolvimento. Curiosamente, mas não de uma forma totalmente incompreensível, o cinema americano deste período pouco nos diz, frontalmente, dos problemas que a alta finança ianque (e, como consequência, toda a sociedade) enfrentava. Os filmes de início da década de 30 caracterizam-se principalmente por uma tentativa desviacionista, procurando levar o espectador a despreocupar-se, a libertar-se das nuvens negras que lhe toldavam o quotidiano. Assim é que o musical e a comédia conheceram nesta época um dos seus períodos de ouro (consequência igualmente da recente descoberta do cinema falado, da introdução do som e da… música). Também o cinema de terror, por outros caminhos, tentava desviar a atenção das plateias norte-americanas e mundiais da realidade económica e social que vivia (veja-se o exemplo de “A Rosa Púrpura do Cairo”, onde este tempo é excelentemente descrito pela câmara e a humana compreensão de Woody Allen). O pesadelo que diariamente os atormentava transmutava-se, no ecrã, sob o rosto inumano de Frankenstein ou sob a auréola demoníaca de Drácula. Com a ascensão de Roosevelt ao poder, a época dourada tende progressivamente a desaparecer e os loucos anos 20 adquirem uma nova tonalidade. Aqui de novo o cinema de terror desempenha um papel importante, documentando indirectamente a realidade social americana. Neste aspecto, o admirável “King Kong”, de Meriam Cooper e Schoedsack, retrata bem o angustiante da vida diária das grandes cidades norte-americanas, com os desfiles de mendigos e o estado de desespero da multidão de desempregados. As ameaças, de abstractas e insondáveis, passam a ganhar um outro rosto e a descer à rua.
Entretanto, o êxito desta meia dúzia de filmes, hoje clássicos, aguçam o apetite devorador dos produtores e financiadores que exigiam mais e levaram a receita a repetir-se até à exaustão. Filhos de Dráculas, casas de Dráculas, vampiros daqui e dali, vampiros um pouco por todo o lado, anunciaram a decadência do género, que cai progressivamente a níveis de invulgar mediocridade.



2. DRÁCULA (1931)


Não será por acaso que, no início da década de 30, a Universal Pictures e o produtor Carl Laemmle, Jr. se interessaram em produzir um conjunto de obras de terror que iriam ficar na história como um dos períodos de eleição do género. Na verdade, a América (e o mundo por arrastamento) conhecia nessa altura um dos piores momentos da sua história atravessando a Grande Depressão, desencadeada pelo “Crash” de 1929. Numa época de tantas ameaças e perigos, os “monstros” da Universal, “Drácula” (1931), “Frankenstein” (1931), “The Mummy” (1932), “The Invisible Man” (1933), “Bride of Frankenstein” (1935) e “The Wolf Man” (1941), todos eles significativamente explicados no campo da psicanálise e da simbólica, funcionavam como um prolongamento lógico do clima de instabilidade social e de crise económica. 
O primeiro filme a sair do estúdio e a estrear nos EUA, em Fevereiro de 1931, foi “Drácula”, de Ted Browning, com argumento adaptado de uma peça de teatro homónima de Hamilton Deane e John L. Balderston, que por sua vez se baseava no célebre romance de Bram Stoker. Não era a primeira vez que o vampiro surgia no cinema, mas era a primeira adaptação legal da obra que Bram Stoker escrevera em 1897. Pode mesmo dizer-se que o tema vampiro vem dos primórdios do cinema, precisamente de Georges Méliès, que, em “Le Manoir du Diable”, terá abordado a mitologia do género, bem como Robert Vignola, em “Vampire”, onde mulheres vampiras sugavam desprevenidos homens, ou a sedutora Theda Bara, em “A Fool There Was”. Também na Alemanha, Arthur Robison se terá aproximado, em 1916, desse universo nubeloso, com “Nächte des Grauens”, e fala-se mesmo numa obra recentemente encontrada, “Drakula halála”, um filme húngaro de 1921, que poderá ser a primeira adaptação do romance de Bram Stoker. Mas o primeiro grande filme de vampiros, a obra-prima nunca esquecida de F.W. Murnau, o ainda mudo “Nosferatu”, rodado em 1922, sendo embora uma adaptação de Stoker, era uma versão não autorizada, que alterava um pouco alguns aspectos da obra, para assim se isentar de pagar direitos de autor. Max Schreck no protagonista criaria uma personagem das mais carismáticas da história do cinema.



Chegamos assim ao primeiro “Drácula” sonoro (ainda que, curiosamente, existam cópias mudas do filme para serem vistas em países onde ainda não tinha chegado o sonoro). Mas, durante a pré-produção, o filme esteve previsto para ser mudo, na tradição de outras obras da década de 20, como “The Hunchback of Notre Dame” (1923) ou “The Phantom of the Opera” (1925). E o actor indicado inicialmente para criar o vampiro tinha sido Lon Chaney, “o homem das mil caras”, com quem Tod Browning já tinha trabalhado, em 1927, em “London After Midnight”. Mas Lon Chaney haveria de falecer, vítima de cancro, e os responsáveis pela produção colocaram a hipótese de Bela Lugosi, que interpretara o papel no teatro durante alguns anos. Mas antes falou-se de outros nomes, como Paul Muni, Chester Morris, Ian Keith, John Wray, Joseph Schildkraut, Arthur Edmund Carewe ou William Courtenay. Lugosi vingou. De resto, ele era um actor mais em conta, sobretudo numa época de crise. Acabaria por ser um bom negócio. Húngaro por nascimento, Lugosi conciliava o mistério e a sedução, um sotaque estranho e uma forma de representar que na altura resultou bem, a meio caminho entre o cinema “mudo” e o sonoro.
A versão teatral reduzia a intriga ao essencial e, sobretudo, encaixava-a em espaços reduzidos, o que satisfazia igualmente as necessidades de economia da produção. O talento de Tod Browning e do seu director de fotografia, Karl Freund, um mestre a criar ambientes e sugerir emoções através da iluminação, fizeram o restante. Há mesmo quem afirme que grande parte do êxito de “Drácula” ficou a dever-se mais a Karl Freund do que a Tod Browning. Mas Browning foi um cineasta de invulgar sensibilidade e de apurado sentido plástico, o que fica bem testemunhado neste (e noutros, como “Freaks”) trabalho seu.
O filme principia com a viagem do advogado Renfield (Dwight Frye) que, numa noite de "Walpurgis", atravessa os Cárpatos, dirigindo-se a Borgo Pass, na Transilvânia, onde se situa o castelo do conde Drácula. A sua intenção é alugar-lhe uma propriedade em Inglaterra, a sinistra e abandonada abadia Carfax, perto de Londres, para o conde aí residir. Os passageiros da diligência onde viaja e os habitantes da estalagem onde pára mostram-se assustados com a ida de Renfield para as terras do conde, onde afirmam existirem vampiros. Mas o advogado persiste na sua tarefa, tem à sua espera uma outra carruagem, mais que suspeita, que o conduz a um castelo abandonado e lúgubre, numa noite de maus presságios. Drácula (Béla Lugosi) recebe-o, conclui o negócio, droga-o com uma bebida, hipnotiza-o e faz de Renfield um fiel escravo que, a partir daí, irá cuidar do seu senhor. Ele o ajudará a chegar a Inglaterra, a bordo do Vespa, uma escuna que transporta os caixões do conde e das suas mulheres, em terra natal.
A chegada do Vespa ao porto faz sensação, dado que toda a tripulação está morta e Renfield parece ser o único sobrevivente, mas completamente enlouquecido, alimentando-se do sangue de pequenos animais, ratos, aranhas, moscas, formigas. Vai parar a um hospício que, por coincidência, fica paredes-meias com a abadia de Drácula. É altura ideal para que o sequioso vampiro inicie os seus ataques. Uma vendedora de flores incauta, numa nocturna esquina londrina, é a primeira vítima. Outras se lhe seguirão, mas será Mina (Helen Chandler), filha do Dr. Jack Seward, quem irá disputar os seus cuidados especiais.



Perante o desvario da jovem, surge o Dr. Abrahan Van Helsing (Edward Van Sloan), que rapidamente descobre que Mina se encontra entre a vida e a morte, sob a ameaça de um vampiro. Mais tarde, durante uma reunião, Van Helsing percebe que a imagem de Drácula não se reflecte nos espelhos, o que é mais uma prova de se encontrar perante um vampiro. A luta entre o Bem e o Mal será total até o triunfo final da estaca cravada no coração do vampiro. Pelo meio, aparecem os acónitos, uma planta venenosa, mas também medicinal, cuja presença os vampiros não toleram (mais tarde substituída pelos alhos) e os crucifixos. Toda a iconografia do vampirismo se começa a estabelecer no cinema. Depois de “Nosferatu”, é este “Drácula”, de Browning, o instigador de toda uma mitologia dedicada a estes mortos-vivos que se alimentam de sangue e que não têm receio de afirmar que “há coisas reservadas ao homem muito piores que a morte”. Curiosamente, os caninos ainda não cresceram desmedidamente neste filme, mas toda a atmosfera do cinema fantástico, do melhor cinema fantástico, que vive mais de sugestões insinuadas do que de violência expressa, já está inscrita nesta obra.
Na sua apresentação inicial, o filme terminava com um epílogo, onde o Dr. Van Helsing se dirigia aos espectadores, procurando acalmá-los. Mas acrescentava: “A força do vampirismo reside no facto das pessoas não acreditarem na sua existência.” O epílogo foi mais tarde cortado por imposição do código Hays, bem como duas ou três cenas mais violentas.
O que impõe “Drácula” como um modelo de obra fantástica é algo que discretamente perpassa por toda a película. Uma sensação de pesadelo que o jogo de sombras e luzes acentua, numa clara demonstração de que a lição do expressionismo alemão foi bem aprendida. A arquitectura, os arcos e as escadas, a decoração barroca, a iluminação escassa, os pontos de luz estrategicamente colocados (os olhos de Drácula justificam sempre uma pontuação luminosa especial), o guarda roupa estilizado (os vestidos brancos das vampiras que se deslocam planando sobre o chão, dobradas sobre o peso da maldição), mesmo o tipo de representação, hoje excessiva aos nossos olhos, mas nessa altura compreensível como continuação de técnicas do cinema “mudo”, tudo isto são aspectos que concorrem para o êxito desta obra belíssima que continua a apaixonar gerações de cinéfilos, possivelmente por outras razões das que promoveram o seu sucesso na década de 30. Presentemente até a patine do tempo lhe empresta uma sedução muito própria e um brilho muito original.

DRÁCULA
Título original: Dracula
Realização: Tod Browning (EUA, 1931); Argumento: Louis Bromfield, Max Cohen, Garrett Fort, Dudley Murphy, Louis Stevens, segundo peça de Hamilton Deane e John L. Balderston, adaptado de um romance de Bram Stoker; Música: Philip Glass (score de 1999), Richard Wagner, Franz Schubert  ("Symphony Nr. 8"), Pyotr Ilyich Tchaikovsky ("Swan Lake"); Fotografia: Karl Freund; Montagem: Milton Carruth; Casting: Phil M. Friedman; Direcção de arte: Charles D. Hall; Decoração: Russell A. Gausman; Maquilhagem: Jack P. Pierce; Departamento de arte: John Hoffman, Herman Rosse; Som: C. Roy Hunter; Efeitos visuais: Frank H. Booth, John P. Fulton; Produção: E.M. Asher, Tod Browning, Carl Laemmle Jr.; Companhia de produção: Universal Pictures; Intérpretes: Bela Lugosi (Conde Dracula), Helen Chandler (Mina Seward), David Manners (Jonathan Harker), Dwight Frye (Renfield), Edward Van Sloan (Prof. Abraham Van Helsing), Herbert Bunston (Dr. Jack Seward), Frances Dade (Lucy Weston), Joan Standing (Briggs, enfermeira), Charles K. Gerrard (Martin), Tod Browning, Michael Visaroff, Anna Bakacs, Nicholas Bela, Daisy Belmore, Moon Carroll, Geraldine Dvorak, Carla Laemmle, Donald Murphy, Cornelia Thaw, Dorothy Tree, Josephine Velez, Carl Laemmle (apresentador), etc. Duração: 75 minutos; Distribuição em Portugal: Filmes Lusomundo (cinema); Universal (DVD); Classificação etária: M/16 anos; Estreia em Portugal: Caleidoscópio, a 16 de Março de 1976 (desconhece-se se anteriormente houve outra exibição).

TOD BROWNING (1880-1962)
Charles Albert "Tod" Browning nasceu em Louisville, Kentucky, EUA, a 12 de Julho de 1880 e viria a falecer em Hollywood, Califórnia, a 6 de Outubro de 1962.
De vida aventurosa e romântica, era filho de “boas famílias”, causando um certo escândalo quando aos 16 anos partiu atrás de uma artista de circo por quem se apaixonara. Foi palhaço, contorcionista, jockey, gerente de teatro, até encontrar D.W. Griffith e tornar-se actor. A sua estreia no cinema data de 1916, em “Intolerância”, mas rapidamente passa a realizador de filmes sem grande significado. O seu primeiro sucesso parece ter sido “A Trindade Maldita” (1925), onde começou a impor um estilo próprio, mesclando fantasia, horror e mistério.
“Drácula” (1931) tornou-o um mito no campo do cinema fantástico e “Freaks, a Parada dos Monstros” (1935) afirma-o como um dos mais originais autores de cinema de todos os tempos, tornando-se um cineasta de culto. David Bowie homenageia-o na sua canção "Diamond Dogs", que reaparece em “Moulin Rouge!” (2001). Casado com Amy Louise Stevens (1906 - 1910) e Alice Browning (1911 – até à data da morte desta, em 1944).

Filmografia
1914: By the Sun's Rays (curta-metragem)
1915: The Living Death (curta-metragem)
1915: Little Marie (curta-metragem)
1915: The Lucky Transfer (curta-metragem)
1915: The Slave Girl (curta-metragem)
1915: An Image of the Past (curta-metragem)
1915: The Highbinders (curta-metragem)
1915: The Story of a Story (curta-metragem)
1915: The Spell of the Poppy (curta-metragem)
1915: The Electric Alarm (curta-metragem)
1915: The Burned Hand (curta-metragem)
1915: The Woman from Warren's (curta-metragem)
1916: The Mystery of the Leaping Fish (curta-metragem)
1916: The Fatal Glass of Beer
1916: Everybody's Doing It
1916: The Fatal Glass of Beer
1916: Puppets
1917: Jim Bludso
1917: A Love Sublime
1917: Hands Up!
1917: Peggy, the Will O' the Wisp
1917: The Jury of Fate
1918: Which Woman?
1918: The Legion of Death
1918: The Brazen Beauty
1918: The Eyes of Mystery
1918: Revenge
1918: The Deciding Kiss
1918: Set Free
1919: Bonnie Bonnie Lassie
1919: The Wicked Darling
1919: The Exquisite Thief
1919: The Unpainted Woman
1919: The Petal on the Current
1920: The Virgin of Stamboul (A Virgem de Istambul)
1920: Outside the Law
1921: No Woman Knows
1922: The Wise Kid (A Menina Prodígio)
1922: Man Under Cover
1922: Under Two Flags (Sob Duas Bandeiras)
1923: Drifting (No Turbilhão)
1923: The Day of Faith
1923: White Tiger
1924: The Dangerous Flirt
1924: Silk Stocking Sal
1925: The Unholy Three (A Trindade Maldita)
1925: The Mystic (A Filha do Cigano)
1925: Dollar Down
1926: The Blackbird (O Lacrau)
1926: The Road to Mandalay (O Homem de Singapura)
1927: The Unknown (O Homem sem Braços)
1927: London After Midnight (Londres Depois da Meia-Noite)
1927: West of Zanzibar (Em Plena Selva)
1927: The Show (O Palácio da Ilusão)
1928: The Big City (Ladrões de Joias)
1929: Where East is East (Oriente)
1929: The Thirteenth Chair
1930: Outside the Law
1931: Dracula (Drácula)
1931: Iron Man
1932: Freaks (Freaks, a Parada dos Monstros)
1933: Fast Workers (não creditado)
1935: Mark of the Vampire
1936: The Devil-Doll (A Boneca do Diabo)
1939: Miracles for Sale

BÉLA LUGOSI (1882-1956)
Béla Ferenc Dezsõ Blaskó, nasceu a 20 de Outubro de 1882, em Lugoj, região de Banat (donde o pseudónimo Lugosi), então uma cidade do Império Austro-Húngaro, hoje integrada na Hungria. Faleceu a 16 de Agosto de 1956, com 73 anos, em Los Angeles, Califórnia, EUA.
Era o mais jovem dos quatro filhos de um banqueiro. Julga-se que fugiu de casa aos 11 anos, deixando a escola e indo trabalhar como mineiro. Ainda adolescente, principia a sua carreira teatral, em 1901, na companhia de Pesti-Ihasz Lagos. Trabalha depois nas companhias de Polgar Karoly e Krecsanyi Ignace e, em 1910, vamos encontrá-lo no teatro de Szeged. A 4 de Setembro de 1911, estreia-se no teatro Magyar Ssinhar de Budapeste, no papel do conde Wronsky, de “Anna Karenine”. Entre 1912 e 1919 faz parte do Teatro Nacional Húngaro, em Budapeste. Os seus papéis principais são Romeu, Hamlet, Manfred, Guilherme Tell, Brigadeiro de Ocskay, etc. Interpreta ainda diversos filmes húngaros, sob o pseudónimo de Arisztid Olt.
Durante a guerra, encontramo-lo na frente, como tenente do 43º Regimento de Infantaria Húngara. Alguns afianaçam que foi ferido três vezes, com gravidade, e que decorre daí a sua dependência de drogas para alívio das dores. Mas também há quem diga que conseguiu furtar-se à guerra, fazendo-se passar por doido.
Em 1918, porém, organiza o sindicato dos actores. Um ano depois, desempenha importante actividade política sob o regime dos soviéticos. Com a queda do regime, deixa a Hungria. Em Berlim iremos encontrá-lo sob a direcção de F. W. Murnau, em “Januskopt”.
Em 1921 parte para a América. Interpreta imensos filmes e trabalha no teatro durante anos, percorrendo os Estados Unidos como protagonista da peça “Drácula”, de Bram Stocker, numa adaptação teatral de John Balderston. Será o êxito deste trabalho que o levará a ser convidado por Tod Browning para interpretar o filme de 1931, ano em que se naturaliza americano. Interpretou quase uma centena de filmes, muitos dos quais de fraca qualidade, mas há muitos a merecerem ser destacados, como “Murders in the Rue Morgue”, “The Raven”, “Mark of Vampire”, “Son of Frankenstein”, “The Ghost of Frankenstein”, “The Corpse Vanishes”, etc. De qualquer forma, nunca se afastou da sua representação de “Drácula” que marcaria toda a sua carreira. O final da sua vida foi dramático, quer de um ponto de vista pessoal, completamente dependente das drogas, quer profissional, arrastando-se em obras de péssima qualidade, algumas de Ed Wood, que, todavia, o amparou nesse período difícil. O seu último filme foi “Plan 9 from Outer Space”, de Ed Wood, morrendo no decorrer das filmagens. Vivia obcecado pela personagem de Drácula, dormia num caixão e foi enterrado com a capa do conde vampiro.
Casa-se cinco vezes, a última das quais em 1955. Teve um filho, Bela George (nascido a 6 de Janeiro de 1938).
Morreu a 16 de Agosto de 1956, depois da filmagem de The Black Sleep. Sepultado no Holly Cross Cemetery de Los Angeles. Em "Ed Wood", de Tim Burton, Martin Landau interpretou a figura de Lugosi, tendo ganho um Oscar por este papel. Uma estátua de Bela Lugosi existe presentemente num dos cantos do Castelo Vajdahunyad, em Budapeste. Possui uma estrela no Hollywood Walk of Fame. Ao lado de Boris Karloff é um dos ícones maiores do cinema fantástico.

Filmografia
1917: Az Ezredes, de Michael Curtiz
1919: Sklaven fremden Wallens, de R. Eichberg
1920: Der Januskopf, de F. W. Murnau
1920: The Last of the Mohicans (O Último dos Moicanos) (versão alemã)
1923: The Silent Command, de J. Gordon Edwards
1924: The Rejected Woman, de Albert Parker 
1925: Midnight Girl, de Wilfred Noy
1925: Daughters Who Pay, de George Terwilleger
1928: How to Handle Women, de William James Craft
1929: The Veiled Woman, Emmett J. Flynn
1929: Prisoners, de WiIIiam A. Seiter
1929: The Thirteenth Chair, de Tod Browning
1930: Viennese Nights, Alan Crosland
1930: Such Men Are Dangerous, de Kenneth Hawks
1930: Wild Company, de Leo MacCarey
1930: Oh, for a Man (O Amor entra pela Janela), Hamilton MacFadden
1930: Renegades (Os Renegados), de Victor Fleming
1931: Frankenstein (duas bobines de ensaio), de Robert Florey
1931: The Black Camel, de H. MacFadden
1931: Women of All Nations (Mulheres de Todas as Nações), de Raoul Walsh
1931: Drácula (Drácula), de Tod Browning
1931: Fifty Million Frenchmen, de Lloyd Bacon
1931: Broadminded, de Melvyn Le Roy
1932: Chandu the Magician (Chandu, o Mágico Branco), de Marcel Varnel e William Carneron
1932: Murders in the Rue Morgue (Os Crimes da Rua Morgue), de Robert Florey
1932: White Zombie, de Victor Halperim
1932: Island of Lost Souls (A Ilha das Almas Selvagens), de Erle C. Kenton
1933: International House (Casa Internacional), de Edwards Sutherland
1933: Night of Terror, de Benjamim Skoloff
1933: The Devil's in Love (Audácia que Redime), de William Dieterle
1933: Mickey’s Gala Premiere, de Walt Disney
1933: The Death Kiss, de Edwin L. Marin
1933: The Whispering Shadow (A Seita de Terror), de Albert Herman e Colbert Clark
1934: Chandu on the Magic Island, de Rod Taylor
1934: Gift of Gab (O Grande Fafarrão), de Karl Freund
1934: The Return of Chandu, de Rod Taylor
1934: The Black Cat (Magia Negra), de Edgar G. Ulmer
1935: The Best Man Wins, de Erle C. Kenton e E. Roy Davidson
1935: The Mysterious Mr. Wong, de William Nigh
1935: The Raven (O Corvo), de Louis Friedlander
1935: Mark of the Vampire, de Tod Browning
1935: Murder by Television, de Clifford Staniforth
1936: The Mystery of the Marie Celeste ou Phantom Ship, de Denison Clift
1936: The Invisible Ray (O Raio Invisível), de Lambert Hillyer
1936: Postal Inspector, de Otto Brower
1936: Shadow of Chinatown (A Sombra do Bairro Chinês), de Roberf F. Hill
1936: Dracula's Daughter (O Vampiro Humano), de Lambert Hillyer
1937: S.O.S. Coast Guard, de William Witney e Alan James
1939: Son of Frankenstein (O Filho de Frankstein), de Rowland V. Lee
1939: The Phantom Creeps, de Ford Beebe e Saul A. Goodkind
1939: The Human Monster, de Walter Summers
1939: The Gorilla (O Gorila), de Allan Dwan
1939: Ninotchka (Ninotchka), de Ernst Lubitsch
1940: The Saint's Double Trouble, de Jack Hively
1940: You'll Find Out (O Castelo dos Mistérios), de David Butler
1940: Black Friday (Sexta-feira, 13), de Arthur Lubin
1941: The Wolf Man (O Homem Lobo ou Lobo entre Lobos), de George Waggner
1941: The Black Cat (O Gato Preto), de Albert S. Rogell
1941: Spooks Run Wild, de Phil Rosen
1941: The Devil Bat, de Lean Yarbrough
1941: The Invisible Ghost, de Joseph H. Lewis
1942: Black Dragons, de William Nigh
1942: The Corpse Vanishes, de Wallace Fox
1942: Frankenstein Meets the Wolfman (Frankenstein contra o Homem-Lobo), de Roy William Neil
1942: Bowery at Midnight (O Sábio Assassino), de Wallace Fox
1942: Eyes of the Under World de William Neill
1942: The Phantom Killer, de William Beaudine
1942: Night Monster, de Ford Beebe
1942: The Ghost of Frankenstein (A Sombra de Frankenstein), de Erle C- Kenton
1943: The Return of the Vampire (O Regresso do Vampiro), de Lew Landers
1943: The Old Dark House (A Velha Casa Sombria), de Tod Browning
1943: The Ape Man, de William Beaudine
1943: Ghosts on the Loose (Fantasmas à Solta), de William Beaudine
1944: Return of the Ape Man (O Regresso do Homem Gorila), de Phil Rosen
1944: Zombies on Broadway, de Gordon Douglas
1944: One Body Too Many, de Frank Mc Donald
1944: The Voodoo Man, de William Beaudine
1944: The Black Parachute, de Lew Landiers
1945: The Body Snatcher (O Túmulo Vazio), de Robert Wise
1946: Genius at Work (O Crime da Semana), de Leslie Goodwins
1946: Devil Bat's Daughter, de Frank Wisbar
1947: Scared to Death, de Christy Cabanne
1948: Abbott and Costello Meet Frankenstein (Abbott and Costello e os Monstros), de Charles T. Barton
1952: Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla, de William Beaudine
1952: Old Mother Riley Meets the Vampire, de John Gilling
1953: Glen or Glenda?, de Edward D. Wood Junior
1955: Bride of the Monster, de Edward D. Wood Junior
1956: The Black Sleep (A Torre dos Monstros), de Reginald Le Borg
1956: Plan 9 from Outer Space, de Edward D. Wood Junior

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SESSÃO 1: 7 DE OUTUBRO DE 2013



MARROCOS (1930) 
JOSEF VON STERNBERG / MARLENE DIETRICH 


Josef von Sternberg vinha de um grande sucesso na Alemanha, onde rodara “O Anjo Azul”, com o enorme Emil Jaennings, filme que dera a conhecer ao mundo a beleza, o talento e a misteriosa sensualidade de Marlene Dietrich. Fora convidado pela Paramount Pictures para filmar nos EUA com garantias de total liberdade. Trouxe consigo a “sua” descoberta, que se tornara igualmente a grande paixão da sua vida. Fora Marlene que lhe oferecera um exemplar de “Amy Jolly, die Frau aus Marrakesch” (“Amy Jolly, the Woman from Marrakesh”), um romance de Benno Vigny que, conjuntamente com o argumentista Jules Furthman, vai transformar em “Morocco”, segundo filme da celebrada série de sete que dirigiu tendo Marlene como protagonista. 
“Morocco” é uma história de amor romântica, estilizada, exótica, passada entre ao bares e as casas de espectáculo de Mogador e as quentes areias do deserto marroquino. Marrocos era, por essa altura, um território de administração francesa, uma terra perdida que acolhe personagens com um passado nebuloso. São as legiões estrangeiras, de que se conhece sobretudo a lenda das masculinas, mas de que também se sabe a existência de “legiões estrangeiras femininas”. Tom Brown (Gary Cooper) é um legionário francês (francês?, com esse nome?) que tenta esquecer o que ficou para trás e se entretém, entre duas expedições, a coleccionar o amor de mulheres que, muitas vezes, o seguem pelo deserto fora, atrás da sua companhia, até ao próximo oásis. Chama-se a si próprias a “retaguarda”. Tom Brown confessa que nunca encontrou a mulher que o convencera a casar. Mogador é no entanto terra de encontros. Enquanto por um lado a companhia de Tom Brown regressa à cidade para uma curta trégua, nesse mesmo dia entra no porto de Mogador um navio trazendo uma cantora de cabaret, Amy Jolly (Marlene Dietrich), e um sofisticado francês, Le Bessiere (Adolphe Menjou), milionário e pintor, que se mostra desde logo apaixonado pela misteriosa mulher de uma beleza singular. Pede informações sobre a mesma ao comandante do navio que o elucida: “É uma dessa passageiras suicidas, que compram só um bilhete de vinda. Nunca regressam.” 


Nessa noite todos se encontram num mesmo recinto: Amy Jolly estreia-se como novidade num bar local, Tom Brown espreguiça-se, entre mesas e cadeiras, enquanto bebe e é acarinhado por mulheres, e Le Bessiere revive o convívio de velhos amigos. O bar está dividido em várias zonas, descendo do palco, onde Amy Jolly cintila, até ao reduto mais popular, o de Tom Brown, passando pela zona reservada aos cavalheiros de posses, dominada pela elegância de Le Bessiere e amigos. Amy Jolly define-se na primeira canção, deambulando entre os espaços. Foge dos avanços dos cavalheiros, beija na boca uma mulher, troca seduções com Tom Brown e oferece-lhe discretamente a chave do seu aposento. Ao encontrarem-se após a actuação, o legionário aponta uma fotografia na parede, onde se percebe que Amy Jolly pode ser uma russa exilada. Mas escusa-se a esclarecer: “Nunca se pergunta donde vêm na Legião Estrangeira. Há uma legião estrangeira das mulheres.” Sobre este filme Sternberg conta uma “anedota” que se julga particularmente reveladora da arte deste cineasta. Pouco tempo depois da estreia de “Marrocos”, Sternberg encontra-se em Cannes com o Pachá? governante de Marraquexe que lhe perguntou em que altura o cineasta tinha filmado em Marrocos. Sternberg respondeu-lhe que rodara toda a obra na Califórnia, e que nunca tinha posto os pés em Marrocos, perante a maior surpresa do seu interlocutor. Para Sternberg a veracidade de uma realidade tinha a ver mais com a autenticidade da essência do que da aparência. E se a essência fosse plausível, a aparência também o seria. Sternberg não aspirava ao realismo imediato, mas a uma realidade interior que a beleza da arte conseguia captar e transmitir. Os seus filmes são explosões de secretas emoções, de desejos reprimidos, de passados recalcados, de sonhos irrealizáveis que se perseguem. Nas suas obras os contornos não são precisos, mas tudo se evoca por entre sombras e brumas, onde a plausibilidade de personagens e situações se joga na consistência estética do projecto e nunca na sua verosimilhança realista. Em “Marrocos”, há que concordar, que muito pouco é credível. O lado romântico sobrepõe-se a tudo, mas o importante é perceber como Sternberg e os seus intérpretes tornam possível esta história de amor louco, de uma cantora de cabaret que renuncia a uma vida de luxo que lhe era oferecida por La Bessière, trocando-a pelo amor de um legionário, a quem irá seguir pelas areias do deserto, depois de se despojar dos seus sapatos de saltos altos, numa das cenas mais míticas da história do cinema. 
 Mas esta sequência final não é única nesta verdadeira obra-prima. A primeira actuação de Amy Jolly no cabaret, vestida de calças e casaca preta e ostentando uma cartola, é igualmente inesquecível e só possível pela a inexistência do código Hays que se anunciava no horizonte. Outra sequência de antologia acontece durante um jantar em que La Bessière se prepara para anunciar o seu casamento com Amy e esta petrifica ao ouvir os tambores anunciando o regresso da companhia de legionários, acabando por quebrar o colar de pérolas que rolam pelo chão. O frémito da paixão incontrolável perpassa por este filme e esse dom de Sternberg, actores e técnicos transforma “Marrocos” numa referência, num momento de lampejo de génio e de fulgor criativo. É impossível resistir à emoção que se sente unir realizador e intérpretes e actores entre si. A chama que se acende entre Marlene e Gary Cooper ou entre Dietrich e Menjou é tão intensa que galvaniza as plateias. Nesse ano, seria nomeado para quatro Oscars da Academia, Melhor Actriz (Dietrich), Melhor Realizador (Sternberg), Melhor Direcção Artística (Hans Dreier), e Melhor Fotografia (Lee Germnes). 

MARROCOS Título original: Morocco Realização: Josef von Sternberg (EUA, 1930); Argumento: Jules Furthman, segundo romance de Benno Vigny (“Amy Jolly, die Frau aus Marrakesch”, “Amy Jolly, the Woman from Marrakesh”); Produção: Hector Turnbull; Música: Karl Hajos; Fotografia (p/b): Lee Garmes, Lucien Ballard; Montagem: Sam Winston; Direcção de produção: Elizabeth McGreary; Assistente de realização: Henry Hathaway; Som: Harry D. Mills; Companhias de produção: Paramount Pictures; Intérpretes: Gary Cooper (Legionário Tom Brown), Marlene Dietrich (Mademoiselle Amy Jolly), Adolphe Menjou (Monsieur La Bessiere), Ullrich Haupt (Caesar), Eve Southern (Madame Caesar), Francis McDonald, Paul Porcasi, Emile Chautard, Juliette Compton, Albert Conti, Thomas A. Curran, Theresa Harris, Harry Schultz, Michael Visaroff, etc. Duração: 92 minutos; Distribuição em Portugal: Sif (cinema); Universal (DVD); Classificação Etária: M/12 anos; Estreia em Portugal: 26 de Dezembro de 1931.


JOSEF VON STERNBERG (1894–1969) 
Jonas Sternberg nasceu a 29 de Maio de 1894, em Viena de Áustria, e viria a falecer a 22 de Dezembro de 1969, em Hollywood, Califórnia, EUA. Assinou como Jonas Sternberg, Jo Sternberg, Josef Von Sternberg ou Joseph Von Sternberg. Originário de uma família pobre, judia, emigrou aos sete anos para os EUA, regressou à Áustria pouco depois, mas em 1908 voltou à América. Divide, pois, a sua juventude entre Viena e Nova Iorque, até arranjar um emprego no World Film Corporation, um estúdio de cinema, em Fort Lee, New Jersey, onde subiu a pulso os degraus (assistente de realização, montador, argumentista, consultor do patrão William A. Brady) até conseguir chegar à realização, em 1925, com “The Salvation Hunters”, que teve bom acolhimento de público e crítica. Começou a fazer-se notar por um estilo de trabalho sofisticado ao nível na encenação e da iluminação, continuando a sua carreira no “mudo” com várias obras, entre as quais “Underworld” (1927) que o tornou célebre e um dos cineastas de maior renome da época. Conta-se que em 1924, o actor e realizador Elliot Dexter o convenceu a acrescentar o Von para figurar no genérico de “The Divine Right”, filme dirigido por Roy William Neill, no qual Sternberg colaborou como co-argumentista e assistente de realização. A amizade com o actor alemão Emil Jennings, permitiu-lhe ser convidado pela UFA para dirigir “O Anjo Azul”, um dos primeiros filmes sonoros europeus, onde Jennings contracenava com a desconhecida Marlene Dietrich, que Sternberg irá projectar para a glória, no papel de Lola Lola, a cantora de cabaret que lança na desgraça e na depravação o puritano professor Unrat. Esta sua incursão pelo cinema alemão é de curta duração, pois partirá para América logo a seguir, levando consigo a sua descoberta e previsivelmente o seu grade amor, Marlene, com quem trabalha em mais seis filmes, “Marrocos” (1930), “Fatalidade”, “O Expresso de Xangai”, “A Vénus Loira”, “A Imperatriz Vermelha” e “O Diabo é uma Mulher” (1935). Personalidade fortíssima, irredutível nas suas decisões, obcecado por uma ideia de cinema muito pessoal, Josef von Sternberg passou a ter uma vida difícil no interior da indústria cinematográfica norte-americana, a partir da altura em que se distanciou de Marlene, após alguns falhanços comerciais, e depois de desentendimentos vários com Ernst Lubitsch, então o director de produção da Paramount Pictures, estúdio a que Sternberg se encontrava vinculado. Em 1932, Sternberg encomenda ao arquitecto Richard Neutra uma casa de traça modernista, vanguardista, que fez furor na época. A partir de meados da década de 30, o cineasta, senhor de forte personalidade e homem de convicções fortes, avesso a conciliações e seguro das suas ideias, teve a vida dificultada e muitos projectos abandonados, outros estropiados no final por montagens alheias à sua vontade e impostas pelos estúdios. Não mais voltaria a ter grandes sucessos e a sua carreira viu-se confinada. “Macao”, de 1952, foi a última realização pessoal para Hollywood. “Anatahan”, de 1953, realizado, escrito, narrado, fotografado, montado por Sternberg, foi rodado no Japão, conta a história de um grupo de soldados japoneses que, alguns anos depois do término da II Guerra Mundial, se recusam a acreditar que a mesma tenha acabado. “Jet Pilot”, lançado em 1957, assinado conjuntamente com Jules Furthman, corresponde no entanto a uma rodagem anterior, só terminada nesse ano. Entre 1959 e 1963, deu aulas na universidade da Califórnia, em Los Angeles, onde foi professor de alunos como Jim Morrison e Ray Manzarek, que o indicaram como uma das grandes influências para a criação dos “The Doors”. Em 1965, Sternberg escreve uma autobiografia, “Fun in a Chinese Laundry”, uma recordação irónica e mal digerida da sua vida em Hollywood. Morre aos 75 anos, em 1969, de ataque de coração, e foi enterrado no Westwood Village Memorial Park Cemetery, em Westwood, na Califórnia. Casou com Riza Royce (1926 - 1930), Jean Avette McBride (1945 - 1947) e Meri Otis Wilner (1948 – até à data da morte do cineasta), de quem teve um filho, Nicholas Josef von Sternberg.

Filmografia: Filmes mudos: 1925: The Salvation Hunters (O Cigano Amador) 1926: Exquisite Sinner (O Colar de Diamantes) (cópia perdida) 1926: A Woman of the Sea ou The Sea Gull ou Sea Gulls 1927: It (Aquilo) (terminado por Clarence Badger) 1927: Children of Divorce (Filhos do Divórcio) (terminado por Frank lloyd) 1927: Underworld (Vidas Tenebrosas) 1928: The Last Command (A Última Ordem) 1928: The Dragnet (A Rusga) (cópia perdida) 1928: The Docks of New York (Docas de Nova Iorque) 1928: Street of Sin (terminado por Mauritz Stiller, com colaboração ainda de Ludwig Berger, Lothar Mendes) 1929: The Case of Lena Smith (Amor de Mãe) (cópia perdida) curta-metragem Filmes sonoros: 1929: Thunderbolt (Debandada) 1930: The Blue Angel (O Anjo Azul) 1930: Morocco (Marrocos) 1931: Dishonored (Fatalidade) 1931: An American Tragedy (Uma Tragédia Americana) 1932: Shanghai Express (O Expresso de Xangai) 1933: The Song of Songs (O Cântico dos Cânticos) 1932: Blonde Venus (A Vénus Loira) 1934: The Scarlet Empress (A Imperatriz Vermelha) 1935: The Devil is a Woman (O Diabo é uma Mulher) (1935) 1935: Crime and Punishment (Punição) 1935: The Fashion Side of Hollywood (documentário, curta-metragem) 1936: The King Steps Out (Amores de Príncipes) 1937: I, Claudius (inacabado) 1938: The Great Waltz (A Grande Valsa) (terminado por Julien Duvivier, com a colaboração ainda de Victor Fleming) 1939: Sergeant Madden (O Escravo do Dever) 1940: I Take This Woman (Esta Mulher é Minha) (terminado por W.S. Van Dyke, com a colaboração ainda de Frank Borzage) 1941: The Shanghai Gesture (Aconteceu em Xangai) 1943: The Town – curta-metragem 1946: Duel in the Sun (Duelo ao Sol) (terminado por King Vidor) 1952: Macao (Macau) 1952-58: Anatahan ou The Saga of Anatahan (A Saga de Anatahan) 1957: Jet Pilot (As Estradas do Inferno) (assinado conjuntamente com Jules Furthman) 


MARLENE DIETRICH (1901–1992) Marie Magdelene Dietrich von Losch (mais conhecida por Marlene Dietrich) nasceu em Berlin, Alemanha, a 27 de Dezembro de 1901. Faleceu em Paris, com 90 anos, no dia 6 de Maio de 1992. Nalguns trabalhos aparece com o nome de Marlena Dietrichová ou Maria Magdalene Sieber. Ela era a mais nova das duas filhas (a irmã Elisabeth era um ano mais velha) de Filha de Louis Erich Otto Dietrich, oficial do exército, e de Wilhelmina Elisabeth Josephine Dietrich, esta oriunda de uma abastada família berlinense que tinha uma fábrica de relógios. Marlene cursou teatro e participou desde nova em vários filmes, inicialmente como figurante, e progressivamente ganhando maior relevo. Em 1921, casou-se com um assistente de realização, Rudolf Sieber, de quem teve uma única filha, Maria, em 1924. Josef von Sternberg “descobriu-a e lançou-a como protagonista de “Der Blaue Engel” (1930), baseado no romance de Heinrich Mann, “Professor Unrat”. Foi o início de um idílio marcado por sete filmes nos quais Marlene Dietrich e Sternberg trabalharam juntos. Depois apareceu em dezenas de obras de outros cineastas, sempre com resultados brilhantes. Convidada por Hitler para protagonizar filmes alemães, recusou o convite e tornou-se cidadã norte-americana. Hitler não lhe perdoou o ultraje e chamou-a de traidora. Durante a II Guerra Mundial, multiplicou-se em espectáculos para as tropas aliadas, sendo por isso condecorada, no pós guerra. Essa faceta de cantora foi depois explorada, a partir de 1951, em espectáculos em Las Vegas, no “Sahara Hotel”, e em tournées mundiais, visitando inúmeros países. Regressou à Alemanha em 1962, mas nem todos lhe agradeceram o regresso. Nos últimos anos da sua vida, viva recolhida no seu apartamento em Paris, onde morreu aos noventa anos de idade, de causas naturais, segundo a versão oficial, de suicídio, segundo alguns rumores. Encontra-se sepultada em Berlin-Schöneberg (Friedhof Schöneberg III), Friedenau, Alemanha. Maria Riva, sua filha, escreveu um livro sobre Marlene, no qual a revela como alguém frio e autoritário. 

Filmografia 1919: Im Schatten des Glücks, de Jacob e Luís Fleck (figuração não confirmada) 1922: Der Kleine Napoleon, de Georg Jacoby 1923: Tragödie der Liebe, de Joe May 1923: So Sind die Männer, de Georg Jacoby 1923: Der Mensch am Wege, de William Dieterle 1923: Der Sprüng ins Leben, de Johannes Guter 1924: Der Mönch von Santarém, de Lothar Mendes 1925: Die Freudlose Gasse (Rua sem Sol), de Georg Wilhelm Pabst 1925: Der Tänzer meiner Frau (O Dançarino de Minha Mulher), de Alexander Korda 1926: Manon Lescaut (Manon Lescaut), de Arthur Robson 1926: Eine Du Barry von Heute (Uma Mulher Moderna), de Alexander Korda 1926: Madame Wünscht Keine Kinder, de Alexander Korda 1926: Kopf Hoch, Charly!, de Willi Wolff 1927: Der Juxbaron, de Willi Wolff 1927: Seine Grösster Bluff, de Henrik Galeen e Harry Piel 1927: Café Elektric, de Gustav Ucicky 1928: Prinzessin Olala (Princesinha, Oh! Lá, Lá!), de Robert Land 1929: Ich Küsse Ihre Hand, Madame, de Robert Land 1929: Die Frau, Nach der Man Sich Sehnt, de Curtis Bernhardt 1929: Das Schiff der Verlorenen Menschen, de Maurice Tourneur 1929: Gefahren der Brautzeit, de Fred Sauer 1930: Der Blaue Engel (O Anjo Azul), de Josef Von Sternberg 1930: Morocco (Marrocos), de Josef Von Sternberg 1931: Dishonored (Fatalidade), de Josef Von Sternberg 1932: Shanghai Express (O Expresso de Xangai), de Josef Von Sternberg 1932: Blonde Venus (A Vénus Loira), de Josef Von Sternberg 1933: The Song of Songs (Cântico dos Cânticos), de Robet Mamoulian 1934: The Scarlet Empress (A Imperatriz Vermelha), de Josef Von Sternberg 1935: The Devil Is a Woman (O Diabo é uma Mulher), de Josef Von Sternberg 1936: Desire (Desejo), de Frank Borsage 1936: I Loved a Soldier - inacabado 1936: The Garden of Allah (O Jardim de Alá), de Richard Boleslawski 1937: Knight Without Armour (Cavaleiro Sem Armas), de Jacques Feyder 1937: Angel (O Anjo), de Ernest Lubitsch 1939: Destry Rides Again (A Cidade Turbulenta), de George Marshall 1940: Seven Sinners (Sete Pecadores), de Tay Garnett 1941: The Flame of New Orleans (A Condessa de Nova Orleães), de René Clair 1941: Manpower (Discórdia), de Raoul Walsh 1942: The Lady Is Willing (Capricho de Mulher), de Mitchell Leisen 1942: The Spoilers (Oiro), de Ray Enright 1942: Pittsburgh (Sangue Negro), de Lewis Seiler 1944: Follow the Boys, de A. Edward Sutherland 1944: Kismet (Kismet), de William Dieterle 1946: Martin Roumagnac (Desespero), de George Lacombe 1947: Golden Earrings (A Cigana Feiticeira), de Mitchell Leisen 1948: A Foreign Affair (A Sua Melhor Missão), de Billy Wilder 1949: Jigsaw (Uma Loira com Dois Corações), de Fletcher Markle 1950: Stage Fright (Pânico nos Bastidores), de Alfred Hitchcock 1951: No Highway in the Sky (Viagem Fantástica), de Henry Koster 1952: Rancho Notorious (O Rancho das Paixões), de Fritz Lang 1956: Around the World in 80 Days (A Volta ao Mundo em 80 Dias), de Michael Anderson 1956: The Monte Carlo Story (A História de Monte Carlo), de Sam Taylor 1957: Witness for the Prosecution (Testemunha de Acusação), de Billy Wilder 1958: Touch of Evil (A Sede do Mal), de Orson Welles 1961: Judgement at Nuremberg (O Julgamento de Nuremberg), de Stanley Kramer 1962: The Black Fox, de Louis Stoumen 1963: The Royal Variety Performance 1963 (TV) 1964: Paris When it Sizzles (Paris Quando Delira), de Richard Quine 1965: A Night of Thoughts, de Mikhail Romm 1968: Magic of Marlene, de Norman Spencer 1973: I Wish You Love, de Clark Jones 1978: Just a Gigolo, de David Hemmings 1984: Marlene, de Maximilian Schell